O VALE TUDO DE VLADIMIR

Publicado por: suporte

Nunca na história de Divinópolis se mentiu tanto antes de uma eleição. O prefeito Vladimir Azevedo (PSDB), que tenta se reeleger, foi o campeão da língua solta. Não bastasse as lorotas que tentou emplacar durante a campanha, ainda usou todos os recursos disponibilizados pela máquina administrativa para comprar opinião, mascarar pesquisas, influenciar decisões. Um jogo de vale tudo político sem precedentes, na tentativa desesperada de apagar o fiasco que foi o seu governo, ludibriando o cidadão com a mais pura falácia de um candidato sem argumentação sólida.

O desespero de Vladimir pela reeleição é compreensível. Fechar o caixa da prefeitura no fim do atual mandato exigirá mais do que uma boa conta matemática. A malversação dos recursos públicos, com desvios muita acima da previsão orçamentária para pagar contas de publicidade, shows de cabos eleitorais, foguetórios, patrocínios a eventos particulares e um sem fim de atividades auto promocionais, exigirá jogo de cintura da equipe econômica da prefeitura para colocar as contas em dia. E é bem possível que essa conta não seja fechada. Se reeleito, dá-se um jeitinho. Se não, corre-se o risco de ser pego pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Este é um dos muitos motivos que justificam o desespero do prefeito pela reeleição. Porém, mais do que isso, Vladimir precisa continuar no cargo, para acalmar seu padrinho político, o deputado Domingos Sávio (PSDB), que precisa continuar mandando na Prefeitura, em busca do seu sonho megalomaníaco de ser governador do Estado.

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NUNCA SE MENTIU TANTO – Chanceler do Império Alemão, entre os anos de 1871 e 1890, Otto von Bismarck deixou em seu legado não apenas a história de um homem temido, que lutou contra a social democracia e se tornou conhecido como o “Chanceler de Ferro”. Deixou, também, a máxima: “nunca se mente tanto antes de uma eleição, durante uma guerra e depois de uma pescaria”. Vladimir fez valer essa máxima. Mentiu durante toda a campanha, embora, por vezes, tenha sido desmascarado por seus opositores, que não souberam melhor aproveitar politicamente esses deslizes.

Para ilustrar sua campanha, Vladimir usurpou obras do governo federal – como PAC e Minha Casa, Minha Vida. Mentiu. Mostrou em seu programa eleitoral depoimentos de contemplados, como se o programa fosse uma iniciativa da Prefeitura, com recursos dos cofres municipais.

No caso da concessão do esgoto para a Copasa, Vladimir afirmou que não mudou de opinião e que jamais foi contra a Copasa. Garantiu ser contra tão somente o contrato proposto em 2007 pelo então prefeito Demetrius. Mentiu. Não havia contrato em 2007. Havia uma lei autorizativa, que permitia ao Executivo negociar o tratamento do esgoto. Foi dessa lei – 6.589/2007 – que Vladimir (votou contra) se valeu para entregar a concessão do esgoto à Copasa. E fez pior: mudou toda a legislação original, prorrogando o contrato de abastecimento, que venceria em 2033, passando para 2.043; abriu mão dos 4% sobre o faturamento bruto que a Copasa era obrigada a repassar para o município de Divinópolis e ainda liberou a tarifa da taxa do esgoto.

Em dois debates – TV Candidés e TV Alterosa – Vladimir disse que a UPA/Ponte Funda, inaugurada em julho, estava funcionando. Mentiu e ainda confessou a mentira. No seu último programa eleitoral, Vladimir afirmou textualmente: “A UPA, construída na região dos bairros Nações e Ponte Funda, está sendo preparada para funcionar 24 horas”.

Não bastasse as mentiras, Vladimir ainda agiu ditatorialmente, amordaçando servidores e usando a Justiça, que tem sido por demais compreensiva aos seus desejos, para impedir a liberdade de expressão, obrigando o Divinews a retirar matérias e comentários de internautas-leitores. Conseguiu direitos de respostas em programas adversários e, algumas decisões locais, de tão descabidas, acabaram sendo reformadas em instância superior.

Foi um vale tudo sem precedentes. Vladimir jogou pesado em busca da reeleição. Se teve fôlego para ludibriar o eleitor, só a voz das urnas dirá. Voz que, finalmente, será ouvida neste domingo.

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RÁPIDAS

AÉCIO X DILMA – No último debate, pela TV Integração, o prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) derrapou feio ao tentar imitar o senador Aécio Neves. Essa semana, desesperado com a presença de Dilma Rousseff em Belo Horizonte discursando no último comício de Patrus Ananias, Aécio Neves tentou desqualificar o ato e afirmou que a presidente era uma “estrangeira” se metendo na política de Minas. Mineira de Belo Horizonte, a presidente, sem citar nomes, mas numa alusão ao apartamento de Aécio, onde ele mora, no litoral do Rio de Janeiro, disparou: “Saí de Minas para lutar contra a ditadura e não para ir à praia”.

Vladimir tentou fazer o mesmo com o candidato petista Beto Cury, durante o debate da TV Integração, afirmando que ele ficou longe de Divinópolis durante oito anos. Cury não teve a mesma coragem da presidente Dilma, foi mais sutil, e respondeu que esteve fora, sim, mas com orgulho, estava representando Divinópolis no governo federal. E não deixa de ser verdade.

MILTON DONIZETE – A morte do vereador Milton Donizete encerra uma luta de anos contra o câncer. O vereador lutou bravamente contra a doença, mas não resistiu e faleceu na noite desta quinta-feira. Mesmo com a doença em estado avançado, Donizete ainda tentava a reeleição e era candidato pelo PRTB. O último vereador a morrer ocupando o cargo foi José Milton de Oliveira, pai do atual vereador Rodyson.

ORÇAMENTO – O próximo prefeito, ou prefeita, de Divinópolis vai administrar um orçamento superior a meio bilhão de reais. Isso mesmo. É muito dinheiro. O Projeto de Lei 074/2012, que fixa a receita e orça a despesa para 2013 já está tramitando na Câmara Municipal e é de R$ 530.450.000,00.

Por Jotha Lee
Jornalista

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