Fabíola – O prefeito de Divinópolis chegou ontem de Brasília, foi cobrar repasse de verba. Ele está aqui com conosco para falar sobre essa crise financeira dos municípios. E sobre as medidas adotadas em Divinópolis para reduzir gastos – E aí o que ficou definido ontem nesta reunião?
Continua depois da publicidade
Vladimir – Ontem tínhamos lá mais de 2000 prefeitos de todo Brasil de todas as regiões, cidades pequenas, cidades médias, cidades grandes, de todos os partidos políticos, mostrando que é um problema dos municípios brasileiros. E lá nós tínhamos uma pauta, tivemos uma reunião com a ministra Ideli Salvati, depois com o presidente da Câmara, presidente do Senado, em que nós….estamos aí exigindo um direito que é nosso que é a restituição do IPI no FPM deduzido pelo governo federal… as montadoras de automóveis e a outros segmentos da indústria, que trouxe uma perda para os municípios brasileiros na ordem de R$ 2 bilhões de reais, em Divinópolis, soma mais de R$ 3 milhões está queda, somada com a redução da atividade econômica entre outras, mais de R$ 5 milhões.
Segundo o site da Confederação Nacional dos Municípios (veja matéria no Divinews), o número de prefeitos não chegou sequer a 1.000, o site referencia com centenas de prefeitos.
Na entrevista concedida à TV Alterosa (veja matéria) o prefeito falou outros números da queda do FPM, falou algo em torno de R$ 5 milhões, e depois falou em 14 milhões. Enfim ele se perdeu nos números, comparando as duas entrevistas.
Fabíola – As prefeituras estão com dificuldades para fechar essas contas?
Vladimir – Muitas dificuldades e não por que gastaram ou fizeram má gestão, devido ter tirado uma receita que você planeja e conta com ela…por uma medida…Além da crise que reduziu a atividade economia e tem uma queda natural. Nós nesse mandato tivemos duas, uma em 2009 e essa em 2012. E além da crise nós temos essa medida anti-crise que agravou a situação das finanças municipais que está atingindo até os estados.
Fabíola – Por isso então de algumas medidas adotadas para redução de gastos e custos?
Vladimir – É. Isto está sendo feito em todas as cidades. Cidades em situação muito piores. Aqui nós garantimos os serviços básicos Onde deu problema nós estamos fazendo os ajustes que tem que fazer. Mas tem cidades, por exemplo, cortando vale alimentação dos servidores, tem cidades, cortando, é…equipes de PSF, tem cidades suspendendo coletas de lixo. Então…exatamente afetando os serviços básicos que eu não deixei acontecer em Divinópolis e não vou deixar.
Continua depois da publicidade
Se não fosse a manifestação dos servidores públicos municipais contra o caos que estava se estabelecendo na saúde e na educação. Estaria muito pior. Mas mesmo assim existem crianças de várias entidades que estão sendo dispensadas (veja noticia no Divinews). Não está assim tão maravilhoso como o prefeito/estadista tenta passar a imagem de uma gestão impar.
O decreto está criando muitos problemas e poderá criar mais, se não for cancelado. Esta é a opinião colhida pelo Divinews no meio dos servidores e dos usuários do serviço público.
Fabíola – Os pontos facultativos causou uma polemica aqui na cidade né?
Vladimir – É. Esse problema das medidas que trouxe um desajuste, por que nós seguimos uma regra geral de manter o serviços de saúde dentro do ponto facultativo. Igual….sempre aconteceu culturalmente. Mas nós vimos que nesses pontos facultativos acumulados, isso gerou um problema maior, então diante disto EU JÁ TOMEI A DECISÃO, a saúde está excetuada, estará fora dos pontos facultativos, já a partir da próxima sexta-feira (amanhã 16/11), todo serviço de saúde, desde as unidades básicas ao Crevisa, as unidades de PSF, agentes de saúde, todos funcionam normalmente.
O prefeito tomou a decisão de retroceder baseado em pressão
Fabíola – Isto depois de uma reivindicação da população nas unidades de saúde, né Vladimir. E ontem (terça-feira 13/11) os servidores reivindicaram na porta da Prefeitura. O que você tem a dizer sobre isto?
Se a apresentadora não lembrasse para o prefeito que sua decisão de retroceder estava baseada na pressão popular e dos servidores, ele teria esquecido. E passaria “batido” como se ele sozinho tivesse reconhecido o erro e tivesse voltado atrás.
