PM vai investigar conduta de policiais que mataram homem nu em surto psicótico na BR-494


Um homem de 39 anos foi baleado e morto por policiais militares que o abordaram na BR-494 em Marilândia, distrito de Itapecerica. A PM foi acionada depois que o homem foi visto andando nu pela rodovia. Durante a ação, a vítima foi baleada e morreu antes de chegar ao hospital. A família do homem questiona a ação dos PM e a polícia afirmou que vai investigar a conduta dos militares que participaram da ação.

A família da vítima é de Cláudio e disse que o homem trabalhava como torneiro mecânico, mas há poucos meses foi diagnosticado com transtornos mentais. Desde então, em outros episódios, ele já tinha andado nu pelas ruas durante alguns surtos psicóticos. Na última sexta-feira (04) ele saiu vestido de casa, em Cláudio, e foi caminhando por cerca de 25km até Marilândia, onde já foi visto sem roupas às margens da BR-494. Foi quando a PM foi chamada.

Segundo a versão da PM, a equipe tentou conversar com o homem, que estaria agressivo e partiu para cima dos militares. A polícia disse que ele chegou a tomar o cassetete de um dos militares e o agrediu. Outro agente deu um tiro de borracha da vítima. A PM afirma que o homem continuava nervoso e, diante disso, os policias atiraram nele, que foi socorrido, mas já chegou morto ao hospital. Testemunhas que presenciaram a ação contestam essa versão e negam que o homem morto estivesse exaltado. As câmeras do Sistema Olho Vivo filmaram quando a vítima passa pelo distrito, mas a PM não divulgou as imagens.

A família da vítima também questiona a ação da polícia e diz que os militares deveriam ter pedido apoio de uma equipe médica capaz de lidar com paciente em surtos psicóticos, o que não aconteceu. Em entrevista a um outro veículo de comunicação, a mãe do homem diz que não se conforma com a conduta dos militares. “Eu vou me perguntar pelo resto da minha vida. Por que tanta violência? Se eles tivessem amordaçado ele, algemado ou até batido… mas matar não. Porque se ele tomasse os remédios ele ia voltar a ser como antes”, disse a mãe da vítima.

O homem levou três tiros, no ombro e nas pernas. “Todo mundo lá em Marilândia disse que percebeu que ele estava em surto, não estava bem. Não é possível que só a polícia não percebeu que ele não estava bem. As pessoas que a gente pensa que vão ajudar a gente nesse tipo de momento é que tiraram a vida dele”, questiona um cunhado da vítima. A PM diz que socorreu o homem ainda com vida, mas o médico diz que ele chegou ao hospital já morto. “Não é possível que três policiais não conseguem render um homem que está surtado e a única opção deles é atirar três vezes. Com toda certeza eles sabiam que iriam matá-lo”, diz o cunhado.

A PM afirma que vai apurar a conduta dos policiais envolvidos na ocorrência. “Já estão sendo providenciadas audições de testemunhas que passaram pelo local, provas também, um perito esteve no local, então tudo será analisado e repassado à autoridade judiciária militar”, afirmou a PM. Diante da situação, a família do homem morto quer justiça. “Os policiais nunca poderiam ter agido dessa forma”, desabafa a viúve da vítima.

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