“Eu amo Divinópolis” não é diferencial eleitoral para campanha política é apenas frase de efeito populista, todos amam


Alguns candidatos, tanto a prefeito quanto a vereador tem propagando e declarados aos quatro ventos que: “EU AMO DIVINÓPOLIS!”. Porém, quem ama deveria ter sempre cuidado no passado, cuidar no presente e continuar cuidando no futuro, não sendo apenas uma frase de efeito motivado somente por uma campanha eleitoral, como se tais candidatos, somente eles amassem a cidade. Como que o amor deles seja maior e melhor que todos os demais divinopolitanos.

Existem dezenas, centenas, milhares de cidadãos divinopolitanos que ao longo dos 108 anos de emancipação do município provaram esse eterno amor, não precisaram e nem precisam sair por aí dizendo deste amor. ELES PROVARAM E PROVAM diariamente que amam.

Ao citar o nome de cada um, poderíamos incorrer em uma injustiça ao esquecer o nome de um ou outro. Mas os historiadores da cidade sabem muito bem o amor que foi dedicado por homens e mulheres que fizeram e fazem a história de Divinópolis.

Esse propalado amor fazendo parte de uma campanha eleitoral, soa mais como um oportunismo político e barato do que qualquer outra coisa. A esses oportunistas eleitoreiros, a nossa recomendação é que leiam a história da construção e do desenvolvimento econômico e político de Divinópolis, quando serão encontrados homens e mulheres que de fato, podem encher o peito e dizer a pleno pulmões que amaram enquanto estiveram vivos e outros ainda amam dedicam suas vidas ao seu desenvolvimento não apenas em período eleitoral, como foi o caso do Major Francisco Machado Gontijo, Antônio Olympio de Moraes, Padre Matias Lobato, Pedro X Gontijo, Cel. Jovelino Rabelo, Fabio Notini, Alvimar Mourão, Sebastião Gomes Guimarães, Antônio Martins, entre outros. E sem julgamento de mérito político, do seu atual mandato (2017/2020), o próprio atual prefeito Galileu Teixeira Machado, aos 88 anos faz parte desta história.

 

Batistina Maria de Sousa Gorgozinho, do Livro

“Centro-Oeste Mineiro”, História e Cultura

 O desafio de pensar Minas Gerais significa considerar a existência de muitas Minas Gerais marcadas pela diversidade, interioridade e ao mesmo tempo a capacidade de, do alto das montanhas enxergar a interagir com o mundo.

A cidade de Divinópolis, no centro-oeste mineiro, tem 108 anos de criação, mas se considerarmos o tempo de existência do arraial do Espirito Santo de Itapecerica, essa localidade tem, aproximadamente 250 anos. Os documentos mais antigos registram que os moradores do arraial solicitaram ao bispado de Mariana, autorização para construir uma igreja em homenagem ao Divino Espirito Santo e São Francisco de Paula. A provisão da capela construída no sertão do rio Itapecerica foi concedida em 13 de janeiro de 1767, o que evidencia que o povoamento do lugar foi anterior a esta data. O patrimônio para a construção da capela foi doado por Manoel Fernandes Teixeira registrado em cartório de Mariana em 1770. Existem também evidencias da ocupação indígena dessa região, privilegiada pela existência de uma grande cachoeira e pedras roliças no leito do rio Itapecerica, passagem natural para outra margem, usada por tropeiros e viajantes de modo geral, além da existência do rio Pará.

Tal qual Minas Gerais muitas são as faces de Divinópolis, local que incorporou no seu processo de desenvolvimento múltiplas situações. Enquanto arraial do Espirito Santo do Itapecerica, foi local de pouso de viajantes em direção a vilas então existentes, desde meados do séc, XVIII, com uma população católica tradicional, uma igreja, poucas casas ao redor do largo e imediações. Esse tempo foi registrado através de memorialistas como Francisco & Antônio Gontijo Azevedo.

O município foi criado em 30 de agosto de 1911 pela Lei 556 e instalado oficialmente em 1º de junho de 1912. O seu surgimento, enquanto cidade, foi um processo marcado pela chegada da Estrada de Ferro Oeste de Minas, instalação das oficinas da RMV e sua transformação em entroncamento ferroviário, em direção ao interior do Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro. Essas oficinas, instaladas a partir de 1910, podem ser consideradas o início das atividades industriais na região.

