O Papa deu uma entrevista exclusiva a um repórter da GloboNews. Nada mais natural.
Jamais, em Cracóvia, Guadajalara ou Adis-Abeba, o Papa receberá uma cobertura tão extensa e opressiva de uma emissora comercial, que explora, sob concessão e provisoriamente, um bem público, o espectro eletromagnético. Muito natural, portanto.
Porém, o Papa deixou muito claro o que a Globo em seus noticiários omitiu.
É preciso ouvir os jovens, disse ele.
Mas, é importante, que não se deixem manipular, que não sejam manipulados.
Assim como se explora o trabalho escravo – continuou – tem gente que manipula a ilusão, o inconformismo dos jovens.
O que foi, exatamente, o que a Globo fez com as manifestações recentes – capturou-as.
Da mesma forma que, agora, a Globo capturou o Papa e o impôs a todos os espectadores de uma tevê aberta, aberta a todos, católicos e não-católicos.
Em tempo: sobre o “engarrafamento” na chegada do Papa que a GloboNews, logo na saída do aeroporto, tratou de transformar num motivo para condenar a Dilma e seu Governo. O próprio Papa na entrevista, se disse um indisciplinado, que não obedece a segurança e quis, desde a escolha do tipo do papamóvel, aproximar-se o povo.
Foram ele e seu motorista os responsáveis pelo engarrafamento. O que o zé Cardozo não teve coragem de dizer, desde o primeiro momento, quando a Globo pendurava a Dilma no poste.
Em tempo2: tratar o Papa de “Santo Padre” é uma impropriedade em que incorreram os devotos repórteres da Globo, como o que entrevistou o Papa. “Santo Padre” é uma forma que os católicos podem usar para se referir ao Papa Francisco I. Outros espectadores, não-católicos, não precisam ser submetidos a esse forma de intromissão.
Em tempo3: nesta segunda-feira pós-papalina, o Mau Dia Brasil censurou o Papa. Bem na hora em que ele ia criticar a Globo por manipular os jovens, a tesoura funcionou e a frase foi cortada abruptamente e ficou sem sentido. Ah, esse Gilberto Freire com “i”… Nem o Papa se salva!
Paulo Henrique Amorim






