Pré-candidata a vereadora e servidora da saúde em Divinópolis, Néia Marques fala sobre os gargalos na área e traz ideias de possíveis soluções

Publicado por: Redação

Na última semana, o Divinews entrevistou a candidata a vereadora pelo PSD, e, servidora pública da saúde em Divinópolis, Néia Marques. Na oportunidade, dentre diversos assuntos abordados, Néia descorreu sobre os gargalos na área e trouxes algumas análises e ideias de possíveis soluções para a atenção primária, hospitais que atendem pelo SUS na cidade e mesmo para a UPA Padre Roberto.

Nascida e criada no município, a agente política é moradora da periferia, no bairro Elizabeth Nogueira, onde é liderança comunitária, mas também teve raízes na região dos bairros Interlagos, Nações e Nossa Senhora das Graças, locais os quais passou boa parte da infância e adolêscencia.

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Para assistir a entrevista completa, basta acessar a aba “Reels” no perfil do nosso Instagram, ou, se preferir, clique neste link.

CONVENÇÃO PARTIDÁRIA

Néia passará pelo crivo da convenção partidária do PSD Diviópolis na noite desta sexta (29), assim como outras 16 candidaturas. “Já tem data marcada, vai ser nesta segunda-feira, (29), às 19 horas na Câmara.”, relata a informação.

QUEM É NÉIA?

Marques resume sua biografia. “Sou uma mãe solteira e avó solteira. Eu brinco que eu sou mãe solo e avó solo. Tenho três filhos e dois netos. Sou moradora da periferia do bairro Elizabeth, uma sonhadora e uma lutadora pelo direito da população a ter uma saúde que seja, pelo menos, aceitável. Sou também defensora popular, né? Uma liderança comunitária, né? Sou liderança comunitária, defensora popular, mãe solo e servidora pública municipal. 

SERVIDORA PÚBLICA 

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A agente política detalha sua trajetória como servidora pública da saúde em Divinópolis. “Eu sou servidora no posto do CSU, que hoje está alojado temporariamente. A sede nossa está sendo construída, né? E nós estamos alojados em um prédio do posto de saúde do Ponto Velho. Antigamente era do lado da Gerdau. A área era ampla, mas a nossa unidade era bem precária. A gente precisava mesmo de uma nova unidade. Nós tínhamos portas lá que não passavam cadeirantes. Faltava muita acessibilidade, sabe? 

Por isso que a gente foi agraciado a construção de uma nova unidade, né? Que vai atender a necessidade da população ali, que o Porto Velho, o Interlargos, como o Porto Velho, não é um bairro de pessoas tão jovens, né? Lá a gente já tem uma população bem idosa e precisa de ser bem adaptado mesmo. Porque nós temos paciente visual, nós temos paciente cadeirantes, nós temos paciente com dificuldade de andar, precisa de ter corrimão, precisa de ter banheiro adaptado, com banheiros mais largos. Então, essa nova construção vai vir com esses benefícios para a população e está sendo bem esperado, tanto para o colaborador, quanto para a população que depende dela, né? Porque a distância é muito longa, geral. 

Eu fico brigando por isso. Eu não consigo conformar com que a população do São Bento, um bairro tão precário, saia de lá para ser atendida no Porto Velho. Ah, só 700 metros, 700 metros do Cesu até o Porto Velho. Mas a última casa do São Bento, ela anda aproximadamente 6 mil metros, 6 quilômetros. 6 quilômetros, né? É muito. Não é muito, não. É muito para uma pessoa que não tem condição financeira de pagar um ônibus, que precisa fazer um exame em jejum, aí ela vai sair de casa em jejum para andar a pé. É mãe com criança no colo. 

É pessoa com dificuldade de andar. E é uma população… Eu quero achar que o São Bento chega a ser mais carente do que o Copacabana. São Bento, né? São Bento. É um bairro muito carente. Eu realmente não conheço. São Bento fica para que região? Para lá da Interlagos? No sentido de estrada Velha de Carmo do Cajuru. Ah, estrada Velha de Carmo do Cajuru. É, aquela, pega a entradinha lá. No final da entradinha. Aquela população ser atendida no Porto Velho me corta o coração!”, detalhou.

