E sua desculpa: como um moleque que faz alguma travessura e depois grita “não fui eu”, ele diz que foi designado pelo presidente Sarney para representar o Senado, em uma “importante” premiação dada a FHC. E que estava prevista sua volta para a quarta-feira.
Meia verdade: o prêmio existiu, sua importância é relativa e a presença de Aecinho não era imperiosa. Ele, por certo, viu aí uma oportunidade para escapar ao constrangimento de participar da sessão “degola” do seu complicado companheiro.
Se ele mostrar a passagem de volta, comprada com antecedência, e não às vésperas daquela quarta-feira, seu discurso se confirma. Se a passagem foi comprada depois da cobrança que fizemos nas redes sociais, aí fica claro: sua excelência mentiu.
Mas, isso é irrelevante, já que nosso personagem não crispa a face quando fala da “filial do paraíso” que seria Minas Gerais. E justiça seja feita. Ele tocou num ponto central, ainda que para servir de atenuante às estrepolias de Demóstenes: a urgência da reforma política, como um dos meios de se coibir essas buscas desenfreadas e inescrupulosas de financiamento da… política.
Só que ele transfere a Lula e a Dilma as responsabilidades pela citada reforma não ter avançado. Mas, o que fazia o moço na presidência da Câmara dos Deputados quando esse assunto foi varrido para debaixo do tapete? E por que FHC não avançou um milímetro nisso? Pelo contrário, o instituto da reeleição para a presidência da República foi comprado por centenas de milhares de Reais, conforme escutas legais que alcançaram deputados de sua base aliada, remunerados para votar no monstrengo.
Vamos ver se ele, Aecinho, vai manter essa postura moderada em agosto, quando o dito “mensalão” do PT vai ser julgado no STF. Sabe ele muito bem que esse “mensalão” é criatura do laboratório tucano em Minas: este operado por Azeredo. E envolveu, em 1988, os mesmos personagens de 2005: Marcos Valério, SMPB, além de gente da Copasa, Cemig, Bemge, Banco Rural e até uma loja de produtos para bebês de propriedade de sua irmãzinha. E ainda tem muito mais: a Lista de Furnas, autêntica e autenticada pela PF, tem nele próprio um beneficiário. A rádio Arco-Íris também, com seus carros de luxos e com fortes indícios de improbidade administrativa, sonegação fiscal e ocultação de patrimônio, está pendurada em seu pescoço. A esquisita transferência de cotas dessa rádio para seu nome, no atípico 28 de dezembro de 2010, suscita legítimos questionamentos.
As reinações de Aecinho, de seu partido e de seus aliados assombram seus sonhos de se tornar alguém, de fato, respeitável. E nem de longe podem ser comparadas às de Narizinho, do inesquecível Monteiro Lobato.
Mateira do blog Minas Sem Censuara






