“Presidenta” do MUNDI diz que 70% dos jovens assassinados, são negros; que a maior população carcerária é de negros; e cobra criação de Conselho à Prefeitura


Grazi Rufo, presidente do Movimento Unificado Negro de Divinópolis (MUNDI), em entrevista ao Divinews, após explicar o que é movimento, e qual é a sua atuação, além de esclarecer sobre a parceria estabelecida com a OAB, através da criação da Comissão de Promoção Direito Humanos e Igualdade Racial, apresentada para a população no dia 25 de julho na sede da Ordem. E que tem como objetivo dar sustentação jurídica em temas que envolva o direito e a inclusão social. Grazi, pontuou sobre a atuação dos vereadores da Câmara de Vereadores de Divinópolis, que insistem em não atuar de forma propositiva para a criação do Conselho Municipal da Igualdade Racial    

A presidenta, como gosta de ser chamada, e não de presidente, começou sua entrevista falando a missão do MUNDI: “A nossa missão, é defender o estatuto da igualdade racial, e promover cidadania, cultura, educação, atos que levem o nosso povo para cima, para ascensão, e trabalhar contra a discriminação.

“Quando a gente fala que é movimento negro, não significa que faça parte só pessoas que sejam negras. Porque quando a gente luta por igualdade, a gente luta por direitos humanos, então movimento negro é movimento do povo. É um movimento que a gente quer levantar aqueles irmãos, tirar as pessoas da desigualdade, gerar oportunidade, gerar cultura, gerar conhecimento, a gente acredita que a partir daí é que se consegue mobilizar e modificar a cidade que vivemos, Divinópolis”

“No MUNDI, tem várias atividades, e tentamos ocupar cargos dentro do Município, para também tentar abordar discussões em prol da sociedade. Mas, hoje o foco do Movimento são as atividades sociais, as nossas oficinas, que acontece na estação do movimento negro”

“Oferecemos HIP HOP, que é o “Pedagogiando HIP HOP”, é uma oficina direcionada para crianças, dos cinco aos doze anos de idade, onde é contada a história do HIP HOP; a dança, o corpo, a letra, a vestimenta, enfim, como se comportar, tudo isso de forma educativa”

“Temos também a oficina do Kung Fu, além de ser um esporte de competição, também ajuda na autodefesa, no esporte que trabalha em grupo. Temos também a Capoeira, que é um patrimônio Afro-Brasileiro, uma herança que ganhamos”

“O MUNDI ÊRE, é um projeto que acontece alternativamente em alguns meses do ano, nele falamos de empoderação das crianças negras, é trabalhada a baixa autoestima, a carência, cultura e esportes com as crianças”

Gazi aborda um tema, que segundo ela é comum acontecer, são as mulheres negras parturientes que sofrem violentas agressões dentro dos hospitais na hora do parto, e mesmo durante a gravidez nas consultas. Para tais mulheres existe também um projeto para amenizar o trauma.

A presidenta do MUNDI, falou ainda sobre a parceria que foi estabelecida entre o movimento e a OAB Divinópolis:

“Este mês dia 25 de julho para ser mais exata, foi o dia da Mulher Negra e Latino Caribenha e como parte das atividades, estive presente na OAB, juntamente com outros membros da diretoria, como a Catarina Vale, e lá nós abordamos a questão Reforma da Previdência que não foi discutida a questão do negro como trabalhador”

“Participamos de uma Audiência Pública na OAB, defendendo os direitos do negro como trabalhador, porque o nosso histórico como trabalhador brasileiro é diferente, então a gente foi discutir isso lá dentro, e foi nos oferecida uma parceria, para poder construir junto com a OAB, uma Comissão para defender os interesses do povo negro”

Grazi questionou alguns dados de violência no Brasil: “Porque 70% dos jovens que morrerem assassinados, são negros? Por que a maior parte das mulheres que morre depois dos partos são as mulheres negras? Por que a maior população carcerária, é formada de negros? Por que os homens negros morrem mais do que os homens brancos? Por que os homens e mulheres brancas, ganham mais do que os negros?”

“Então, a partir do momento que a OAB abriu as portas para a gente trazer essa discussão, aceitamos em ser parceiros dos advogados, alguns que até já trabalhavam com a gente, defendiam nossos interesses”

A presidenta cobrou do município, a inexistência de um Conselho para os negros: “A nossa necessidade principal hoje é a criação de um Conselho. Existe o Conselho de Assistência Social, o Conselho da Mulher, Conselho de tudo que é necessário para defender os direitos humanos. Mas por que não temos um Conselho da Igualdade Racial de Divinópolis? Em um país onde 54% da população é negra. Queremos levar essa discussão para a Prefeitura, para a Câmara”

E finalizou com uma cobrança aos vereadores da Câmara de Divinópolis, “Na verdade a criação do Conselho, já foi negado pela Câmara dos Vereadores. A Catarina tenta fazer isso há muitos anos, que ela corre atrás desse Conselho. E ele foi negado. Essa união é para poder fortalecer e cobrar isso dos nossos representantes no município”

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