Os vereadores novatos, todos estavam com cara de assustados e tal como cordeirinhos do Executivo, votaram derrubando emendas que dava um pouco de moralidade e transparência o projeto. Todas as emendas neste sentido do ex-vereador Edson Sousa (PSB) foram derrubadas.
Em síntese, Vladimir Azevedo e o Presidente da Câmara tratorou a população e a oposição. O vereador Adair Otaviano (PMDB) chegou a abandonar o “plenário” em protesto por não ter sido ouvido quando ele ia pedir sobrestamento do projeto.
Os vereadores calouros, apaticamente, tal qual “meninos” estavam assustados, mas cumpriram o roteiro predeterminado pelo executivo direitinho, que tinha nos bastidores, segundo confissão de um dos vereadores, como comandante mor, atrás das cortinas do Teatro Gravatá, o chefe de governo, o mentor intelectual das manobras políticas, Antônio Faraco.
Como já esperado, o script não mudou nada. Votaram favoráveis à venda dos imóveis os seguintes vereadores: Adilson Quadros (PSDB), Eduardo Print Junior (PDT), Edimar Felix (PHS), Kaboja (PSL), Marcos Vinicius (PSC), Dr. Delano (PRTB), Piriquito Beleza (PSD), Careca da Água Mineral (PP), Nilmar Eustaquio (PP), Marquinhos Clementino (PSL), Edimar Máximo (PHS) e Edmar Rodrigues (PSD).
A grande surpresa mais já sinalizava neste sentido, foi a votação contrária do vereador Anderson Saleme (PR), o mesmo partido do deputado federal Jaime Martins Filho (PR), que ao que parece, até então, é aliado de Vladimir Azevedo e fez um acordo político com o PSDB. Subiu em seu palanque durante a campanha eleitoral nas eleições pedindo voto para o prefeito . O voto de Anderson é um voto rebelde de independência ou um voto consentido partidariamente. Mas, goste ou não o governo, o ex-presidente da Câmara foi aplaudido e ovacionado por seu voto contrário. Saleme caiu nas graças da população com seu voto sua postura e seu discurso (veja matéria à parte)
O petista Edmilson, que na campanha de 2004 era conhecido por “Edmilson do Niteroi”, mas agora quer ser de toda cidade, foi um voto contrário já esperado. Segundo o vereador, o projeto político do PSDB não coaduna com o do PT, e ao que tudo indica a votação do vereador será sempre em sentido inverso ao do governo de Vladimir.
Outros votos contrários, também já esperados, foram dos vereadores Adair Otaviano e Hilton de Aguiar, ambos do PMDB de Galileu Machado. Adair Otaviano votou contra, convicto por ideologia partidária já o outro nem tanto. Tanto é que votou com o governo derrubando todas as emendas moralizadoras que o ex-vereador Edson Sousa (PSB) fez para o controle dos recursos financeiros oriundos da venda dos imóveis, se aprovado fosse. Como acabou sendo. Hilton tem uma relação mais que amistosa com o governo tucano e principalmente com o chefe de governo Faraco e com agora presidente da Câmara, Rodyson do Zé Milton. Mas, segundo informações o partido observa seus passos atentamente.
Logo no inicio dos trabalhos do Legislativo a jornalista Maria Candida, finalmente conseguiu usar a tribuna e para desespero dos vereadores governistas falou exatamente contra a aprovação do projeto 081/2012. (Isto é assunto para uma matéria separada). Ao final ironicamente avisou para todos que o ex-prefeito Demetrius Arantes tinha mandado um abraço para todos. Ela que antes de começar a sessão plenária estava ao telefone com o “dez” (É assim que muitos o chamam)
O que se viu foi uma Mesa Diretora atordoada, atrapalhada e com medo controlado. O presidente, Rodyson do Zé Milton (PSDB), bastante nervoso, mas tentando aparentar calma, e ter domínio da situação, por duas ocasiões “ameaçou” solicitar a retirada do “plenário” de algumas pessoas que se manifestavam com palavras de descontentamento (comportamento próprio da democracia). A primeira interrupção do presidente foi quando o vereador Edmar Rodrigues (PSD), líder do governo, o que diz não se importar com aplausos e nem com vaias. Foi vaiado quando se posicionou favorável a aprovação do projeto.
Não dá para não ser crítico, quando se vê um 1º secretário com tanta deficiência de exercer uma função tão importante, e que o pré-requisito mais importante, em tese, deveria ser a fluência na leitura. O vereador Edimar Máximo (PHS) exerceu mais o papel de auxiliar, lendo o que a diretora do Legislativo lhe indicava. Pois a toda hora se perdia. Ela não podia sair de perto dele. Isto sem contar alguns crassos na pronuncia de algumas palavras. Em alguns momentos, tanto os vereadores quanto o público não entendia direito o que ele estava lendo.
Dos 17 vereadores poucos se arriscaram a usar a tribuna e fazer seus pronunciamentos. Mas, alguns se arriscaram. O Careca da Àgua Mineral foi o primeiro inscrito. “Criticou” a falta de comunicação do governo com a população ao não anunciar o aumento da passagem do transporte coletivo, pegando os usuários de surpresa. Mas não disse um palavra sequer sobre o objetivo maior da reunião que era a votação do 081.
O segundo a usar a tribuna foi o vereador do PMDB, Adair Otaviano. Que não fez rodeio e foi direto no 081. Dizendo: “Nós não sabemos do destino que vai ser dado ao dinheiro, achamos que é preciso discutir melhor o assunto – Quero dizer que eu concordo com o povo. Este projeto não deve ser votado e aprovado”. Criticou o fato do governo, por ter adquirido alguns imóveis achar que tem o direito em vender outros, ou seja, os 243. Adair fez questão de deixar claro que não é contra o prefeito e que estivesse agindo de forma radical para que ele não fechasse as suas contas, “que aliás ele já deveria ter fechado”, afirmou. Otaviano finalizou dizendo que estava seguindo a vontade manifestada pelo povo.
