Segundo impressões de Cláudio Passos, ex-militar do Exército, o ambiente era realmente de uma guerra, só que urbana. Eram dezenas de tanques e milhares de militares.
O que chama atenção e o que as pessoas de outros estados do Brasil não fazem ideia, é a naturalidade com que o carioca, principalmente os moradores da redondeza, encaram a situação. Eles fazem tudo o que tem que ser feito na sua vida cotidiana. O único momento em que eles saem das ruas é quando começam a ouvir tiros, neste momento eles se abrigam em algum lugar e correm. Mas logo que cessam os tiroteios eles voltam à normalidade.
É comum as famílias se reunirem para ver de perto o que está acontecendo, chegam perto como se tivessem fazendo um passeio turístico. Como no caso dessas imagens, a família de Cláudio.
O colaborador, que mora em um edifício próximo ao Morro do Alemão, relatou com naturalidade que o exercito solicitou a utilização da cobertura do edifício para montar um ponto de observação da favela.
Cláudio tem dois filhos, um de 18 anos (Leonardo) e outro de 15 anos (Lucas), que assim como o pai e a mãe (Eliane), vivem com tranqüilidade esta situação, que para muitos turistas passariam à léguas de distancia.
Eliane, esposa de Cláudio, é professora de uma escola municipal dentro da favela do Cruzeiro. Ela explica que houve inúmeras paralisações ocorridas durante o ano, algumas por ordem dos bandidos e outras por questões de segurança. Diz ainda que em sua classe há filhos de bandidos e é preciso ter muito cuidado ao lidar com tais crianças. Segundo ela, é preciso constantemente reprimir as brincadeiras violentas que envolve revolveres de brinquedos e mortes. A realidade das crianças é muito diferente e é necessário um trabalho constante para tirar a violência de suas vidas.
Como um programa normal de uma família eles foram passear em frente ao BOPE. Aproveitaram para captar as imagens dos tanques estacionados ao redor do batalhão, e ainda gravaram parte da entrevista do comandante da operação que prendeu Zeu o assassino de Tim Lopes.
Muitas outras famílias têm o mesmo comportamento, ficam sentadas em bares e quiosques ou simplesmente circulando nas imediações ouvindo tiros e vendo os tracejados das balas que riscam o céu daquele bairro.
Quase por uma ironia do destino, entre o morro do Cruzeiro e o Morro do Alemão, existe um conjunto habitacional que foi contruido na década de 70, exclusivamente para policiais militares. Muitos hoje já aposentados, mas com filhos e netos militares.
Como curiosidade geográfica, a favela do Cruzeiro, fica no bairro da Penha, o conjunto dos moradores da Policia MIlitar em Olária e o morro do Alemão uma parte em Ramos, Olaria e Inhauma.
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