A primeira reunião estava prevista para começar as 13 horas, no entanto começou um pouco atrasada, mas nada que comprometesse os depoimentos. Inicialmente, haviam poucas pessoas no plenário, mas no seu ápice, por volta das 16 horas, chegou a ter cerca de cinqüenta pessoas em plenários entre jornalistas e a cidadãos.
Como presidente da CPI, estava o vereador Adair Otaviano (PMDB), como relator, o vereador Edmar Rodrigues (PRTB) e como membro, a vereadora Heloisa Cerri (PV). O vereador Edson Sousa (sem partido) se fez acompanhar pelo advogado, José Carlos de Sousa. Estavam ainda no plenário a advogada da Câmara, Rosilene Bárbara e sua assistente,
O primeiro depoimento, e o mais longo foi do denunciante da possível corrupção, José Venâncio, a seguir, Roberto Clementino, Ricardo Salgado e encerrando o primeiro dia da CPI foi ouvido o irmão do vereador Edson Sousa Valdeci Alves de Sousa, conhecido como Deco.
Antes do inicio dos trabalhos da CPI, o denunciante José Venâncio, conversando amigavelmente com Roberto Clementino, ainda no plenário, disse: “Quem me entregou a fita não foi gente do Jaiminho não, foram covarde que colocaram na caixa de correio – Eu vi vulto, mas pelo que vi não é ninguém do Jaiminho”
A seguir José Venâncio, antes do inicio dos depoimentos, com muita desenvoltura, foi para o plenário, conversou com um, conversou com outro. Até que finalmente, com a chegada do presidente foi chamado para dar sua versão dos fatos.
A princípio, Venâncio, tentou inverter as posições e começou a perguntar e questionar os membros da CPI, criando até um mal estar. Os vereadores tentaram ser polidos e educados, até que finalmente o presidente teve que falar com ele, que era ele o interrogado e não ao contrário.
O depoente José Venâncio parecia não entender direito o momento, a situação em que se encontrava a gravidade e a seriedade de como se deve se comportar em uma CPI, diferente dos outros três depoentes (Roberto Clementino, Ricardo Salgado e Valdeci Alves) que se portaram corretamente, de forma respeitosa. Às vezes Venâncio era até arrogante e petulante questionava e enfrentava os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito, partindo para o embate em diversas ocasiões.
Logo no inicio José Venâncio pediu para passar um vídeo produzido por ele que relata todos os episódios do dia em que ele acusou o vereador ao usar a tribuna livre da Câmara.
O advogado do vereador Edson, José Carlos de Sousa, por suas várias interferências, foi advertido pelo presidente da CPI, vereador Adair Otaviano, de que ele se abstivesse um pouco das interferências, porque na hora devida ele teria oportunidade.
A controvérsia era a existência de dois vídeos, um por parte do vereador Edson Sousa e outro por parte do Venâncio, ao final, eles acabaram optando por ver apenas o vídeo do José Venâncio.
O vídeo, mais pareceu uma produção de autopromoção do depoente, mostrando diversas cenas de denuncias contra vereadores e a sua revista pela policia militar no dia em que ele usou a tribuna. Cenas exclusivas do Jornal da TV Candidés, cenas gravadas de entrevistas do próprio Divinews, com ele (Venâncio) e Edson Sousa.
Venâncio confirmou as denúncias contra o Roberto Clementino, de que ele teria oferecido emprego na Copasa para ele.
Em determinado momento, como o depoente estava entrando por assuntos não pertinentes à CPI, o presidente pediu que ele se ativesse aos fatos da CPI.
Venâncio disse que só falaria se tivesse a garantia da Policia Militar. Foi preciso que a Vereadora Heloisa Cerri fosse contundente e pedisse para ele se acalmar, e disse: “Nós (CPI) temos o poder de policia se o senhor continuar, não que queiramos, mas podemos prendê-lo”.