A população cresceu, a cidade se expandiu e o comercio e serviços se diversificaram em decorrência da virtuosidade políticas de muitos dos seus cidadãos, como Major Francisco Machado Gontijo, Antônio Olympio de Moraes, Padre Matias Lobato, Pedro X Gontijo, Cel. Jovelina Rabelo, além de outros, cujos nomes estão imortalizados nas ruas, avenidas, praças e monumentos existentes na cidade.

O nome Divinópolis foi adotado em 1912 por decisão da câmara municipal e a planta topográfica da área, onde as novas construções foram feitas, foi elaborada pelo engenheiro-chefe da construção do ramal ferroviário, dr. José de Berrêdo, atendendo a solicitação do presidente da Câmara. Dessa forma, Divinópolis ganhou um traçado urbano funcional e moderno, constituído de largas e retilíneas avenidas e ruas, como previsão e desejo do futuro progresso. Com a construção do prédio da Câmara Municipal, grupo escolar e cadeia pública, surgiu um novo centro político-administrativo na vida local que, aos poucos, concentrou a população que recebeu lotes para a construção de residências, doados pelo poder público municipal.

Com a ferrovia chegaram também novas concepções religiosas e políticas. A trama cultural-ideológica presente no processo histórico da cidade foi marcada pela diversidade e circulação de numerosos jornais e boletins. Em 1916 aconteceu a primeira conferencia protestante de Divinópolis.

A Igreja Batista foi planejada pelo chefe das oficinas, mestre Rangel, tendo sido iniciado sua construção em 1919. Em 1924 o arcebispo d. Antônio dos Santos Cabral ofereceu aos franciscanos a paroquia do Divino Espirito Santo de Divinópolis. Além da instalação do convento, eles preferiram para esta cidade o Colégio Seráfico visando a formação de seminaristas. Suas atividades religiosas e culturais renovaram o catolicismo local e garantiram sua hegemonia junto a população. A primeira reunião de maçons foi organizada na cidade pelo dr. Behring, engenheiro da Estrada de Ferro Oeste de Minas, em janeiro de 1923, quando foi decidida a construção do templo da 1ª Loja Maçônica de Divinópolis, que foi designada Estrela do Oeste de Minas. Os racionalistas cristãos, articulados pelo capitão Sinfrônio Gontijo da Silva, iniciaram suas atividades na cidade em 1928.

Em 1931 foi instalada em Divinópolis a usina de Gravatá, primeira usina de álcool-motor da América Latina, para a produção de álcool a partir da mandioca, como parte da campanha de saneamento adotada pelo governo mineiro. Na década seguinte, desencadeou-se a instalação de siderurgias incrementadas pouco depois pelo modelo econômico desenvolvimentista adotado pelo governo Juscelino Kubistchek.

Nos meados do sec. XX, a vida local foi profundamente marcada pelas greves dos ferroviários da Rede Mineira de Viação. Essas greves foram realizadas com o apoio e participação ativa das mulheres que, dessa forma, contribuíram para a obtenção de melhores condições de vida para as famílias ferroviárias, bem como iniciaram na cidade novas práticas políticas, marcadas pela atuação feminina. Sindicalismo e partido comunista estiveram também presentes na condição de cidade-oficina de Divinópolis.

Ao longo do tempo a cidade modernizou-se, e expandiu-se verticalmente e tornou-se um significativo polo regional econômico, cultural e administrativo, expressivo pelas suas atividades políticas, culturais, industriais, comerciais e oferecimento de serviços diversificados. Sua população é numerosa e oriunda, em grande parte, de regiões vizinhas. Dentre as atividades industriais, além das siderurgias, destaca-se a indústria do vestuário que transformou Divinópolis em um palco de moda, conhecido em todo o país. Ao longo do ano acontecem grandes ventos que recebem milhares de visitantes. A cidade possui uma imprensa diária e combativa, uma ampliada rede de educação básica e superior que oferece diferentes cursos de graduação e pós-graduação. Também festas religiosas populares, como a missa conga celebrada por frei Leonardo, e times de futebol como o Guarani e Ferroviário. Nomes expressivos se destacam na literatura, na música e no teatro com a existência de numerosos grupos, além da poesia de Adélia Prado e de outros poetas, esculturas de GTO e as pinturas de Petrônio Bax e outros.

O permanente e o transitório coexistem no processo histórico de Divinópolis. O que marca a vida desse lugar de Minas Gerais é a tradição do novo e não a tradição do antigo.

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