Imprensa “séria” (Estadão) mata senador José Sarney

Publicado por: suporte

Veja matéria de Fábio Gois do site especializado em política, Congresso em Foco.

O material (escute aqui) foi obtido pela equipe on-line do jornal O Estado de S.Paulo, que trata o episódio como vazamento do suposto obituário. O áudio não chegou a ser veiculado, e a SECS chegou a negar que se tratava de um material de homenagem pós-morte. A assessoria de comunicação do Senado disse ainda que todos os 81 senadores têm biografias em produção pela rádio, e o tempo verbal usado na matéria pode ter sido erro da reportagem.
“Além de uma extensa vida política, Sarney se destacou nas artes. Ele era membro da Academia Brasileira de Letras [ABL] desde 1980”, diz trecho do áudio, que é iniciado com a afirmação de que o ápice da trajetória política de Sarney, presidente do Senado pela quarta vez não consecutiva, foi a Presidência da República. Ele assumiu o posto na condição de vice do presidente eleito Tancredo Neves, morto em 1985 antes de tomar posse.
A SCES não explicou porque Sarney, membro da ABL, é tratado como ex-integrante do colegiado. Por meio do microblog Twitter, um diretor da emissora disse que o material foi “roubado”, e que o “receptador” foi o Estadão. Por meio de nota, a assessoria de comunicação argumenta que é “rotina” a elaboração de “perfis e obituários de todos os senadores”. “A SECS lamenta que uma empresa de comunicação importante, longe de qualquer motivação jornalística mais séria, dê asas a uma imaginação fantasiosa, que em nada contribui para a informação e formação da opinião pública”, conclui a nota (confira aqui).

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Loas e omissões

O material produzido pela Rádio Senado intercala declarações do senador do Amapá às de outras personalidades políticas, como o próprio Tancredo. Também são registrados discursos de Sarney, que tem vários pontos de sua vida pública lembrados na reportagem. Entre eles a primeira reeleição para o Senado, em 1978, na condição de eleito com “o maior percentual de votos” do país naquele pleito.

Também há menção à crise que paralisou a instituição em 2009, culminada com o caso dos atos administrativos secretos. Na ocasião, a cúpula administrativa – quase toda composta por profissionais indicados por Sarney – foi trocada e Sarney enfrentou 11 processos por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado. Graças à tropa de choque do PMDB, entretanto, todos foram arquivados. 
Na ocasião, Sarney usou a tribuna de um plenário lotado para perguntar aos colegas, em 5 de agosto daquele ano, porque mereceria punição pelos desmandos administrativos praticados pela cúpula do Senado.

A citação à crise é finalizada com declaração de Sarney dando-a como encerrada. Fala-se também em 40 medidas que teriam sido implementadas pela direção da Casa, como enxugamento de diretorias e corte de gastos supérfluos, mas nenhuma referência é feita às reformas administrativas seguidamente anunciadas e jamais executadas.

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