O republicanismo e a democracia devem ser exercidas independente dos fatos. Contudo, hade se questionar que, no momento em que a mais alta corte de justiça do país se comporta da forma que está se comportando, jogando para a galera, midiaticamente, com posicionamentos parciais, jamais visto em nenhum outro julgamento, e os meios de comunicação foram aparelhados e se transformaram em partidos políticos com lado definido. O republicanismo ora existente e praticado ao extremo pode acompanhar a mesma toada.
A Revista Veja que já dedicou as mais mordazes capas para o seu eterno desafeto, o PT e todos os seus membros, quase que sem exceção. Embora existam algumas. Mas, que militam segundo sua vontade e da parceira Globo, que ela deixa quieta, porque lhe convém.
Voltando à capa desta semana, a Veja manipulativamente, como sempre foi ao longo de todos os seus 45 anos dá o seguinte título “EIS O HOMEM”, ele condenou os réus do mensalão, mas agora tem que decidir sobre a tecnicalidade e a impunidade – Não pode lavar as mãos como Pilatos, mas corre o risco de ser crucificado”.
Veja sabe e todos os ministros, assim como a sociedade que, tecnicamente os embargos infringentes é aplicável. Já foram aplicados em outras circunstâncias, em outros julgamentos e a revista reconhece isto quando diz “decidir sobre a tecnicalidade”. Entretanto, o ódio de Veja contra o PT e os réus, em especial Zé Dirceu, é maior que o entendimento da Lei. E ela emocionalmente quer que Celso de Mello esqueça a questão técnica dos embargos e enverede pelos mesmos caminhos dos ministros Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio e Carmen Lúcia, que no último momento, medrou da mídia e foi na onda deles, entendendo que a lei 8.038/1990 revogou a existência dos infringentes.
Veja faz terrorismo jornalístico do pior nível possível: “Não pode lavar as mãos como Pilatos”, como se Celso de Mello votando a favor dos infringentes estará “lavando as mãos” e fazendo como Pilatos. Não é bem assim, o ministro estará tão somente exercendo o seu direito de votar usando a tecnicalidade argumentando que a lei 8.038/1990 não tratou do recurso e por essa razão, o regimento do Supremo é válido para definir a existência dos infringentes. e não sucumbindo diante do voto que Veja quer que seja dado.
A revista em seu título cria uma lambança de interpretação e de entendimento. Celso de Melo ao mesmo tempo em que é Pilatos, teve o poder de decisão e não decidiu sobre a vida de Jesus e lavou as mãos deixando para os judeus decidirem, “não pode lavar as mãos”. O coloca também como quem poderá ser sacrificado, Jesus, que na crença cristã, morreu para salvar a humanidade. E se Celso de Melo for cristão e julgar segundo sua consciência e quiser salvar. Ele não vai se importar em: “corre o risco de ser crucificado”. Por quem? Por uma minoria da velha elite que ainda lê Veja? Pois o povão não lê, nem na região Sul e Sudeste e muito menos na Norte e Nordeste.
A Veja em seu artigo de capa pode dizer para um ministro o que ele deve ou não fazer? A revista já não é a mesma há muitos tempos, adolescentes, jovens e adultos jovens não a lêem e o número de assinantes despenca vertiginosamente. Somente os mais velhos, acima dos 40, 45 anos e determinados setores do governo e alguns anunciantes que ainda estão na cultura tradicional dão excessiva importância aos seus tendenciosos artigos. É sim artigo e não matéria jornalística. Isto é simplesmente uma opinião, que qualquer cidadão pode e deve ter.
Voltando mais uma vez ao título. Dá-se a impressão que estava tudo ensaiado. Tanto os longos discursos dos ministros Gilmar Mendes quanto o de Marco Aurélio e o intempestivo encerramento das sessões de quarta e quinta-feira pelo presidente Joaquim Barbosa para que: “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma CAPA DE VEJA no meio do Caminho”.






