O delegado explicou que não é simplesmente perguntar ao investigado: “O senhor fez isso?”, claro que ele responderá que não, com o objetivo que a gente saia do pé dele. Não posso dar a resposta do investigado como fato consumado. Vou ter que ir várias vezes ao inquérito e tenho que verificar minuciosamente se a informação que ele deu na oitiva, de sim ou não, procede, e as vezes é uma informação extremamente técnica que dependemos de outros setores da PF. Tenho que voltar a confrontá-lo novamente em outra oitiva.
Ele ( Delegado) citou como exemplo as oitiva do ex-superintendente da Usina de Projetos, Lúcio Espínola, que lhe dava respostas extremamente técnicas de engenharia, e que ele tinha que verificar com muito cuidado. E que Lúcio tentava desqualificar o relatório “muito bem elaborado” da CGU – Controladoria Geral da União. Era preciso recorrer a pericia técnica de engenharia que a PF tem em Belo Horizonte.
O Delegado Benicio Cabral, deu um alento ao também afirmar que os principais crimes cometidos no inquérito 370 não vão prescrever tão cedo, e que mais dia menos dia a justiça será feita. “O ideal seria que a justiça fosse mais rápida”, lamentou o Delegado.
Benicio disse que é a favor da seletividade, não de distinção de pessoas ou até mesmo política, mas da distinção dos crimes praticados. Ele contou que existem muitos crimes ambientais, que até poderiam esperar, em detrimento de outros que no seu entendimento são mais graves, como o desvio de verbas públicas. “Teria que priorizar os crimes de maior potencial e que um número maior de cidadãos tem mais interesse em ver solucionado, para não passar a imagem de impunidade”.
Existe ainda um outro gargalo, que é um inquérito/investigação ficar algum tempo com o Ministério Público, e depois, e eles tem essa prerrogativa constitucional, eles não resolvem e enviam para a Policia Federal investigar.
Em síntese, o delegado Benicio Cabral, afirmou que gostaria de finalizar o 370 com mais celeridade, mas que diante das dificuldades da própria instituição, não conseguirá tão cedo. Pensa que ainda este ano dará um bom impulso, pegando o inquérito por uns três dias consecutivos. Mas, fechar mesmo a investigação, não tem esta expectativa.
Benicio lembrou que foi graça a uma investigação dele, que tanto o prefeito de Divinópolis, Vladimir Azevedo, quanto o vice, Rodrigo Resende foram condenados a pagar multas, em uma transação penal eleitoral (veja matéria)
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