Protestos anti-Bolsonaro e cor laranja dão o tom das fantasias no Boi Tolo, no Rio; brasil vai de república das bananas à república das laranjas


Laranja é o novo preto. Pelo menos para parte dos foliões do desfile do Cordão do Boi Tolo, que iniciou na manhã deste domingo (3) sua longa caminhada pelas ruas do Rio de Janeiro – As fantasias fazem referência a Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL). Ele é investigado pelo Ministério Público após o Coaf identificar movimentações atípicas em sua conta –inclusive repasses oriundos de outros funcionários de Flávio na Alerj.

Orlando Correia, 57, todo vestido de laranja, decidiu fantasiar-se de Queiroz neste Carnaval. Carregando “micheques”, em referência ao dinheiro repassado pelo ex-assessor para Michelle Bolsonaro, Orlando diz acreditar que é a cara de Queiroz.

“Me disseram que eu era os córneos do Queiroz, então vou aproveitar”, afirma. “Principalmente quando faço essa cara de babaca”, completa, sorrindo e encurtando o pescoço.

O artista plástico Marcelo Oliveira, 48, e a atriz Fernanda Maia, 40, reproduziram em papelão um caixa eletrônico da Alerj, onde a maior parte das transações de Queiroz foi realizada.

“Carnaval é um ato político, sobretudo. Não tem maior ocupação política do que essa”, afirma Fernanda.

Marcelo diz que o Brasil passou de República das bananas para República das laranjas. “A gente percebeu que o suco de laranja está jorrando nesse Carnaval”, afirma, referindo-se às diversas fantasias sobre o tema.

As fantasias de protesto contra o presidente Jair Bolsonaro vão além de Queiroz. Um jovem carrega um cartaz com um “x” riscado sobre a imagem da ministra Damares Alves. Outro leva os dizeres “Me beija que não sou bolsominion”. Os brincos “ele não” multiplicam-se pelo bloco.

Os memes não ficaram de fora. São várias as “barbies fascistas”, crítica a jovens ricas supostamente alienadas. “O PT acabou com a minha vida”, diz o cartaz de uma dela

 

 

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