A reunião dos servidores públicos, principalmente os das áreas da educação e da saúde começou as 18 horas desta terça-feira (30) terminando por volta das 20 horas. A reunião foi conduzida pelo Presidente do sindicato, João Madeira, com a presença de toda diretoria e com aproximadamente 200 pessoas, entre efetivos e contratados demitidos.
Na parte da manhã, segundo informações, a diretoria do SINTRAM esteve reunida com Kelsen Rios, procurador do município, Antônio Castelo, Secretário de Fazendo e David Maia, Secretário de Administração, que representando o prefeito estiveram no sindicato para explicarem o portaria assinada por Vladimir Azevedo.
No diário oficial dos municípios de Minas, deverá ser publicado, nesta quarta-feira (31), a exoneração de 220 servidores de livre nomeação, cargos de confiança do Prefeito, e no dia 1º de novembro serão nomeados 20% do total de exonerados, ou seja, cerca de 44 pessoas. Esta informação foi passada para o Sintram pelos representantes do prefeito na reunião ocorrida nesta manhã na sede do sindicato.
Durante a reunião dos servidores com a diretoria do sindicato foram feitos dezenas de questionamentos da atual situação da Prefeitura de Divinópolis, tudo em tom de muita preocupação com o ponto em que as coisas chegaram.
A Farmácia Municipal, chamada por todos de farmacinha, passará a funcionar apenas de 7 as 13 horas para entrega de remédios. A explicação está na ausência dos estagiários, e somente com os servidores a jornada não dá para ser maior.
Outra informação é que na saúde serão cortados o ticket refeição e as horas extras. Na educação o transporte para as crianças também serão cortados.
Como uma forma de economia, a administração vai declarar ponto facultativo na próxima quinta-feira (01/11), antecedendo ao feriado do dia de finados (02/11). Os servidores disseram que esta decisão vai atrapalhar o atendimento da população nos Postos de saúde e no Pronto Socorro. A intenção, segundo informações da administração é que os pontos facultativos que serão decretados até o final do ano gere uma economia de cerca de R$ 1 milhão de reais, informou a equipe do governo para o sindicato.
O presidente do SINTRAM, João Madeira em sua fala disse: “Nós vamos ter quatro anos de muita dificuldade para trabalhar”. Já o médico Alberto Gigante membro da diretoria da entidade afirmou: “Temos agora dois meses de penúria, e será um laboratório, a administração vai agir de acordo de como vamos reagir nesses dois meses”.
A partir daí, o sentimento de paralisação começou a ficar mais forte na reunião. Esquentou ainda mais quando uma das participantes levantou a possibilidade que a atual situação possa ter sido potencializada propositalmente pelo Prefeito mais por uma questão política que financeira. Pois na opinião da referida participante, a base política de apoio que o Prefeito Vladimir construiu nas eleições com os 15 partidos, como ele chegou a conclusão que não será possível cumprir e atender todos os interesses envolvidos, então ele teria potencializado a crise financeira para mostrar que não é possível cumprir os acordos.
Muito dos consensos que foram estabelecidos na reunião é que os servidores são contra os pontos facultativos que daqui para frente serão decretados, pois vão prejudicar o atendimento dos cidadãos. Eles têm receio de que a população não entenda direito e pensem que são eles (servidores) que não querem trabalhar ou até mesmo que não querem atender direito na área da saúde. Por essa razão é que foi deliberado que tenha um comunicado oficial do sindicato para a população explicando o que está ocorrendo.
Alberto Gigante explicou que para que haja qualquer paralisação é necessário, juridicamente ter cuidados e ter uma preparação neste sentido, e desmentiu a campanha do Prefeito Vladimir Azevedo, quando ele afirmou que em sua gestão não houve nenhuma greve. Gigante disse que houve sim, a dos médicos, mas que, com todo o cuidado que houve na época, a justiça determinou logo que a greve fosse encerrada. Por isso a necessidade de um preparo jurídico.
Uma das professoras presente na reunião, disse que a troca de professores em sala de aula é tanta que as crianças chegam a adoecer de tanta insegurança, pois cada dia que chega em sala de aula é uma nova professora que ele encontra.
Uma representante da saúde, e isto foi um sentimento de forma quase que generalizada, disse ter receio das retaliações e que foi aconselhada a não comparecer na reunião, mas mesmo assim se arriscou e levou um recado dos médicos do Pronto Socorro, dizendo que eles querem a paralisação geral.
Lourdes Lopes falou sobre o convenio da ADAP e ameaçou que nos próximos dias levará todas as 73 crianças do Núcleo Pequeno Mundo para o quarto andar da Prefeitura (Gabinete do Prefeito);
“Deixa roubar” esta teria sido uma frase da Secretária de Educação, Eliana Cançado à Lourdes Lopes, quando ela reclamou sobre o corte dos rondantes das Escolas Municipais.
Lourdes lembrou também que durante a campanha eleitoral em seu programa de TV, o então candidato Vladimir Azevedo se vangloriava de que em sua gestão não teve paralisação dos servidores municipais. A professora afirmou não ter sido nenhum vantagem já que a antiga administração, passando pelo Presidente do SINTRAM era comprometido com o governo.
No final da reunião foi lido a ata da reunião e foi os devidos encaminhamentos. E um deles é que o Presidente da entidade irá procurar o Ministério Público para relatar os efeitos maléficos para a cidade da portaria assinada pelo Prefeito Vladimir Azevedo. E que seja marcado uma Assembleia Geral urgente com indicativo de paralisação da categoria.
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Testemunhos de várias situações que estão ocorrendo em consequencia da assinatura da portaria baixada pelo prefeito Vladimir Azevedo
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