O Presidente, também teve que usar de energia com o depoente: “Não inverta as posições, o senhor está aqui para responder as perguntas”
O questionamento que todos fizeram era porque depois de tanto tempo, cerca de quatro anos e meio ele resolveu fazer a denuncia contra o vereador Edson Sousa. Ele não respondeu coisa com coisa, com motivo plausível, divagou somente, sempre tentando falar de civilidade, moralidade, ser contra a corrupção. Depois disse: “como eu já estava no clima”
Ao ser solicitado para entregar a gravação que fez do Roberto Clementino lhe oferecendo o emprego na Copasa, respondeu que só entregaria a gravação com autorização do próprio Roberto Clementino.
A vereadora Heloisa Cerri disse-lhe que a CPI tinha autoridade para requisitar a fita, mas, ele se mostrou irredutível, dizendo: “Será que a gravação tem mais credibilidade do que a fala do Roberto que vai depor daqui a pouco – Esperem o depoimento dele – Se ele autorizar, eu entrego”
Heloisa perguntou se ele confirmava a fala, a data e o local. Venancio disse que foi no plenarinho da Câmara, mas não lembrava direito a data, “talvez 2007/2008, não sei”.
A vereadora perguntou se ele era irmão de Jesus Venâncio, que presta serviço para a prefeitura. Ele respondeu que sim.
Ela continuou a perguntar:
– Quais são os vereadores da situação Que o senhor tem contato aqui na Cãmara? Ele respondeu: Nenhum. Às vezes vou ao gabinete do Geraldinho, às vezes vou ao seu gabinete (referindo-se ao da vereadora), “Tenho uma ligação com a Iris” – “Às vezes no gabinete do Anderson Saleme”
– O senhor vai liberar sua conta telefônica e sua conta bancária? Ele disse que sim. Então a vereadora pediu ao presidente que solicitasse a quebra do sigilo telefônico e bancário do Venâncio.
– Sobre a denúncia da Trancid de R$ 10 mil reais que a empresa teria passado para o vereador Edson? Venâncio respondeu que não sabia sobre a Trancid.
Neste ponto, Venâncio, que anteriormente tinha falado como se tivesse ouvido diretamente uma conversa de propina da Trancid, envolvendo até uma fala do falecido vereador Sargento Geraldo, disse que não ouviu diretamente e sim uma terceira pessoa que ele não sabe o nome, mas sabe onde mora, e que ele iria procurar a tal pessoa para confirmar a história.
A vereadora pede para repassar a gravação em que Venâncio afirma que o sargento Geraldo teria dito sobre a Trancid: “Quanto vamos levar nesta?”
Venâncio mudando o foco da pergunta, indaga à vereadora. “Sobre as imagens que a senhora está falando, eu gostaria de saber como as imagens da TV Câmara foram parar na TV Candidés?” (A pergunta de Venâncio é em conseqüência de que as imagens não foram cedidas para ele, mas foi parar na TV Candidés)
Mudando a sua posição de depoente, Venâncio criticou o presidente da CPI, vereador Adair Otaviano por ele ter concedido a Medalha Candidés para a Trancid.
Em um determinado momento, quase ao final do depoimento de Venâncio, os ânimos se acirraram mais uma vez, quando a vereadora Heloisa Cerri solicitou que ele entregasse a gravação do suposto suborno de Roberto Clementino. Como ele (Venâncio) respondeu “coisas” não pertinentes à pergunta, a vereadora solicitou que o som do seu microfone fosse desligado. Ele se exaltou e falou que falaria do mesmo jeito, alto, sem microfone mesmo. Foi preciso o presidente serenar os ânimos.
Venâncio tentou ao final anexar um documento à CPI, o advogado do vereador Edson Sousa, previamente, solicitou ao presidente que, se o documento não tivesse “nada a ver” com a CPI ele pedia o indeferimento do referido documento. Venâncio, então desistiu de entregar.
Finalizando seu depoimento, José Venâncio negou que tivesse acusado o vereador Edson Sousa, ele acusou sim o cidadão Roberto Clementino de ter oferecido emprego para ele na Copasa.
Ao terminar, Venâncio aguardou a finalização da digitação do seu depoimento, assinou e foi para o plenário assistir os outros três depoentes, Roberto Clementino, Ricardo Salgado e Valdeci Alves Sousa, nesta seqüência.
José Venâncio Ricardo Salgado
![]() |
Roberto Clementino Valdeci Alves







