O “bombardeio” da mídia contra o governo da presidente Dilma Rousseff pode ser comparado a uma antiga tática militar, conhecida como “bombardeio de saturação”, avalia o Blog da Cidadania, do jornalista Eduardo Guimarães, em post nesta quinta-feira 30. Segundo ele, a tática consiste em um “bombardeio intenso, rápido e concentrado, disparado de várias origens”. A estratégia, continua ele, tem como mote frequente a corrupção, e tenta mostrar para a sociedade que o Brasil está indo mal.
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Como se vê, até a China está crescendo muito menos. A potência que mais cresce no mundo, cujo ritmo de evolução do PIB sempre andou por volta dos 12% ao ano, vem tendo crescimento que é quase a metade de sua média histórica. Enquanto isso, o Brasil já cresce mais do que tigres asiáticos como a Coréia do Sul.
Todavia, no mesmo dia em que o vice-presidente dos Estados Unidos demonstra quão formidável vem sendo o desempenho econômico do país, telejornais, jornais, revistas, grandes portais de internet, hordas de colunistas, editoriais e até cartas de leitores entoam um monocórdico discurso sobre nossas misérias imaginárias.
Não há quase espaço para outro tom na grande mídia. A tática militar de bombardeio de saturação depende da ausência de divergência da tese “oficial” sobre a decadência do país.
Esse processo já foi visto outras vezes, inclusive com foco na economia. Entre 2008 e 2009, quando eclodiu a crise econômica internacional, na mídia era dado como certo que o Brasil quebraria e que mergulharíamos em uma profunda crise econômica, com desemprego, recessão etc.
A grande diferença é a de que, à época, o então presidente Lula fazia um forte contraponto ao noticiário e, devido ao palanque natural e obrigatório que cargo de presidente concede ao seu detentor nos meios de comunicação, não havia como deixar de reproduzir sua contra-argumentação.
Lula foi à tevê e exortou os brasileiros a não acreditarem no noticiário. Assim, apesar de a mídia acusá-lo de “mistificador” de uma situação que seria “catastrófica”, ao ter que reproduzir o que dizia os brasileiros tiveram acesso a outra versão dos fatos.
Agora, porém, vivemos uma situação preocupante. O mutismo da presidente Dilma Rousseff a está enfraquecendo politicamente e isso está se refletindo através dos problemas crescentes que o seu governo está enfrentando com a base aliada no Congresso.
A ausência de contraponto, de reação ao bombardeio de saturação em curso, de mutismo que se baseia na tese de que o que o brasileiro sente no bolso e no cotidiano destoa do noticiário, é uma aposta perigosa. Assim, a base aliada está sendo motivada a pular fora do barco.
Matéria Brasil 247






