Ele lamenta a aposentadoria do ministro César Peluso, do STF, antes mesmo que o mesmo profira seu voto final no julgamento da AP 470, apelidada de mensalão. Chega a se referir à tal aposentadoria como “precoce” (SIC). Demagogia à parte, Aécio se contorce todo, pressionado por seus pares, para falar do “escândalo”. E o faz de forma subliminar, ao estilo recomendado por Globbels, sem tripudiar sobre o tema.
Cauteloso, sabe ele que seu telhado, sim, é de vidro. O dia seguinte ao julgamento do mensalão vai suscitar outros julgamentos e punições: o do “pai de todos os mensalões” inaugurado pelo PSDB, em 1998, e do qual ele foi beneficiário direto; o da verídica e autêntica Lista de Furnas que lhe rendeu milhões de Reais; o caso Arco-Íris, que dorme há mais de um ano na gaveta do Dr. Gurgel, com fortes indícios de ocultação de patrimônio, sonegação fiscal e improbidade administrativa, diretamente o envolvendo e à sua irmã Andréa. Isso sem falar nas suas ligações perigosas com Demóstenes Torres e, de quebra, com Carlinhos Cachoeira.
O caráter insinuante do esquizotexto de Aécio Neves reside, portanto, em algo expresso na sabedoria mineira: antes de falar do rabo alheio, senta-te no próprio rabo!
O resto do que escreve é gororoba para defender a ampliação da idade da aposentadoria compulsória para ministros do STF, de 70 para 75 anos. É périplo insincero sobre as virtudes da experiência, da maturidade e da sabedoria dos mais velhos.
Seu elogio hipócrita à longevidade política, profissional e criadora dos seres humanos, se esvai quando lembramos que – em 1999 – ele votou pelo fator previdenciário, que massacrava aposentados e aposentadorias. E que no biênio 2001/2002 teve ele a oportunidade de minorar seus impactos negativos, quando foi presidente da Câmara de Deputados, mas não o fez.
É verdade que nem o governo Lula, nem o da presidenta Dilma conseguiram ainda se livrar dessa herança maldita. Ainda que tenham minorado seus impactos.
Porém, FHC e Aécio serão sempre lembrados como os algozes da “melhor idade”. Um, pelo malfeito, o outro pela cumplicidade com o malfeito.
No entanto, o esquizotexto serve a um terceiro propósito. Percebendo um horizonte nebuloso em 2014 e vendo a iminente divisão do PSDB ele manda um recado para o velhinho tucano José Serra: vá, que eu não vou. Mui amigo. Aécio, depois de trair Serra e Alckmin em três oportunidades, acha que com esse jogo de palavras consegue aplacar a fúria do decano da privataria, com suas sucessivas traições.
Eis porque seu elogio à longevidade de agentes políticos, artistas, teólogos e juristas também tem o sentido de dizer que ele pode aguardar na fila de espera para o exercício da Presidência da República. Nisso há um grânulo de sinceridade: cinquentão farrista, quer Aécio Boa Vida vivenciar plenamente as noites cariocas, cambaleante, sem ser importunado pelos moralistas de plantão. Algo que aliás ele tem todo direito. Sem, contudo, dar carteiradas quando se envolver em confusão.
E para não passar de liso, reproduzimos aqui uma de suas pérolas: “Caetano, Gil, Milton e Roberto Carlos continuam encantando multidões. Ziraldo se encontra em pleno vigor criativo, e Oscar Niemeyer é um emblema à sensibilidade.”
“Emblema à sensibilidade”? Que diabos quer dizer isso? Sr. Ghost Writer: vá ao dicionário, vez em quando.





