O que é melhor: ter a marca do mudança ou obter o apoio maciço do establishment político? O presidenciável Aécio Neves, do PSDB, está mostrando que o bom mesmo, do ponto de vista eleitoral, é ter as duas coisas. Com uma semana de segundo turno completada neste domingo 12, o neto de Tancredo Neves mostrou que está repetindo os passos do avô, na caminhada para o Colégio Eleitoral, em 1985.
Neste 2014, Aécio mantém bem aparente a característica de ser a mudança sobre o PT e, simultaneamente, abraçar e ser abraçado pelos representantes do centro, da direita e do que se pode chamar de centro-esquerda nas eleições.
– As mesmas forças que impediram a posse de Tancredo me levarão à Presidência, disse Aécio, logo no início da atual campanha, referindo-se ao PT. Na eleição indireta de 1985, o PT votou pelo boicote do partido do Colégio Eleitoral e se negou a liberar deputados a votarem em Tancredo contra Paulo Maluf. Os parlamentares que se manifestaram a favor foram expulsos da legenda.
Num momento único, na semana passada, os ex-candidatos Pastor Everaldo e Eduardo Jorge mostraram que as diferenças entre o PSC e o PV não são tantas a ponto de impedir a união com Aécio. Antes, o ex-candidato a vice de Marina Silva, Beto Albuquerque, foi o primeiríssimo do PSB a transmitir apoio ao candidato tucano. A cúpula do legenda deixou o presidente Roberto Amaral, pouco depois, resmungando sozinho. E para acabar com todas as tensões, a diva da eleição, Marina Silva, procurou colocar seu nome bem no começo da lista de apoiadores do futuro governo Aécio.
Com a ênfase que usou ao se posicionar em mensagem – “Votarei em Aécio e o apoiarei, votando nesses compromissos, dando um crédito de confiança à sinceridade de propósitos do candidato e seu partido” –, Marina estabeleceu para si mesmo um período de trégua, sem data para acabar, com o atual favorito.
Pesquisa Sensus, após Datafolha e Ibope terem registrado empate técnico, apontou Aécio com 17 pontos percentuais à frente da presidente Dilma Rousseff. Caso vingue a previsão, talvez Marina tenha assegurado seu lugar no próximo Ministério, aquele que Aécio prometeu enxugar em quantidade. Para a ex-presidenciável do PSB, no entanto, já estaria reservado o Itamaraty – o mesmo Ministério das Relações Exteriores que um dirigente do Rede atacou nas manifestações de junho do ano passado.
As alianças em torno de Aécio se aceleraram à medida em que ficaram claras as repercussões negativas, para o PT e a candidatura Dilma, da veiculação maciça da delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ocupando todos os espaços possíveis na mídia tradicional, o caso parece ter sido decisivo para o resultado de Aécio na pesquisa Sensus.
Os próximos levantamentos vão mostrar a dimensão dos estragos na base eleitoral do PT. Até esse chamado ‘fato novo’, a eleição de segundo turno estava bastante equilibrada. O PT apostou numa linha de desconstrução da política econômica professada pelo PSDB, escolhendo o nomeado Armínio Fraga, por Aécio, como futuro ministro da Fazenda, para ser seu Judas. O público, no entanto, parece estar dizendo que tem mais atenção, nesse momento, ao delator Costa.
Abaixo, notícia da Agência Brasil a respeito:
Apoios representam desejo de mudanças, diz Aécio
Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil – O candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB) agradeceu à ex-senadora Marina Silva por decidir apoiá-lo neste segundo turno da eleição. Para o tucano, o apoio da candidata que, no último domingo (5), recebeu mais de 22 milhões de votos, se soma ao de outras forças políticas, fortalecendo sua candidatura como legítima representante “do profundo sentimento de mudança que se alastra pela sociedade brasileira”.
“Minha candidatura não é mais a candidatura de um partido político. Não é a candidatura sequer de uma aliança partidária. É uma candidatura que representa esse profundo sentimento de mudança”, declarou Aécio a jornalistas após participar de uma missa solene em homenagem à padroeira do Brasil, no Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida do Norte (SP). “A partir de agora somos um só corpo, um só projeto em favor do Brasil e em favor dos brasileiros”, acrescentou o candidato.
Aécio revelou que Marina já havia lhe comunicado a decisão no sábado (11) à noite, por telefone, e que o apoio da ex-ministra do governo Lula lhe parece natural, já que as propostas de governo dos dois são “muito próximas”.
“Nosso plano de governo é absolutamente convergente”, disse o candidato, citando o compromisso de valorizar ações sociais por meio da manutenção de programas sociais como o Bolsa Família; o desenvolvimento sustentável e as liberdades coletivas e individuais.
O tucano voltou a defender o fim da reeleição e o mandato político de cinco anos. E afirmou que, se eleito, incluirá entre suas primeiras ações o projeto de simplificar o sistema tributário e o início da discussão para a votação de uma reforma política.
“Defendo há muito tempo o mandato de cinco anos, sem a reeleição. Essa proposta, que consta das diretrizes do nosso programa de governo, permanece. E é convergente com o que propunha [o candidato presidencial do PSB, morto em agosto] Eduardo Campos e com o que propõe hoje Marina Silva”, disse Aécio. Para ele, a simplificação do sistema tributário é “absolutamente urgente”. E colocar em pauta a reforma política “necessário”. “Até para facilitar a discussão de outras questões relevantes”.
“Temos um conjunto de desafios a enfrentar na economia. O principal deles é resgatar a credibilidade perdida do Brasil para que ela nos ajude a recuperar investimentos, a controlar a inflação e a recuperar o crescimento da nossa economia”, acrescentou o candidato. “Vamos reorganizar o Estado brasileiro, substituir esse absurdo e nefasto aparelhamento da máquina pública, que gera ineficiência e desvios sucessivos, pela meritocracia, pela qualificação das pessoas. Vamos fazer com que o Estado volte a apresentar resultados”.
![]() |







