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A reunião entre os manifestantes estava marcada inicialmente para as 12h e deveria ter a presença do Prefeito. Contudo, a desculpa que o “chefe” do Executivo deu para o promotor de Justiça Sérgio Gildin é que ele não gostaria de misturar os assuntos do Legislativo com os do Executivo. (PIADA DE MAL GOSTO, É O QUE ELE MAIS FAZ).
Os vereadores ao chegarem ao prédio da Câmara e ao entrarem no plenário foram solenemente vaiados pelos presentes. Muito desconfiados e ao mesmo tempo sorrateiros se posicionaram em suas respectivas cadeiras, e já tinham em mente que queria a qualquer custo a desocupação da Câmara, fato revelado por um deles, com exclusividade para o Divinews. E um dos mais exaltados e contra o manifestante segundo esta fonte era o vereador Nilmar Eustáquio, que “colocava pilha” nos demais.
Logo no inicio da reunião o presidente em exercício da Câmara, Marquinhos Clementino confessou que enviou um oficio para o Executivo sobre os itens que foram pautados pelo movimento e não recebeu qualquer resposta.
O promotor Sérgio Gildin explicou que a demora dos vereadores no plenarinho era porque ele (promotor) estava posicionando os nobres edis do que tinha ocorrido na última sexta-feira, quando o MP evitou que a Justiça expulsasse os manifestantes da Câmara, solicitando ao juiz mais 72 horas, que expirou nesta segunda-feira (08). É incrível que os vereadores ainda não soubessem.
Poucos foram os vereadores que tiveram coragem de falar, somente Marcos Vinicius (PSC), Anderson Saleme (PR), Adair Otaviano (PMDB) e Rodrigo Kaboja (PSL). Os demais entraram mudos e saíram calados.
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O vereador evangélico da Igreja Quadrangular, que é da base do governo Vladimir Azevedo e sempre vota de acordo com os interesses do “chefe” do Executivo. Desde o inicio da legislatura não teve um único projeto sequer que o vereador evangélico não tivesse votado ao lado do povo e contra o governo. Edmar, foi solenemente vaiado ao defender com veemência que os manifestantes desocupassem a Câmara, dizendo que eles (vereadores) não poderiam decidir por 230 mil habitantes que não tinham legitimidade para tal e que deveria ter um plebiscito. Foi imediatamente rechaçado quando alguns o questionaram se ele não teria sido eleito para representar o povo.
O grupo nomeou Catarina do Valle e Leo Santos como seus representantes. E Catarina com sua experiência sindical conduziu os debates. Falaram o sargento Teodoro, Arthur Dentista, Ivanete do Sintram, Davis, Iris Moreira, André Martins, Jonathan , Beto da Adefon, Gabriel Tavares e Toró do Sintram.
Teodoro deu ênfase a questão do esgoto, dizendo que está na luta há muito tempo e contou que já foi prejudicado pela atual administração do prefeito Vladimir Azevedo. Falou da questão do TAC que o MP está propondo fazer com o Legislativo e disse querer acreditar que o Legislativo o cumpra.
Arthur falou que o movimento começou há cerca de quatro meses e neste tempo eles (Compromisso com Divinópolis) conseguiram colher mais de 12 mil assinaturas para o impeachment de Vladimir. “Vocês não invadiram, vocês ocupara um espaço vazio” afirmou Arthur, que finalizou também externando a preocupação que o TAC não seja cumprido. Ameaçou voltar a ocupar a Câmara novamente, se ele não for cumprido.
Ivanete do Sintram disse que gostaria que todos os vereadores assumissem cumprir o TAC. “Pois eu já ouvi esta casa dizer que o MP não manda aqui e sim os homens da capa preta”. Criticou também o trabalho legislativo dos vereadores dando o dado de que das 901 propositoras até agora, 74% são de indicações e apenas 8% são leis.
Davis, um dos manifestantes proposta que a Câmara para viabilizar o horário noturno corte na própria carne, por exemplo, diminuindo os salários dos vereadores. E propôs várias CPI´s. Do transporte público, da UPA e da COPASA.
A presidenta do PV afirmou que foi realizada uma Audiência Pública do Transporte Público na FIEMG, sem a participação do povo e apenas dos servidores de cargo de confiança. Falou também do projeto 061 em que os vereadores autorizaram o prefeito a passar o tratamento do esgoto para a COPASA.
André Martins, falou sobre as transmissões da TV Câmara através do canal 25 que já está disponível. E não mais através da TV Candidés. E lançou a proposta que a reunião ordinária começasse às 18 horas e não as 19 horas, e poderia até mesmo começar as 16 horas. E sugeriu que a Câmara fizesse uma campanha publicitária no sentido de chamar a população a acompanhar as reuniões.
