A população de Divinópolis precisa ficar atenta, porque talvez não tenha percebido as manobras e arranjos que tem acontecido na surdina dos bastidores políticos. Fato é que, pouco a pouco, a família Azevedo tem feito de tudo para tomar Divinópolis de assalto, ou seja, o plano parece ser conseguir o total controle da cidade, tanto na política, que já tem um prefeito, um deputado estadual e um senador, quanto das entidades mais importantes de cada setor econômico do município. O primeiro que vão fazer um ensaio, para ver se dá certo é o sindicato rural, com o Leandro Silva Guimaraes, gerente da SEMSUR, aliadíssimo ao clã, como candidato da oposição para tentar derrubar Irajá Nogueira, que à ele a família nunca foi lá muito simpática. Exceto quando querem convites de camarotes para irem aos shows e levarem seus familiares na Divinaexpo.
Depois que Cleitinho, com sua cara de bom moço, e se passando por falso humilde, entrou na política, quando foi eleito vereador em 2016, parece que a sede de poder tomou conta da família Azevedo. Tanto é que desde então, ele conseguiu levar os irmãos pra política. Foi assim com Eduardo Azevedo, que se elegeu vereador e atualmente é deputado estadual. E com Gleidson, que concorre à reeleição na prefeitura. Todo mundo pegando carona na popularidade do irmão mais famoso. Que consegue manobrar vários órgãos, poderes e entidades com promessas de apoio político aos seus membros, em eleições futuras.
Neste contexto dos apoios prometidos por Cleitinho, nos bastidores da política em Divinópolis corre a brincadeira de que, em 2026, Minas deverá ter uma dezena de candidatos a vice-governador, umas três dezenas de candidatos ao senado e possivelmente chegar a uma centena de candidatos a deputados estaduais e federais
Mas só o poder na política e a fama de tik-tokers nas redes sociais parecem não ser o suficiente para saciar a fome de popularidade e poder dos Azevedos. E desta forma eles começaram, de forma bem sutil, a “mexer os pauzinhos” para conseguir ter influência e controle em outros setores também.
Em 2020, Gleidson Azevedo, em um debate eleitoral, chegou a fazer críticas ao Sindicato Rural de Divinópolis. Ele nunca fez muita questão de disfarçar que não é aliado de Irajá Nogueira, o atual presidente da entidade. Um dos motivos talvez seja o fato do Sindicato Rural não ter se curvado ao clã Azevedo, nem fazer tanta questão de bajulá-los.
O Sindicato Rural é uma entidade com papel fundamental em Divinópolis. Além do fato de ser a realizadora da maior festa da cidade, a DivinaExpo, que movimenta milhões de reais e atrai milhares de pessoas, de todo canto do país, o Sindicato Rural também realiza um trabalho muito importante junto aos produtores rurais. São centenas de associados, ou seja, centenas de possíveis eleitores para quem o Sindicato Rural apoiar.
Sem conseguir controlar o Sindicato comandado por Irajá Nogueira, o clã Azevedo então resolveu lançar apoio a uma chapa para concorrer com o atual presidente nas próximas eleições do sindicato rural. A família quer derrubar Irajá e ter alguém de confiança à frente da entidade, de preferência alguém que siga as ordens dos Azevedo e faça a vontade deles, sem questionar.
Com esse movimento, o que desenho que vemos é que, em breve, a família Azevedo vai querer “colocar o dedo” nas outras importantes entidades de setor de Divinópolis, como a Associação Comercial e Industrial (ACID), a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e talvez até a FIEMG (Federação das Indústrias de Minas Gerais). Se conseguir colocar seus aliados nessas entidades, de um jeito ou de outro, os Azevedos vão continuar tendo influência e poder nos mais diferentes setores e por muitos anos.
Essa estratégia para perpetuar e ampliar o poder dos Azevedo em Divinópolis pode ser arriscada para a cidade. Todo mundo sabe que a família não lida bem com críticas, nem tolera ser contrariada. Por isso, pra eles, ter influência e controle de entidades como o Sindicato Rural, a ACID e a CDL, por exemplo, é uma excelente maneira para que eles consigam que essas entidades pensem não no interesse coletivo e, sim, no interesse dos Azevedo. Não é a toa que a família não prega a paz, e sim o confronto, e sempre diz que “vai partir pra cima”, custe o que custar.
Esse projeto de poder, se alimentado, já que a fome é grande, pode ir longe, chegar ao Estado de Minas Gerais, com Cleitinho se viabilizando como Governador. Com seu sonho maior alcançar a presidência do Brasil. E isso já é cogitado dentro do seu núcleo mais intimo. Cleitinho até tem tentado, à lá Pablo Marçal, de quem se tornou grande admirador e esqueceu o primeiro amor à Bolsonaro.






