Golpe dos “carros esquentados” em Divinópolis

Publicado por: suporte

“Na verdade eles adquiriam veículos do pátio de leilão ou de alguma seguradora. Posteriormente fazia-se uma encomenda de um veículo a ser furtado ou roubado com as mesmas características. Recebendo esse veículo produto de crime, fazia-se o implante ou adulteração dos sinais identificadores”, contou o delegado Leonardo Pio.

A oficina onde os carros eram montados está fechada desde 2010, quando oito pessoas foram indiciadas. O proprietário do local ficou preso durante 100 dias. Ele é suspeito de ter cometido cinco tipos de crimes. E as penas podem chegar a 300 anos de prisão, mas ele está solto. “Ele foi posto em liberdade até que seja julgado”, explicou o delegado Éderson Gonçalves.

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No computador apreendido na casa do dono da oficina a polícia encontrou arquivos que comprovam que a quadrilha adulterou mais de 300 veículos. Nos documentos estão os valores de compra e venda destes carros. Um deles, por exemplo, foi adquirido em um leilão por R$ 3 mil e revendido por R$ 25 mil. “O valor foge à regra de mercado. Em um valor de 200% a 300% de lucro percebemos que havia alguma coisa errada e começamos a pesquisar esses veículos”, disse Éderson.

Alguns chamaram a atenção e veículos oficiais comprados nos leilões também foram adulterados e revendidos pela quadrilha. Os dados de um dos carros que estão apreendidos comprovam que ele pertenceu à Polícia Militar de Minas Gerais. Depois de adulterado, uma vendedora o comprou por R$ 13 mil.

Para evitar que os veículos acidentados sejam adulterados o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) criou a resolução 362, uma medida de controle que fiscaliza quais veículos podem voltar a circular e bloqueia a documentação daqueles considerados como perda total.

Os 80 carros que foram adulterados pela quadrilha ainda estão apreendidos e não têm previsão para serem liberados. O que acarreta prejuízo para os proprietários.

O inquérito que investiga o esquema de adulteração dos veículos, já foi concluído e será encaminhado ao MP, que tem 15 dias para oferecer a denúncia. Em relação aos carros apreendidos, o delegado afirmou que fica a cargo da Justiça decidir se serão entregues novamente aos donos.


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