Embora as atenções pós-eleição de 2024 estejam voltadas principalmente aos vereadores eleitos, é igualmente importante analisar o destino daqueles que não se reelegeram, um ensaio do por que. O Divinews, com sua linha editorisal comprometida com a política, volta-se agora para os derrotados, cujas trajetórias e opiniões mereceram ser avaliadas. Afinal, suas derrotas também revelam aspectos importantes do cenário político de Divinópolis. Alguns discordarão e outros podem até concordar. Afinal, qual é a sua avaliação?
Roger Viegas (União Brasil): Uma trajetória de altos e baixo
Roger Viegas, do União Brasil, volta à posição que ocupou em 2016, quando teve 1.019 votos. Nas eleições de 2020, o vereador conseguiu mais do que duplicar esse número, atingindo 2.423 votos, consolidando-se como uma figura proeminente. No entanto, a trajetória de Roger nos últimos quatro anos foi marcada pela instabilidade. Sua postura política, ora de apoio, ora de oposição ao prefeito Gleidson Azevedo, gerou uma percepção de ambiguidade entre seus eleitores. A incerteza quanto à sua posição, aliada à escolha do partido União Brasil, que não atingiu o coeficiente eleitoral, selou seu destino nas urnas. Mesmo que o partido tivesse conseguido os votos necessários, Roger ainda estaria distante de conquistar uma cadeira na Câmara.
Edsom Sousa (PSD): O decano está fora
Edsom Sousa, que até então era o vereador mais experiente da Câmara, com cinco mandatos, causou um declínio acentuado. Nas eleições de 2024, obteve apenas 795 votos, uma queda significativa em relação aos 1.150 votos de 2020. Durante sua carreira, Edsom sempre ocupou uma posição de liderança, sendo líder de governo em várias administrações, como nas de Demétrius Pereira e Galileu Machado. No entanto, ao sair da liderança do governo Gleidson Azevedo, para imediatamente se tornar oposição ferrenha, sua estratégia tendo em vista as urnas, não deu certo. Em 2020, Edsom conseguiu ser reeleito graças à expressiva votação de Lohanna França, do mesmo partido, o Cidadania. Mas, em 2024, a sua falta de apoio interno, leia-se da ex-candidata a prefeita Laiz Soares, que não lhe destinou nenhum recursos do fundo partidário, somada ao fato de o PSD não ter atingido o coeficiente eleitoral, selou o seu destino. Edsom em sua fala na tribuna da Câmara na última quinta-feira (17), disse que “o mundo não acabou por ele não ter sido reeleito”, e que após descansar e viajar com sua esposa. Vai estudar os inúmeros convites que estão lhe sendo feito. Mas de qualquer forma, somente daqui a dois anos, em 2026 ou 2028, seu nome poderá voltar a ser testado nas urnas novamente.
César Tarzan (Republicanos): Um retorno breve e uma nova derrota
César Tarzan, que havia sido eleito em 2016 com 1.672 votos, perdeu força nas urnas nos últimos anos. Em 2020, sua votação caiu para 1.046 votos, o que o deixou fora da Câmara, ficando na suplência. Em 2023, ele conseguiu reassumir o mandato após o afastamento de Eduardo Print Junior por envolvimento em um escândalo de corrupção. No entanto, a sua breve passagem pela Câmara não foi suficiente para convencer os eleitores. Nas eleições de 2024, Tarzan obteve apenas 1.009 votos, ficando novamente de fora. Tarzan até que tentou uma pequena oposição ao prefeito Gleidson Azevedo, mas sua atuação foi considerada fraca e sem impacto relevante. Sua escolha pelos Republicanos, partido que elegeu Wesley Jarbas e Anderson da Academia, governistas que ampliaram suas votações. Contudo, Tarzan, claro que é na análise do editor do Divinews, é o tipo de político, e tem muitos assim na Câmara, que não tem “expertise” em ser oposição. Quando tenta, não dá certo, não convence. 2028, é logo ali, passa rápido.
ERRATA: Anteriormente erramos ao dizer que o partido não tinha alcançado coeficiente eleitoral. Pedimos desculpas.
Periquito Beleza (Republicanos): Mesmo governista
Periquito Beleza, eleito em 2012 com 1.494 votos, também experimentou uma queda contínua em suas votações. Em 2016, ele caiu para 1.021 votos e, em 2020, para apenas 657. Apesar da baixa votação, ele conseguiu uma cadeira na Câmara em 2022 após a eleição de Lohanna França para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais. No entanto, em 2024, mesmo com um pequeno aumento de votos 1.045, Periquito não conseguiu se reeleger, ficando na suplência, atrás do candidato “azevedista” Felipe Cortez (OBS: erramos ao falar que Felipe foi quem brigou com Edsom Sousa nos corredores da Câmara, na verdade foi André Alves) com 1.220 votos.
