O estudo é quase semelhante ao estigma que se criou no Brasil, que paulista é trabalhador. Carioca é malandro, e mineiro é desconfiado. Na verdade, não é nada disso, não é regra geral e sim exceção. O paulista faz o marketing do trabalho, quando de fato não trabalha nada mais que qualquer bom funcionário de qualquer estado da federação. Quanto ao carioca malandro, que vive na praia, também não procede. Como o Rio é a cidade mais turística do país, nas areias das praias carioca espalham-se todos os dias, pessoas em férias de todos os lugares do Brasil e do mundo. Como para os cariocas, trabalhar que é um vacilo danado, reservado somente para o “Ô MEU” (paulista), ele prefere mais a fama de “bon vivant”. Já quanto aos mineiros, também não é bem assim. Não são todos desconfiados. Senão não haveriam ocorrências policiais de conto do vigário, de saidinha de banco, entre outros golpes de que a mineirada é vítima. Logo, essa história de que um americano vale mais que quatro brasileiros, é pura balela estatística. Como explicar então o sonho da América, quando estrangeiros, inclusive muitos brasileiros fizeram e fazem a vida nos Estados Unidos, e ficaram e ficam ricos em solo americano. Embora no momento o mar americano não está muito pra peixe, e os valadarenses voltaram quase todos para o Brasil
| Um trabalhador americano produz como quatro brasileiros Quatro trabalhadores brasileiros são necessários para atingir a mesma produtividade de um norte-americano. Continua depois da publicidade A distância, que vem se acentuando e está próxima da do nível dos anos 1950, reflete o baixo nível educacional no Brasil, a falta de qualificação da mão de obra, os gargalos na infraestrutura e os poucos investimentos em inovação e tecnologia no país. Fatores apontados por empresários e por quem estuda o assunto como os principais entraves para a produtividade crescer no país –e que também ajudam a explicar o desempenho fraco do PIB brasileiro nos últimos anos. A comparação entre Brasil e EUA considera como indicador a produtividade do trabalho, uma medida de eficiência que significa quanto cada trabalhador contribui para o PIB de seu país. O dado é do Conference Board, organização americana que reúne cerca de 1.200 empresas públicas e privadas de 60 países e pesquisadores. Ele é importante porque mostra a força de fatores como educação e investimento em setores de ponta, que tornam mais eficiente o uso de recursos. A produtividade costuma ser menor nas empresas de trabalho intensivo. O baixo nível educacional no Brasil é destacado pelo pesquisador Fernando Veloso, da FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), como um dos mais graves problemas para uma economia que precisa crescer e aumentar o padrão de vida da população. Continua depois da publicidade “O brasileiro estuda em média sete anos, nem completa o ensino fundamental. Nos EUA, são de 12 a 13 anos, o que inclui uma etapa do ensino superior, sem mencionar a qualidade do ensino.” A média de treinamento (qualificação) que um americano recebe varia de 120 a 140 horas ao ano. No Brasil, são 30 horas por ano, destaca Hugo Braga Tadeu, professor da Fundação Dom Cabral. A produtividade brasileira deve cair neste ano ao menor nível desde 2006 na comparação com a do americano e se aproxima do nível da década de 1950, quando o estudo se iniciou. Em 1980, um brasileiro tinha produtividade equivalente a 40% da de um americano. Hoje, ela está em 24%. “Voltamos ao patamar dos anos 1950, mesmo com os avanços tecnológicos que ocorreram em 65 anos”, afirma José Ricardo Roriz Coelho, diretor do departamento de competitividade da Fiesp. A dificuldade de competir se acentua com a carga tributária maior, o juro alto para empréstimos, os riscos cambiais, os custos trabalhistas e os gargalos que encarecem a produção, diz o empresário. A queda na produtividade é consequência do PIB fraco e de condições desfavoráveis, como maior inflação, que levam o setor produtivo a cancelar ou adiar investimentos. MAIS DISTANTE O isolamento se traduz não só pelo ritmo lento de avanços dentro das fábricas, como processos de inovação, diz o economista, mas também no número baixo de acordos de livre-comércio com outros países (o que dificulta o acesso a bens e serviços, inclusive os de maior tecnologia). Outro indicador desse distanciamento é a participação de estrangeiros no mercado de trabalho. “São professores, pesquisadores, técnicos e cientistas que enfrentam dificuldades burocráticas para exercer suas atividades no país. Com isso, o conhecimento deixa de circular.” Fonte: Folha
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