POSTOS DE SAÚDE E BAIRROS COM INFRAESTRTURA PRECÁRIA

Néia ressalta as más condições dos postos de saúde e moradores que residem em locais de pessímas condições de infraestrutura. “Precisa fazer um mapeamento. Não sei. Ou uma unidade na Dona Quita, né? O meu sonho seria um novo PSF no Dona Quinta. Sabe? Para facilitar para a população do Dona Quinta, novo paraíso São Bento. Mesmo com essa mudança, que vai ter um novo posto de saúde, né? Um novo PSF, vai continuar longe? Vai, vai diminuir 700 metros. 

As pessoas vão andar 5 quilômetros e 300 metros ainda. Continua longe? É muito com uma idosa, é muito com um diabético, é muito com uma mulher com uma criança no corpo. São pessoas muito carentes. Lá não tem estrutura nenhuma. Lá não tem esgoto. Eles não têm acessibilidade a ônibus direito. Se chove o ônibus não vai. Se tem poeira o ônibus não vai. São Bento… 

É um bairro, assim, muito prejudicado. Muito mesmo. Eles precisam de ter uma atenção melhor.”, ressaltou a servidora.

POPULAÇÃO SEM NECESSIDADES BÁSICAS 

Marques revela que recebeu um chamado de um popular que não tinha acesso a sequer água potável e devido a isso corria risco de contaminação por várias doenças. “Precisa ter um cuidado melhor com aquela população. Eu recebi uma ligação de um senhor que, você não vai acreditar, na casa dele não tem água potável. Ele não conseguiu ligação da Copasa. É inaceitável, né? Uma cidade desse tamanho de novo, você tem que ter pessoas que não conseguem ter um bem vital, que é a água tratável. É básico, né? Uma necessidade básica. Uma necessidade básica. 

É a água tratável, né? Porque também recebi pessoas mandando vídeo com a água da cor de água de pão de chão, né? Essa semana. Então, mas que tenham acesso à água, né? Que é a água que nós temos. Já que a gente começou abordando, assim, a questão da saúde, você tem olhado, fiscalizado junto, e você tem feito sempre isso, independentemente da época, né?”, revelou.

UPA DIVINÓPOLIS E NOVA GESTÃO DA UNIDADE 

Nos últimos meses, desde abril, Néia tem recebi uma série de denúncias na área da saúde e por meio das redes sociais tem dado voz a moradores negligenciados pela atual gestão. “Meus vídeos falam muito da má avaliação da saúde como um todo, em Divinópolis e levando em consideração a questão da UPA. Embora, nesse exato momento, nesse exato momento, não, neste momento, mudou a administração, saiu da IBRAPE e passou para o CIS-URG. 

Ainda é prematuro de fazer qualquer tipo de julgamento a partir dessa nova gestão. Perdemos várias pessoas, tivemos várias complicações de pessoas lá, pessoas agravando. Ali, o gargalo da atenção primária e secundária é bem diferente do que as pessoas pensam. Julga-se muito a atenção primária, julga-se muito a UPA, mas a maior parte disso tudo está na atenção secundária, está na Policlínica. 

Porque, se um paciente é cardíaco, cardiopata, chega na nossa unidade, ele vai ser bem atendido, aquele médico clínico. Só que o clínico vai chegar só até onde ele consegue. Aí, ele vai encaminhar pro especialista. “, especificou a situação.

ATENÇÃO PRIMÁRIA 

Nos últimos anos, moradores de vários bairros por Divinópolis tem reclamado da falta de acesso a consultas, exames e por não receberem medicamentos específicos para determinadas condições patológicas. Sobre isso, Néia analisa a atenção primária da cidade. “Tem uma coisa que eu, como usuária do SUS, como moradora de Divinópolis, não consigo entender que até pouco tempo, um exame, pedido do médico a título de urgência, saía. Colhia as 07h e saia as 16h. Hoje, não consegue mais. Divinópolis não aumentou tanta população pra perder essa agilidade, para perder esse benefício. Eu não consigo entender. Em fevereiro desse ano mesmo, em 2004, eu estive na tribuna, porém, fui até criticada, mas eu falei tudo o que aconteceu meses depois. 

Exames que não saem, isso prejudica a saúde do paciente. Você encaminhou aquele paciente pro cardiologista e não tem cardiologista. O paciente é cardiopata, hora ou outra ele vai passar mal. Aí, para onde que ele vai? UPA. O diabético descontrolado, porque não tem um endocrinologista pra tomar a dose dele, para onde que ele vai? UPA! 