A trajetória de Periquito foi marcada por momentos de sorte e oportunidades, como sua ascensão ao cargo em 2022, apesar de não ter sido sua primeira escolha pelos eleitores. Com uma atuação discreta e sem ações que chamem a atenção do eleitorado, sua permanência na política foi mais dependente de conjunturas externas do que de uma base de apoio sólida. Em 2024, sua tentativa de reconquistar uma vaga na Câmara não teve sucesso, mostrando que o cenário político se mostrou mais desafiador do que ele, que assume sua posição de sempre ser governista elogioso aos secretários e de mandar abraços para os eleitores. Só Wesley Jarbas, mas esse foi reeleito, ganha dele neste quesito.
Capitão América (PDT): O herói, que escolhe o partido errado
Lauro Capitão América teve um infortúnio político peculiar. Em 2020, seu partido, o Republicanos, não atingiu o coeficiente eleitoral, apesar de Lauro ter recebido 1.223 votos. Ele acabou ficando de fora da Câmara, mas “em um golpe de sorte” conseguiu assumir o mandato em 2023 após a cassação do vereador Diego Espino, cujo partido, O PSL, foi acusado de fraudar o sistema de cota de gênero. Com isso Espino foi cassado, e a Justiça Eleitoral ao anular os votos da legenda, e refazer os cálculos deu a vaga para o herói. Lauro, “Deu Azar, depois deu sorte”.
Jás nas eleições deste ano, 2024, Lauro ao escolher o PDT, novamente escolheu um partido que não alcançou o coeficiente eleitoral, apesar de sua expressiva votação de 2.584 votos. Mais uma vez ficou de fora da Câmara. Para se ter uma ideia do quão fraca estava a legenda, a segunda colocada no partido, Daniene do Bardot, recebeu apenas 622 votos. O “Capitão América” terá que esperar até 2028 para tentar novamente e, desta vez usar seus superpoderes que tem falhado, e escolher o partido certo.
Ademir Silva (PSDB): o convite aceito, que não deu certo
Ademir Silva, que saiu candidato a vice-prefeito na chapa de Laiz Soares, viu seu caminho interrompido. A derrota acachapante da chapa nas eleições deixou Ademir fora da Câmara. Sem perspectivas imediatas de voltar ao cenário político, Ademir terá que esperar 2028, ou tentar se arriscar a alguma coisa em 2026. Porém, contudo, todavia. Pelo comportamento dos eleitores que nas urnas ignoraram qualquer tipo de criticas, ações ou suspeitas da gestão do prefeito reeleito, Gleidson Azevedo, quase o tornando “santo” com a votação que lhe conferiram. Como Ademir Silva era um ferrenho critico na tribuna da Câmara. Paira a dúvida de que, se candidato fosse a vereador, tivesse conseguido ser reeleito.
Deusdete Campos (PV) – Protagonista da novela jurídica
Por pouco o Divinews não esquece do vereador Deusdete Campos. Mesmo com o holofote da disputa jurídica dele e do partido, com o agora vereador eleito Washington Moreira (Solidariedade). Deusdete obteve em 2020, 1.061 votos pelo Partido Verde, ficando na segunda suplência, e na primeira ficou o “Chuta Balde”, o Washington, com 1.092.
Com o triste falecimento do vereador Zé Braz, do PV. E com o pedido de desfiliação feita por Washington Moreira, mesmo tendo ocorrida dentro da janela partidária (período pelo qual a Justiça eleitoral permite que vereadores mudem de partido, sem perder a cadeira, já que o mandato pertence ao partido e não ao vereador). Em primeira instância, a Justiça determinou que, quem deveria tomar posse era Deusdete e não Washington. Isso virou uma briga judicial (Vamos explicar isso em detalhes, em breve. Pois não é nada do que até então estão publicando. Tem os bastidores).
Independentemente da contenda, Deusdete na eleição deste ano obteve 974 votos, que é a sua média, já que em 2016 teve 1.189. O vereador até 31 de dezembro ficará novamente na suplência, desta vez de Kell Silva, com 2.198 e Rodyson Kristinamurti com 2.191. Novamente, como um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, as chances de Deusdete como suplente assumir são remotíssimas. Já que nenhum dos dois serão vereadores eleitos têm qualquer possibilidade de compor o governo de Gleidson. Os críticos ainda apontam que mesmo diante da turbulência jurídica no pouco tempo de mandato, Deusdete, até então não está mostrando a que veio.
Conclusão: Escolhas e o peso do coeficiente eleitoral
A análise dessas derrotas revela que, além das escolhas políticas e das votações individuais, o contexto partidário e o coeficiente eleitoral foram cruciais para o destino desses vereadores. Muitos, como Roger Viegas e Lauro Capitão América, sofreram as consequências de estarem em partidos que não conseguiram atingir o número necessário de votos para garantir cadeiras na Câmara. Outros, foram vítimas do desgaste político acumulado ao longo dos anos. O cenário de 2024 deixa uma lição clara: na política, as escolhas partidárias e a capacidade de manter uma postura consistente e alinhada com os anseios do eleitorado são fatores determinantes para o sucesso ou a derrota.
** O primeiro passo para ser eleito, ocorre antes das eleições. Na escolha do partido.






