Burocracia que emperra a saúde e mata as pessoas de forma direta e indireta – São filas de espera, autorizações, mandados e carimbos

Publicado por: suporte

O drama de Aguilar começa quando em 13 de julho, já em conseqüência do tumor no cérebro, que nem ele e nem a família sabia, ele tem um apagão momentâneo e provoca um acidente fatal na ponte do Porto Velho, atropelando e matando uma mulher, a seguir atropela também um motorista e bate o carro violentamente em frente a uma loja de pneus na Rua Goiás(veja matéria publicada na época )

Todos, inclusive o Divinews (Que faz um pedido de desculpas para a família neste momento) sem saber da real situação do motorista o criticam violentamente.

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Foi em conseqüência deste acidente, no qual ele quebrou uma das pernas, e que sua esposa , sabendo que ele estava na fila para fazer uma consulta neurológica, solicitou aos médicos que “aproveitassem” que ele já estava no hospital e fosse feito o exame. A tomografia acusou a existência de um tumor em seu cérebro.

A cirurgia para retirada do tumor foi realizada no Hospital São João de Deus. Segundo sua esposa, Cecília Luzia Ferreira, sua Irma e sua filha, o medico informou que não iria retirar todo o tumor porque estava muito profundo e que poderia afetar outras atividades do paciente, como perda da visão e/ou a perda da fala e/ou a audição. A expectativa dos médicos e que o tamanho do tumor se estabilizasse não crescendo.

No inicio do mês passado (setembro), Aguilar, ao retornar para uma consulta, uma exame de ressonância magnética, os médicos constataram que o tumor havia crescido e que não havia outro jeito a não ser uma nova cirurgia, desta vez para retirar todo tumor. Mas, que esta nova cirurgia so poderia ocorrer em Belo Horizonte, porque em Divinópolis não havia condições técnicas/medicas de realizá-la.

Através da Policlínica do município, ele foi parar em uma fila de espera para ser operado em Belo Horizonte. Só que há cerca de 20 dias, segundo a família, ele teve uma convulsão, chamaram o atendimento de emergência do Corpo de Bombeiros que o levou para o Pronto-Socorro, ao chegar lá o atendimento emergencial disse que não podia fazer nada, porque tinha um único médico de plantão e não era especialidade dele, que a família voltasse com ele a noite que teria mais médicos e ele poderia ser então examinado e medicado.

A família voltou com ele para casa, e com o ápice da crise passou, eles continuaram aguardando a cirurgia em Belo Horizonte.
Entretanto, na quinta-feira (20) da semana passada, Aguilar voltou a ter uma nova convulsão, novamente chamaram a ambulância do Corpo de Bombeiros e ele foi levado para o Pronto Socorro. Desta vez ele foi medicado com um anti-convulsivo e um calmante (diazepam), ficando em observação por cerca de duas horas. Depois foi liberado e retornou para sua casa.

No sábado (22), portanto há uma semana, Aguilar teve três crises convulsivas sucessivas, já com dificuldades na fala. A família apavorada ligou para o médico que aconselhou que o levassem imediatamente para o Pronto Socorro. Ele chegou entre 19 e 20 horas. Mas, um médico só foi examiná-lo no dia seguinte, domingo (23) as 14 horas.

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Na ocasião a família informou para o medico que ele estava aguardando vaga em Belo Horizonte para lá fazer a cirurgia da retirada do tumor. Como a situação estava grave, o medico não lhe deu alta e continuou com ele internado. Entao a família foi se movimentar para tentar a transferência dele para Belo Horizonte.

Passou o dia de segunda-feira (24), outro medico o examinou e apenas confirmou que era aquilo mesmo, tinha que aguardar. Na terça-feira (25) nenhum medico apareceu. Na quarta-feira (26), apareceu outro medico que as alertou da gravidade da situação e que fossem tomadas providencias imediatas.

Neste ponto e neste dia, quarta-feira (26) começa a epopéia burocrática. A filha do paciente, disse que alguém do Pronto Socorro, indicou que ela procurasse a vereadora Heloisa Cerri para auxiliá-la. Foi o que a família fez.

Aportou no gabinete da vereadora Heloisa Cerri. O primeiro passo tomado foi um contato com o Ministério Publico, que através de um promotor, disse que não poderia fazer nada em um caso individual, isto porque já existia uma ação coletiva contra o município, e que mesmo assim eles não estavam cumprindo. E, indicou a Defensoria Publica para que através deles houvesse um mandado de um Juiz para enviar o paciente para Belo Horizonte.

A família foi ate a Defensoria Publica, contudo, a defensora que atendeu a filha e a Irma do paciente, não entendeu o laudo medico direito e solicitou que o Pronto Socorro especificasse mais claramente qual era o problema do paciente.

Elas voltaram ao gabinete da vereadora, e a vereadora em contato inicialmente com a defensora tentou lhe explicar o significado do laudo, mas a defensora não entendeu. Então foi feito um contato com o Proto Socorro para que fosse providenciassem um laudo mais claro de fácil entendimento para a Defensoria Publica. A defensora avisou ainda que o horário para que o novo laudo chegasse em suas mãos era até as 18 horas, após este horário somente no dia seguinte.

A assessoria da vereadora foi então rapidamente ao Pronto Socorro, enquanto isto a Irmã e a filha do paciente esperavam no gabinete. Após algum tempo chegou com o novo laudo, como ja eram quase 18 horas um novo contato foi feito com a defensora para que ela esperasse um pouquinho mais. Todos correram para se encontrar com a defensora que esta no fórum.
A defensora de posse do novo laudo, que desta vez ela entendeu, fez o encaminhamento para que o Juiz intimasse o município a comprar uma vaga para o paciente em hospital particular. Isto ocorreu já a noite.

Como a família tinha um conhecido no fórum, que elas não querem que citem o seu nome para não prejudicá-lo em nada. Esse funcionário do fórum foi atrás do Juiz para que ele assinasse a determinação da compra da vaga.

A seguir o funcionário retornou ao fórum entregou a intimação assinada pelo Juiz para um oficial de justiça, que tinha como incumbência localizar a secretaria de saúde ou o prefeito para que eles providenciassem a tal vaga em qualquer hospital da rede particular.

Somente as 21 horas da mesma quarta-feira, e que o oficial conseguiu localizar a secretaria Rosenilce Cherie Mourão em sua residência. Pronto, estava entregue a determinação do Juiz que em seu texto, afirma que a vaga teria que ser arrumada “imediatamente”.

Entretanto, pelo horário, a maquina da burocracia so começou andar novamente no dia seguinte, quinta-feira (28). Os familiares estiveram na Câmara dos Vereadores, e a Irmã da vitima falou ao Divinews sobre o drama do irmão.

Finalmente o paciente foi internado no Hospital Santa Monica, isto ocorreu já a noite, e por volta de 21 horas ele deu entrada no CTI daquele hospital.

Seu estado de saúde do sábado até sexta-feira se agravou sensivelmente. Esta e a metodologia e a burocracia que matam os pacientes. Exige um papel aqui, outro acolá, precisa do papel “x” precisa do papel “y” – Vai paciente pra lá, volta pra cá – Agência disto, agência daquilo outro, controle no computador, etc. – Esta é a burocracia que mata!

 

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