Vladimir – A gente sempre aprende com a população e a gente tem que estar atento pra isto para minimizar esses ajustes de época de crise que é dos municípios brasileiros. Quanto a manifestação acho legitima e espero que ela seja, nesse cenário dos municípios brasileiros pra nos ajudar a fazer esse coro, por que não existe servidor forte com município fraco, não é! Então o problema não é nosso. Não existe o barco do prefeito, o barco dos servidores, o barco do sindicato né!
O prefeito ia continuar com o seu discurso, quando foi interrompido pela apresentadora, que perguntou o que o público quer saber
Fabíola – E com relação às escolas municipais?
Vladimir – As escolas já não foram afetadas desde o inicio, por que o calendário escolar é um calendário feito a parte. Então, desde o inicio…Você vê que não teve nenhuma reclamação neste sentido porque as escolas já foram excetuada deste a primeira medida. Já era assim porque o calendário escolar é a parte.
Fabíola – Mas aí quanto a reclamação de ontem dos servidores, o que ficou decidido?
Vladimir – Na verdade nós mostramos a situação que não é em Divinópolis. Não é de um partido ou outro e que a gente não pode trazer isto como uma questão político partidária, de um derrotado da eleição querendo fazer um aproveitamento, um oportunismo. É uma hora de somar todo mundo para defender o fortalecimento dos municípios brasileiros, que aí fica…né…a gente tem condições de ter um município forte, de atender bem o cidadão, de atender bem e melhorar as condições de trabalho a remuneração dos servidores. É uma luta de todos nós. Como nós vimos ontem com o apoio de vários senadores, de todos os partidos. Inclusive o líder do governo, o senador Humberto Costa esteve presente, o presidente do PMDB. Todos os partidos estiveram conosco nesta luta. Entendendo que é uma luta da Federação Brasileira. Que a gente tem que aproveitar esta crise até para voltar nos pontos chaves da discussão de repactuação aí dos impostos federais que hoje os municípios ficam só com 10% e a união com 70% e dessa maneira nós aproveitarmos isso pra levantar essa bandeira…Tem a questão dos royalties que nós estamos também pedindo para a Presidenta sancionar a Lei.
Não resta outra análise, a não ser esdrúxula. Viaja na maionese não?
Fabíola depois de ouvir atentamente a “viagem” do prefeito perguntou: Foi discutido isto ontem?
Vladimir – Foi discutido, ainda não há uma sinalização definitiva, mas estamos com a expectativa positiva que a presidente vem a sancionar que é uma riqueza nacional. Pra Divinópolis para você ter uma idéia, e todos os cidadãos que nos assiste, vai significar R$ 3,7 (Três milhões e setecentos mil reais) a mais no caixa do ano que vem. De uma riqueza nova nacional que vai melhorar a vida de todos. Na infraestrutura, na saúde na educação. A exigência de o governo federal cumprir a emenda 29 com 10% na saúde que vai ajudar a todos nós, ele (governo federal) coloca só 7% hoje do orçamento, nós colocamos 24% e ele tem 70% do bolo. A gente tem que retomar esta pauta municipalista, e é o que nós estamos fazendo. As lideranças municipais, os prefeitos todos do Brasil, indiferente de partido, de tamanho de cidade, de região do pais. Tem prefeitura no nordeste suspendendo ponto facultativo a semana inteira. Então é uma situação realmente atípica e que nós não queremos que volte.
Esqueceu de falar quanto o governo estadual coloca na saúde. Falou só do federal. O Estado de Minas também não coloca o que deveria colocar.
Fabíola – Pra gente encerrar. O déficit a gente sabe que é grande. Você vai conseguir fechas as contas?
Vladimir – Vamos fechar, se Deus quiser, com todas essas medidas e mais do que fechar, com essas medidas garante….A medida também é bom pro servidor.
Fabíola – Pagando ainda o 13º
Vladimir – Queremos pagar a folha de novembro em dia, o 13º em dia. E com isso injetar na economia, que além do efeito para o servidor é o efeito para a cidade, pra economia nesta época natalina, pros comerciantes, pros trabalhadores do comercio que trabalha aí com comissão, que tem que vender muito e é importante pra cidade isto, próximo de R$ 40 milhões de reais, com esses pagamentos em dia. Então a gente quer também deixar essa mensagem que todo esse sacrifício é pra nós também mantermos este básico e muito também pro servidor e pra o bom funcionamento do comercio e da cidade no natal, já que a Prefeitura é a maior empregadora.
Não foi a sua gestão o seu estilo de administrar quem criou o problema. O prefeito entrou na história apenas como super herói, o salvador da pátria.
LINK ENTREVISTA CONCEDIDA PARA TV ALTEROSA
OUTROS LINKS