Finalizando o vereador criticou o projeto ser votado em regime de urgência e disse ter certeza que a Comissão nomeada não teve tempo de ver todos os imóveis. “Nós devemos fazer a vontade do povo é para isto que estamos aqui, nesta Casa de Leis” afirmou Adair.
O terceiro vereador, com sua característica peculiar de fala mansa, mas líder e firme em fazer o que o Executivo quer que seja feito, o do “não tô nem aí. Não ligo para aplausos e nem para vaia”, foi Edmar Rodrigues (PSD). No inicio Edmar até foi bem. Falou sobre o seu projeto do rotativo, criticou o velório municipal, cobrou que o executivo faça alguns asfaltamentos. A “coisa” desandou para o seu lado, quando ele de corpo aberto, como líder que é do governo, defendeu o projeto 081. Foi sonoramente vaiado. Sendo necessário que o presidente Rodyson fosse em seu auxilio e ameaçasse a “platéia”. Edmar se perdeu e não conseguiu terminar sua fala.
Outro governista corajoso que usou a tribuna foi Rodrigo Kaboja (PSL) que sacou um escrito do bolso leu do inicio ao fim. Sem nenhuma vaia. A não ser algumas palavrinhas jocosas que vinha da “turma” lá de trás. Nos seus alfarrábios estava a crise que a Europa está passando e o efeito cascata que a crise mundial provoca e o Brasil também sente. Criticou a presidenta Dilma, que segundo ele dá com uma mão e tira com a outra. Como exemplo de tirar com a outra falou da queda do FPM (Fundo de Participação dos Municipios) e a redução do IPI. Finalizando, Kabojinha, como é conhecido por alguns, disse uma bonita frase de efeito: “Coube ao prefeito o papel de imolar-se diante da opinião pública – O presente clama por soluções urgente”. Entretanto, diretamente o vereador não falou diretamente sobre a venda dos 243 imóveis. Por isso não foi vaiado. Naquele momento saiu ileso.
Marcos Vinicius com o seu domínio de oratória adquirida como pastor da Igreja Quadrangular que o elegeu novamente como vereador. Também “espertamente” não tocou no assunto do projeto 081. Preferiu falar da sua atuação parlamentar que será direcionado ao dependente químico e seus familiares. Só foi vaiado depois, na hora das votações de emendas e o projeto da vendas dos imóveis.
A surpresa da noite, que a oposição teve como uma grata e boa surpresa, foi a atuação do vereador e ex-presidente da Câmara, Anderson Saleme, que ao abrir seu pronunciamento na Copasa reafirmando o seu posicionamento com relação ao tratamento do esgoto. Logo mudou para a critica no aumento da tarifa do transporte coletivo. O vereador contabilizou que de 2008 para 2012 sua votação aumentou em cerca de 700 eleitores. E que estava ali para servir o povo.
“Que a Mesa Diretora seja austera aja com firmeza, mas também com muita ternura, que evitemos confusões, brigas – Que 2013 seja um ano de muita escuta, que a gente erre menos”, disse Anderson. Séria um recado?
O vereador que tem em seu partido, PR, um aliado do governo federal. Elogiou o programa “Pequena Safra” implantado recentemente pela Presidenta Dilma Rousseff. Finalizou dando um aviso “É preciso zelarmos pelo patrimônio público municipal”
Após o pronunciamento do vereador Anderson, o agora Presidente do Legislativo, Rodyson do Zé Milton, exatamente as 15h35min solicitou que a sessão ordinária fosse suspensa para que eles combinassem a votação nos bastidores do teatro, que serviu como plenarinho.
VOTAÇÃO
A votação do projeto da envergadura e importância do 081/2012, foi extremamente confusa. Por vários aspectos. Local improvisado, sem painel, áudio e vídeo. Os vereadores assim como o publico e a imprensa, todos ficaram perdidos em determinados momentos sem saber o que estava sendo votado.
Inicialmente após alguns questionamentos dos vereadores Adair Otaviano e Anderson Saleme, foi votado a inclusão do projeto 081/2012 na ordem do dia. Todos os vereadores governistas aprovaram. Menos a oposição que se delineia através de Anderson, Adair e Edmilson.
Após derrubar todas as emendas do ex-vereador Edson Sousa (PSB) que foram consideradas aptas constitucionalmente para ir a votação foram todas derrubadas pelos 13 vereadores da situação. Uma das emendas dizia que os bens não poderiam ser adquiridos por servidores públicos. Estranho derrubar uma emenda deste tipo. Será que existe algum servidor querendo comprar algum imóvel do município?
Quando o polêmico e odiado projeto 081/2012 foi colocado em votação, aí foi visto o trote que o prefeito Vladimir Azevedo aplicou nos vereadores calouros e até mesmo nos que se dizem “macaco velho”. Todos muitos constrangidos, pelo menos na aparência ganharam uma grande carimbada como “VEREADORES VENDEDORES DE DIVINÓPOLIS” que vai persegui-los até o final do mandato em 2016. Isto se eles não forem apeados do mandato antes. Pois segundo o vereador Anderson Saleme, o próprio departamento jurídico da Câmara estava inseguro quanto a constitucionalidade da votação. E, se eles forem considerados pela Justiça que cometeram improbidade todos poderão perder o mandato e assumir os suplentes.
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