A análise inicial, que precisa ser feita é que os eleitores votam em primeiro lugar em nomes, e não em siglas partidárias. E ainda que, o contexto local dos municípios se sobrepõe a um cenário mais macro, o nacional, porém diante do massacre midiático que o PT foi submetido, no caso especifico dos petistas isso foi muito considerado em todo país, tanto é que, de 638 prefeitos eleitos em 2012, em 2016 os petistas só conseguiram manter 254, perdendo 384 cidades de uma tacada só, tudo em consequência do envolvimento da legenda partidária na Lava Jatos – Porém, senão, todavia, entre os políticos, quem mais perdeu diretamente foi o senador tucano Aécio Neves, que sequencialmente entrou em sua terceira derrota. A primeira foi quando perdeu a eleição para Dilma Rousseff (PT), e não se conformou até hoje; A segunda na mesma data, quando o seu candidato, o também tucano Pimenta da Veiga, foi derrotado pelo petista Fernando Pimentel. E agora a terceira derrota, de Alexandre Kalil (PHS) derrotando João Leite (PSDB) – O fato é que, com essa derrota, a terceira consecutiva, que as redes sociais propagam que Aécio, pode até pedir música no Fantástico, fragiliza o tucano mineiro diante do tucano paulista, Geraldo Alckmin, que teve influência para eleger um verdadeiro poste na política, João Doria, sem nenhuma experiência anterior, um empresário e jornalista entrevistador de talk-shows. Alckmin sai fortalecido para ser o próximo presidente do PSDB e o candidato a Presidente da República dos tucanos. Aécio perdeu feio, e novamente as redes sociais, fazem chacota com ssua derrota, “Perdeu, playboy”.
Em um artigo/matéria publicado na Folha, Daniela Lima, diz que Aécio Neves (PSDB-MG) fará o único discurso possível diante da terceira derrota consecutiva dentro de sua própria casa, Minas Gerais. Dirá que, como presidente nacional do PSDB, conduziu o partido a uma vitória sem precedentes nas eleições municipais em todas as unidades da federação.
É verdade, mas não muda o fato central para o xadrez partidário do qual ele é protagonista ao lado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). No duelo surdo que os tucanos travam pelo poder na legenda, em 2016, o vitorioso é o paulista.
Alckmin lançou um candidato neófito e conquistou a maior prefeitura do país, São Paulo, no primeiro turno, com João Doria. Aécio escolheu apadrinhar um veterano, o deputado João Leite, numa eleição em que a rejeição à política marcou de forma inegável todo o pleito, seja na vitória dos “outsiders”, seja no número elevadíssimo de abstenções, votos brancos e nulos.
Aliados do mineiro já ensaiavam na véspera um discurso de honra para a vitória de Alexandre Kalil (PHS) sobre Leite. “Se Kalil vencer, não será uma derrota do Aécio, mas de toda a classe política”, disse um deputado federal muito próximo ao tucano. “Kalil não se colocou apenas contra o PSDB, mas contra todos”, concluiu.
O fato é que no momento em que a população sinaliza que prefere ficar ao lado de quem diz não ser político, Alckmin puxou a peça certa para o centro do tabuleiro. Aécio pode começar a analisar sua derrota por aí: no mínimo, escolheu o candidato que vestia o figurino do político tradicional na pior hora possível.
O mineiro, que em 2014 perdeu a eleição presidencial e o governo de Minas, vê agora seu patrimônio político minguar em Belo Horizonte, onde havia vencido há dois anos, conquistando quase duas vezes mais eleitores do que sua então rival, a ex-presidente Dilma Rousseff.






