E-mails revelam instruções de ramagem para Bolsonaro atacar urnas eletrônicas e instituições

Publicado por: Gustavo Majory

A Polícia Federal (PF) encontrou e-mails do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e atual deputado federal, Alexandre Ramagem (PL-RJ), que orientavam o então presidente Jair Bolsonaro (PL) a atacar as urnas eletrônicas.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A revelação foi feita pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (26), após a PF recuperar os textos por meio da quebra de sigilos de Ramagem, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito da operação sobre a existência de uma “Abin paralela”.

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Ramagem, agora deputado federal e pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro pelo PL, está sob investigação por supostamente comandar um esquema ilegal de espionagem e perseguição a adversários políticos de Bolsonaro através de operações informais da Abin. Em depoimento à PF, Ramagem teria reconhecido que escrevia textos “para comunicação de fatos de possível interesse” de Bolsonaro, mas alegou não se lembrar se essas mensagens foram enviadas adiante.

Documentos Reveladores

Um dos documentos, intitulado “Presidente TSE informa.docx”, encontrado no e-mail de Ramagem, destaca: “Por tudo que tenho pesquisado, mantenho total certeza de que houve fraude nas eleições de 2018, com vitória do sr. (Bolsonaro) no primeiro turno. Todavia, ocorrida na alteração de votos”. O texto sugere a Bolsonaro que mine a confiança nas urnas eletrônicas, repetindo informações falsas sobre a falta de segurança dos dispositivos.

Outro trecho do mesmo documento orienta: “O argumento na anulação de votos não teria esse alcance todo. Entendo que argumento de anulação de votos não seja uma boa linha de ataque às urnas. Na realidade, a urna já se encontra em total descrédito perante a população. Deve-se enaltecer essa questão já consolidada subjetivamente (…) A prova da vulnerabilidade já foi feita em 2018, antes das eleições. Resta somente trazê-la novamente e constantemente”.

Além disso, há a descrição de um grupo de confiança criado para “trabalho de aprofundamento da urna eletrônica”, com a participação do major da reserva do Exército Angelo Martins Denicoli, investigado por integrar um suposto plano de golpe de Estado para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e manter Bolsonaro na presidência. Esse plano é alvo de outro inquérito da PF, que inclui Bolsonaro, ex-ministros de seu governo e oficiais do Exército entre os investigados. Ramagem afirmou em depoimento que não se lembrava da criação do grupo de trabalho e negou ter trabalhado com Denicoli.

Recomendação para Atacar Instituições

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Outro documento, registrado como “Presidente.docx”, sugere que Bolsonaro adote uma atitude hostil contra adversários e instituições, especialmente as que organizam as eleições. “Bom dia, presidente. O Sr. mais do que ninguém conhece o sistema e sabe que não houve apenas quebra de paradigma na sua eleição, mas ruptura com esquema dos poderes (…) nenhuma crise conseguiu enfraquecer sua base e não aparenta haver políticos à altura de vencê-lo em 2022. Portanto, parece que a batalha maior será agora, requerendo atitude belicosa com estratégia”, diz o texto.

O documento também sugere, sem apresentar provas, que poderia haver um movimento de “golpe” no TSE contra Bolsonaro, mencionando inquéritos na Justiça que envolveriam o ex-presidente. “Há armadilhas sendo colocadas. O inquérito do Celso de Mello possui relação com o inquérito das fake news do Alexandre de Moraes com intuito de fundamentar o golpe no TSE”, aponta o arquivo.

 

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