Jonatha criticou o presidente da Casa que quer trocar os tacos da Câmara gastando R$ 170 mil reais e não tem dinheiro para mudar o horário. Além de achar estranho que o horário dos servidores seja apenas de meio período quando a imensa maioria do povo brasileiro acorda cedo para trabalhar e a Câmara abra ao meio dia. Finalizou dizendo: “Vocês não aprova o aumento de gastos para a mudança de horário, mas aprova o aumento do salário de vocês”.
Beto da Adefon, que é cego, talvez nem saiba, mas foi protagonista de uma cena inusitada. Leo mostrou para ele uma placa avisando que faltava um minuto para o término de sua fala. Todos riram. Mas, Beto disse que, toda vez em época de campanha falam que vão mudar o horário e depois ele continua o mesmo. Disse que o povo quer participar e não ver novela. E fez uma contabilidade, afirmando que tem 5 anos que os funcionários estão devendo diariamente 2 horas de trabalho para o povo, pois o horário foi reduzido e o salário continuou o mesmo.
Gabriel Tavares foi outro que lembrou o quanto a Câmara criticou o Ministério Público nas recomendações que foram enviadas para a Casa Legislativa e agora quem resolve a crise é o próprio MP.
Outro inscrito, foi o ex-secretário de Meio Ambiente do ex-prefeito Demetrius Arantes, Humberto Pozzolline que lamentou que os vereadores tivessem deixado de fazer políticas públicas para fazer política partidária, esquecendo da vontade do povo. E deu como proposta para que o Projeto a ser criado para a mudança de horário fosse votado com urgência e que os demais itens da agenda de reivindicações também fossem atendidos, que a pauta de votação dos Projetos a Câmara, regimentalmente, fosse trancada.
Jean, do movimento “ocupa”, afirmou que só sairia da Câmara depois que o decreto que autoriza a mudança do horário das sessões ordinárias fosse mudado para as 19 horas. E solicitou Audiência Pública para os quatro itens da pauta de reivindicações.
Um impasse surgiu quando Iris Moreira afirmou que já existia na Câmara um estudo sobre o impacto financeiro da mudança de horário, que foi realizado quando o vereador Anderson Saleme era o presidente da Casa, no ano de 2012. Anderson confirmou que havia solicitado o estudo, contudo, não lembrava se o seu pedido teria sido atendido ou não.
Eis que de repente a secretária Geral, Vanicia Rocha, chega no ouvido do promotor e avisa que tal estudo não existe. Pelo menos nos seus arquivos ele não está.
E Anderson, já vencido no assunto, retrocede na sua quase certeza da existência do tal estudo financeiro e fica como se não existisse. Entretanto Iris volta ao assunto e reafirma com convicção a existência da tal planilha financeira.
Propostas e acordo
Os manifestantes queriam que a Câmara retirasse a Ação de desocupação do local. E os vereadores não aceitavam. O interessante é que os Edis que até então não deram prova alguma de fidelidade com a população, haja vistas as votações que fizeram contra a vontade popular, queriam que eles (manifestantes) acreditasse neles (vereadores), em suas palavras. Seria até comigo, não fosse trágica a falta de confiança que eles não estão inspirando no povo.
O promotor Gildin teve uma paciência de Jó para conciliar os interesses dos dois lados. Mas o fato é que a Câmara ganhou neste primeiro momento. Isto porque simbolicamente vão ficar apenas algumas barracas montadas no local, sem que sejam ocupadas por nenhum dos manifestantes que poderão, apenas cinco, ficarem no recinto, mas sem a ocupação das barracas. Essa situação permanecerá até que o presidente da Câmara retorne de suas férias da Argentina e possa assinar o TAC – Termo de Ajustamento de Conduta em que se comprometerá que em agosto será apresentado um Projeto de Lei que alterará o horário das sessões ordinárias para as 19 horas.
O grupo, através do professor Léo Santos, ameaçou que se as promessas não forem cumpridas eles voltam a ocupar novamente as dependências da Cãmara.
Divisão
Gostem ou não, queiram ou não, o fato é que o movimento foi desarticulado e dividido. Tanto é que, um grupo foi para a reunião com o prefeito no Teatro Gravatá e outro foi tentar ocupar a Prefeitura. E o grupo que estava no Gravatá não sabia da ação do grupo de invasão da Prefeitura. Foram avisados lá no local por membros do governo. “Na base do cochicho”.
O grupo que não foi para o Teatro Gravatá e que posteriormente fez as paralisações do trânsito na Avenida Primeiro de Junho, por cerca de duas horas, não sabia o que foi resolvido na reunião com o prefeito e o grupo que estava com no Teatro Gravatá, ao término da reunião não foi para a Avenida reforçar na interrupção do trânsito.
Futuras Ações
Segundo informações de um dos membros da interrupção do trânsito na Avenida Primeiro de Junho, nesta terça-feira (09), haverá uma reunião as 12 horas na porta da Câmara.
E segundo um fonte, as ações ainda não estão confirmadas, o grupo estuda a possibilidade de continuar o processo de ocupações. E um dos locais que eles estariam mirando seriam o Fórum e a Justiça Eleitoral.
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