Uma criança que precisa tratar uma doença crônica pulmonar, como uma asma, um bronquite, passa mal, para onde que ele vai? UPA! Porque ele não tem. A saúde afunila na UPA, né? Porque ele não tem aquele acompanhamento necessário da atenção secundária. A atenção primária faz tudo o que pode. 

Eu estou lá, eu sei disso. Faz tudo o que pode. A partir do momento que pede-se um exame, pede-se que vá a um especialista e não tem, o rebote vai para o outro. Nós precisamos cuidar da nossa policlínica, abastecer ela de especialidades, sabe? Eu também acho assim, que seria um grande ganho pra nossa saúde em Divinópolis, se nós tivéssemos mais exames de imagem, sabe?”, analisou.

CONSULTAS E EXAMES COMPLEXOS

A servidora de licença também levanta acerca da falta de equipamentos para realização de exames mais complexos. “Divinópolis compra tomografia, Divinópolis compra ressonância. Por que Divinópolis não pode ter o seu próprio aparelho? Por que não pode? É uma coisa que é de se pensar mesmo. Por exemplo, chega um paciente lá, visível, que sofreu um AVC, o médico clínico que está lá na UPA, você vai saber a dimensão daquele paciente se ele tiver um aparelho de tomografia. Do contrário, ele vai cuidar dele ali, né? 

Vai cuidar dele ali com dados clínicos, né? Porque ele não tem imagem. Até que ele vá para o São João de Deus pra fazer. Por que não temos ali um tomógrafo? E às vezes não dá tempo. Não dá. Porque não podemos ter ali um ultrasom, né? Pra ver uma hemorragia abdominal, né? Pra ver alguma outra situação. São pequenos ajustes que podem ser feitos. Porque sabemos que vem verba, ela precisa ser bem distribuída, ela precisa ser bem gasta pra eles trazerem benefícios pra população, sabe? E trazendo benefícios pros servidores. Cai tudo nas nossas costas, sabe? Cai no pessoal da UPA.”, levantou o quadro precário.

PANDEMIA DA COVID EM DIVINÓPOLIS

De acordo com a profissional de saúde, a categoria dela foi esquecida, embora há pouco tempo, foram eles que salvaram Divinópolis de ter ainda mais mortes por Covid, Dengue e demais doenças com agravamento respiratório. “Há dois anos, três anos atrás, no marco da pandemia, nós éramos heróis. Há pouco tempo atrás, eles estavam sendo prejudicados. Eles estavam sendo acusados. Só que ninguém sabe a dificuldade que é trabalhar dentro de uma unidade de saúde sem se ter recurso. Não é dificuldade, não. É impossível. É incapacidade, né? 

Os profissionais se sentem incapazes de não ter como prosseguir com aquele tratamento porque eles não têm o que fazer. Muitas das vezes, não é muitas das vezes, a maioria das vezes, a visão da saúde atende bem e faz no limite o que eles podem fazer. Tudo o que pode. Contudo, a gestão, a limitação de equipamento e a falta de olhar dos gestores públicos pra resolver esse problema não acontece. Por isso dá esse esgargato a esse problema. E eu tenho por mim que a partir do momento que nós tivermos que a gente conseguir adquirir esses equipamentos pra UPA, pra policlínica e tudo, o que vai acontecer? 

O atendimento vai ser muito rápido. Chegou uma pessoa lá, acidente de moto  suspeita de traumatismo craniano, não vai ter mais a suspeita, o médico vai ter a certeza. Porque vai ter o aparelho lá pra fazer a imagem. Vai ter o aparelho lá com o médico dar o diagnóstico preciso. E o que que isso vai facilitar e vai melhorar na regulação? Porque o médico já vai regular com todos os requisitos. 

Essa fala não é minha, mas lembro de alguém ter me falado. ‘O SUS não é um problema sem solução. O SUS é a solução com pequenos problemas.’ É onde eles não conseguem ajeitar esses problemas. E ainda bem que nós temos o SUS, né? Graças a Deus. Mas nós temos o SUS que em alguns países não tem uma situação igual. 

Quando eu era bem pequena, não tinha o SUS. Só que, graças a Deus, meu pai trabalhava em na antiga PAINS e a gente tinha todo um aparato médico lá. Então a gente era muito bem cuidado, nós tínhamos vacinas, que agora estão sendo liberadas, pelo sistema público de saúde.”,

ENTREVISTA NA ÍNTEGRA

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