Rebeca começou em projeto social e superou lesões para se tornar a maior atleta olímpica do Brasil

Publicado por: Redação

A caminhada de Rebeca Andrade, 25, para se tornar a maior atleta olímpica do Brasil e ainda voltar ao pódio pela quarta vez nos Jogos de Paris, agora com ouro no solo, não foi sem solavancos, nem acompanhada somente por expressões de felicidade, como a que ela exibia na Arena Bercy – Antes da medalha alcançada nesta segunda-feira (5), batendo a americana Simone Biles, Rebeca teve de superar um histórico de três lesões graves no joelho até corresponder às expectativas criadas sobre ela desde suas primeiras aparições no cenário mundial.

Nascida em Guarulhos (SP), em 8 de maio de 1999, ela possui nove medalhas em campeonatos mundiais (três delas de ouro), está em sua terceira participação em Jogos e agora tem seis medalhas —dois ouros, três pratas e um bronze.

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Em sua trajetória, a atleta de Guarulhos (SP) sempre destacou a questão da representatividade e da importância de ser uma mulher negra.

A ginasta começou no esporte através de um projeto social em sua cidade natal.

Há quase dez anos, em 2015, veio a primeira de três lesões nos joelhos, todas no ligamento cruzado anterior, que exigiram cirurgias. As outras intervenções viriam em 2017 e 2018.

“Já superei muitas coisas e cada vez que superei algo difícil fiquei mais determinada a voltar; Queria vencer ainda mais”, disse portal ao Olympics.com no fim de 2019.

A confirmação de seu potencial olímpico veio nos Jogos de Tóquio-2020, ao conquistar um ouro no salto e uma prata no individual geral. Sua jornada passou a ser reverenciada, entre tantas pessoas, por Biles, a americana amplamente apontada como maior ginasta de todos os tempos.

O desempenho da brasileira nos últimos anos fez com que Biles enxergasse nela uma rival à altura. Nos bastidores do último Mundial, enquanto as atletas esperavam uma cerimônia de pódio, a americana reverenciou Rebeca ao simular que tirava uma coroa da própria cabeça e colocava na da brasileira.

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Nesta segunda, com a medalha de prata, Biles afirmou que Rebeca é “absolutamente incrível”.

Por fim, a americana disse que pretende tirar um tempo para descansar. “Então, estou animado para ver o que vem a seguir para ela realizar. Mas agora acho que ela vai tirar um tempo e relaxar, como todos nós já deveríamos saber.”

O embate entre as duas nas Olimpíadas era esperado havia oito anos, mas circunstâncias acima das duas impediu o duelo. Nos Jogos do Rio-2016, Rebeca recuperava-se de uma lesão no ligamento cruzado anterior do joelho direito. Enquanto a brasileira brilhou nas Olimpíadas de Tóquio-2020, Biles decidiu parar e tirar um tempo para cuidar da saúde mental em meio à competição.

Em Paris, as duas chegaram prontas para o embate. Com o status de rival da americana, a brasileira viu sua confiança aumentar, conforme ela mesma contou em entrevista dias antes de embarcar para a capital francesa.

“A cada ano, a cada conquista, eu me coloquei em outro patamar. Estou muito mais madura. Não posso dizer que eu vou acertar tudo, não é isso, mas eu sinto que confio ainda mais em mim”, afirmou.

Na última quinta-feira (1º), quando as duas se enfrentaram na final individual geral, com vitória da americana, a apresentação de Rebeca impressionou até mesmo a maior de todas.

Viralizou na internet um vídeo com a reação da americana durante a performance da brasileira. Era como se ela já estivesse pensando em como seria a disputa individual. E talvez tenha sido parte de sua motivação para mais uma apresentação, quase, impecável para retomar sua coroa.

Fonte: Folha

 

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