Mal os restos mortais do ex-candidato a presidente da República Eduardo Campos foram encontrados, vítima de um triste, lamentável e inoportuno acidente aéreo, e a sórdida política começa a falar mais alto que o momento da dor. Usando de um oportunismo mórbido. Começam a manipular a opinião pública dizendo que essa ou aquela decisão seria a vontade de Eduardo Campos. E começou, pasmem, pelo próprio irmão de Campos, o advogado Antônio Campos, que também é filiado do PSB, ainda na quinta-feira já dizia que a opção do morto seria em ter Marina Silva como sua sucessora post mortem – E continuou com a mulher de Eduardo, Dona Renata que também nesta sexta-feira(16) defendeu que Marina deve representar a família, na célula eleitoral.
Eduardo Campos, não fugiu, quando em vida, à comparação que o ex-governador de Minas, Magalhães Pinto fez sobre a política e as nuvens, que cada hora está de uma forma. Depende essencialmente dos ventos que sopram. Uma hora está de um formato e em uma posição, daqui a pouco, muda tudo, a posição e o formato, é só soprar uma brisa, nem precisa ser um vento forte.
Campos era estrategista quando devia ser e isto é inerente da política, saber negociar. Ir e voltar, voltar e ir.
Ele foi estrategista ao lançar o seu nome. Fez acordos e desacordos. Elogiou e criticou quando lhe foi convenientemente politicamente. Foi situação e captou recursos federais para seu estado que o catapultou em sua popularidade de 80% e depois virou oposição.
Foi esperto quando Marina não conseguiu montar seu partido Rede, logo a convidou para ser sua vice. E astutamente, diferente da militância emocional do partido (PSB), conseguia manobrá-la em suas vontades. Ele sabia que o símbolo maior do poder Executivo é a caneta, e ele tinha que primeiro tentar pegá-la. Se com Marina estava dificil imagine então sem ela.
O JN através do seu âncora Willian Bonner, um dia antes de sua morte fez as perguntas que tinham que ser feitas sobre sua mudança de situação para oposição. Sobre a nomeação de sua mãe para o Tribunal de Contas que ele interferiu diretamente. Contudo, Dudu, segundo algumas avaliações, que agora podem até ser no calor da emoção, teria se saído bem melhor que o tucano Aécio Neves. E começou, nas poucas horas de vida seguinte, a alimentar a expectativa que poderia se consolidar, como a terceira via desta disputa que até então, estava polarizada entre Dilma e Aécio.
Enfim! A sua morte é uma grande perda para o pais sim, mas não ė mais importante que a de outros brasileiros e de outros povos que morrem aos milhares, pelas mais diversas catástrofes. Violências urbanas, no trânsito e assaltos, guerras e mesmo acidentes aéreos, como foi o caso dos dois aviões da Malásia Airlines, que vitimou dezenas de anônimas pessoas.
Que o Brasil chore e planteie pela morte de Eduardo, mas sem o canonizar, por que ao longo da história não se tem notícia de nenhum santo político e nem tão pouco de político santo.
Que os eleitores escolham o que for melhor para o pais, sem colocar o emocional factual da recente morte de um candidato na frente. Para que no futuro toda uma nação não volte a chorar, desta vez por outro tipo de dor que não seja a morte.
EM TEMPO: Como oportunismo pouco é besteira, está surgindo no partido a idéia de colocar a viúva de Campos, Dona Renata, como vice de Marina Silva.
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