Não era uma declaração inédita a confissão de Ricardo Salgado de que foi ele quem fez a gravação do irmão do vereador Edson Sousa,que foi parar na caixa de correio de José Venâncio, isto ele mesmo já havia confessado em entrevista ao Divinews.
A declaração bombástica de Ricardo foi ter esclarecido que a pessoa a quem ele mostrou a gravação em primeira mão e só para ele e seu filho Faustinho,foi Fausto Barros, atual presidente do PMDB e chefe de Governo do ex-prefeito Galileu Teixeira Machado.
Ricardo testemunhou que o motivo de ter mostrado a gravação, foi unicamente por amizade naquele momento que caminhavam juntos politicamente, “estávamos do mesmo lado”. A gravação foi exibida no computador da empresa de Fausto, “vimos juntos por três vezes a gravação”, mas, Ricardo jurou de pés juntos que não mostrou para mais ninguém. O CD foi exibido para os dois, uma semana depois de ter sido gravado.
Se assim for, que mais ninguém tenha visto a gravação, e ele também jura que não entregou para José Venâncio, logo, por conclusões óbvias, o cd saiu daquele computador. Quem foi, ninguém sabe, ninguém viu, porque o cd foi parar direto na caixa postal da residência de José Venâncio. Esse é o mal dos CD´s piratas, dependendo do assunto, se auto gravam e se jogam dentro da caixa de correio da pessoa certinha.
Ricardo também ao falar naCPI que há cerca de cinco anos o vereador Edson tem uma implicância e perseguição ao seu pai Afonso Salgado. “E ficava sempre olhando para a gente com uma cara intimidatória, como ele está agora”, acabou criando uma cena engraçada, mas fora dos padrões que uma CPI requer, quando o vereador Edson virou-se de costa para a bancada onde estava o depoente.
Ricardo tem a desconfiança de que a fita possa ter sido editada, porque o som original era muito ruim e está muito melhor.
A vereadora Heloisa Cerri então pediu para passar a fita novamente que Ricardo gravou sem a autorização do irmão do vereador Edson. O que foi uma agonia para quem estava ouvindo, principalmente para a imprensa que não conseguia ouvir pela qualidade do material e pela péssima dicção de Valdeci Sousa, que até em plenário era bastante difícil conseguir entender o que ele falava.
A vereadora então perguntou a Ricardo
– Alguém pediu para gravar a fita? Ele respondeu que não.
– Se a fita era do seu interesse porque o senhor foi mostrar para o Fausto Barros? O depoente respondeu que era porque eles estavam na mesma linha politica, disse: “mostrei para ele e nunca mais falei sobre o fato com ele”
– O senhor acredita que o Fausto tenha passado adiante? A resposta: “Só mostrei para eles”
– O senhor já foi processado e condenado? Sim, fui condenado a pagar cestas básicas.
– O senhor já ameaçou de morte o vereador Edson Sousa, após uma missa o senhor teria feito a menção de um revolver em direção ao vereador, em sinal de ameaça? Resposta: “Não, nunca fiz isto”
– O senhor em 8 de maio de 2006 solicitou através de um oficio que o Edson, então presidente da Câmara nomeasse uma servidora? Quem é esta servidora? Não seria este o motivo de sua ira contra o vereador Edson Sousa?
Neste momento o presidente da CPI, Adair Otaviano interferiu dizendo que a vereadora se ativesse aos fatos da CPI. Entretanto, Heloisa afirmou achar pertinente a pergunta , e Ricardo então respondeu: “Não quero falar sobre isto, não quero envolver a pessoa”
– Mas o senhor lembra deste episódio? Ricardo respondeu que não, e até gostaria de ver o oficio que se encontrava na mão da vereadora, com o pedido de Ricardo ao vereador Edson Sousa para a promoção da servidora.
Novamente o presidente, Adair, interferiu dizendo que achava que não devia envolver servidores da Casa na CPI.
– O senhor Regis participou da gravação, o nome dele é citado? Ricardo responde que sim, que o Regis que o ele esteve presente em parte da gravação, mas foi logo embora, antes do término.
– Atualmente, continuou perguntando a vereadora Heloisa Cerri, em que o senhor trabalha? Ricardo a principio, resistente, afirmou: “O que muda, qual a importância de sabe isto agora – Naquela época eu trabalhava com o deputado Jaime Martins – Hoje eu trabalho com o deputado Domingos Sávio”
O vereador Edmar Rodrigues, relator da CPI, perguntou:
– Quando você gravou tinha mais alguém em sua companhia? Ricardo afirmou então que só tinha o Regis que saiu antes e que muitas pessoas iam passando e cumprimentando os dois.
– Você sabia que é crime gravar sem autorização? O depoente respondeu: “Foi uma precaução para eu ter em minha defesa. Quando ele (Edson) falasse sobre meu pedido de indicação eu teria uma gravação – Não pensei em crime não”
– O Venâncio falou que a gravação foi deixada na caixa de correio dele? Ricardo complementou: “Não tenho nada contra o Venâncio, mas uma vez ele falou do meu tio (ex-prefeito Aristides Salgado) caluniando ele, então não quero proximidade com ele (Venâncio) não”.
Ricardo Salgado, respondendo ao presidente da CPI, o vereador Adair Otaviano, se ele teria mais alguma coisa a acrescentar, o depoente finalizou: “O mais importante é saber se o conteúdo da gravação é verdade mesmo, porque quem errou tem que pagar por isso”, encerrou o depoimento e esperou a impressão para assinar.
Ricardo não ficou para assistir o último depoimento da tarde, do irmão do vereador Edson, Valdeci Alves de Sousa.
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