O esperado primeiro programa eleitoral dos candidatos à prefeito pela TV foi ao ar nesta quarta-feira, com a candidata do PV, Dra. Heloisa Cerri, sendo a única a apresentar uma grande e inesperada novidade no horário. Sem nenhuma criatividade dos produtores, os programas foram as mesmices de toda largada da propaganda na TV. Candidato sendo elogiado por pai, mãe, esposa, cachorro, papagaio, enfim, depoimentos que ao eleitor não acrescentam muito, pois elogio de parente não chega a ser abonador ao ponto de render votos. Afinal, seria cômico, se não fosse trágico, se um parente de candidato, que topasse falar em programa eleitoral, ao invés de render elogios, desse boas espinafradas no sujeito. Depoimentos de parentes não abonam, nem desabonam, se assemelham muito mais aos horríveis picolés de chuchu.
Galileu Machado (PMDB) e Dra. Heloisa Cerri saíram dessa mesmice. Galileu, em tom saudosista, se auto apresentou, falou de suas administrações passadas, de sua relação com eleitores e, de parente, citou só o avô, que apareceu em uma fotografia em preto e branco. Já Dra. Heloisa foi apresentada pela âncora do programa e os parentes ficaram de fora por opção da candidata, que determinou aos coordenadores de campanha a não exposição de sua família neste período.
Vladimir Azevedo (PSDB) usou a máxima do futebol para dizer que o jogo não termina aos 45, numa referência ao número dos tucanos. Com isso, quis dar ao eleitor a impressão de que precisa de mais quatro anos para fazer o que não fez nos últimos quatro. Falou de obras, mas escorregou como baba de quiabo para não deixar transparecer que os recursos vieram do governo federal, ou seja, do governo petista. Citou obras inacabadas e que provavelmente ficarão somente para o fim do ano ou serão entregues eleitoreiramente pela metade antes de outubro, como ocorreu com a UPA/Ponte Funda, inaugurada em julho, porém ninguém sabe quando funcionará. O mesmo se aplica ao Hospital Regional, que ficará só para o ano que vem. E tudo isso, com recursos externos. Tentou assumir a paternidade do programa Minha Casa, Minha Vida, outro tiro no pé, pois trata-se de uma iniciativa do governo Lula, portanto, verba carimbada federal que seria enviada para qualquer prefeito do país, fosse ele do PT, PMDB, PV, PDT…
O tucano evitou prolongar o assunto sobre o Rio Itapecerica. Disse ser o autor do “maior programa” de despoluição do Rio. Mentiu. Não há programa de despoluição para o Itapecerica. O que o governo Vladimir fez foi entregar a concessão do tratamento do esgoto para a Copasa, o que não é determinante para a despoluição do Rio. O Itapecerica precisa ser desassoreado, a mata ciliar precisa ser recuperada, as empresas que despejam poluentes químicos em seu leito precisam ser barradas, a coleta seletiva tem que ser estendida por toda a cidade. Só depois de tudo isso, acrescido o tratamento do esgoto, e da conscientização da população para proteger nosso maior patrimônio, o Rio estará em processo verdadeiro de despoluição. Tratamento do esgoto pela Copasa, é catira feita entre o atual prefeito e o senador Aécio Neves. Só isso.
Beto Cury fez o possível para aliar sua imagem ao governo do PT. Apareceu ao lado de Lula e Dilma, porém só em fotografia. Não se viu uma única imagem do petista ao lado dos dois maiores expoentes do partido no país. Não foi novidade. Que ele fez parte do governo Lula, todo mundo já sabia. O que vai contar mesmo para o petista, só um depoimento ou uma visita de Lula ou Dilma à cidade. Dilma não vem. Já avisou que não participará de campanhas. Lula anda muito ocupado com seu reduto em São Paulo. Portanto, é improvável, para não dizer impossível, que o petista receba esse mimo do partido e de suas maiores estrelas. Beto tem a vantagem da fala fácil, é um sujeito afável, de bom relacionamento e bastante popular. E tem a grande vantagem de que as únicas obras de realce do atual prefeito que já estão à disposição do povo, vieram de recursos federais.
Galileu Machado não apresentou nada de novo em seu primeiro programa. Teve mesmo uma conversa com os eleitores, nada inovador. Jorge Torquato (PSOL), com limitados dois minutos, falou até em tomar uma geladinha “pois ninguém é de ferro”. Sem nada a apresentar, o candidato aposta suas fichas no discurso popular.
A inesperada e grande novidade foi apresentada no programa do PV. A candidata do partido, Dra. Heloisa Cerri, aproveitou bem os 3m45s disponíveis. Deu o tom do que será o seu discurso de campanha. Prometeu combater o empreguismo e garantiu honestidade e austeridade nos gastos públicos. Guardou a novidade para encerrar o programa com chave de outro, trazendo o depoimento da ex-senadora Marina Silva. Entre Heloisa Cerri e seu vice, Edson Sousa, Marina Silva pediu votos para a chapa e declarou seu incondicional apoio à candidatura da vereadora, primeira mulher a disputar a prefeitura de Divinópolis.
Com Marina Silva, Heloisa Cerri fez 1X0 neste primeiro round. Não foi nenhum nocaute, mas a inesperada presença de Marina, inclusive para os demais candidatos, foi uma surpresa que sem nenhuma dúvida terá peso significativo na campanha.






