A vereadora pontua uma série de problemas que a cidade vem enfrentando, especialmente os frequentes piques de energia, que ocorrem inexplicavelmente. Mesmo não havendo nenhum tipo de adversidade no tempo, que tem sido o principal fator de justificativa da Cemig para as interrupções no abastecimento, Divinópolis tem sofrido cortes rotineiramente. Algumas regiões da cidade, como a Sudeste, têm sido mais afetadas e os cortes ocorrem periodicamente, com interrupções no fornecimento de energia que chegam a ultrapassar duas horas.
Outro fator que gerou a solicitação da reunião especial, foi um pedido formulado diretamente à vereadora Heloisa Cerri por Celso Marcos Primo, presidente do Sindieletro – Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais – Regional Oeste. Através de ofício encaminhado à vereadora, o sindicalista faz uma grave denúncia contra a empresa energética e pede interferência urgente para evitar que a cidade continue sofrendo prejuízos na prestação de serviços.
De acordo com Celso Marcos Primo, a Cemig está adotando determinados procedimentos para atendimento de consumidores residenciais e industriais “que são condenáveis”. Segundo ele, esses procedimentos visam beneficiar os moradores de Belo Horizonte, em detrimento de quem mora no interior do Estado. Ele afirma que a última medida adotada pela empresa que prejudicou milhares de consumidores foi a transferência de eletricistas do interior para realizar serviços de podas de árvore, inspeção de medidores de energia e atendimento de emergência (plantão) na região da grande Belo Horizonte.
O presidente do Sindieletro afirma que a Cemig convoca, em regime de mutirão, equipes de trabalhadores do interior para aumentar o efetivo da capital. “Esses trabalhadores ficam em Belo Horizonte durante 15 dias e, em seguida, novas turmas vão chegando sucessivamente, em regime de revezamento. Tudo porque a Cemig considera a capital a vitrine da empresa, onde seus atos têm maior repercussão”, diz Celso Marcos Primo. “Para a Cemig é mais viável que uma cidade do interior fique dois, três dias sem energia elétrica do que a capital”, acrescenta.
Celso Marcos Primo afirma que essa atitude da Cemig reduz drasticamente as equipes nas cidades do interior. Desta forma, quando há problemas no fornecimento de energia, o restabelecimento do fornecimento leva muito mais tempo do que ocorreria em uma situação dentro da normalidade. O Sindieletro denuncia, ainda, que esses mutirões com trabalhadores do interior serão mantidos até o final das chuvas, ou seja, até março de 2011. “Enquanto isso o interior do Estado ficará à mercê da da própria sorte, diante da indisponibilidade de mão-de-obra para restabelecer quedas de energia, o que é inadmissível”, critica Celso Primo.
O presidente do Sindieletro diz ainda que a falta de planejamento da Cemig obrigou a adoção das medidas prejudiciais ao interior. Ele diz que além da drástica redução de pessoal, ainda há as terceirizações do serviço. Acrescenta que a empresa vem promovendo programas de desligamento de trabalhadores, sem a contratação de novos empregados. Celso Primo diz que faltam trabalhadores e que dentro das atuais circunstâncias, a prestação de serviços está altamente prejudicada, podendo causar graves danos em caso de cortes no fornecimento.
VEREADORA PEDE REUNIÃO – Para Heloisa Cerri, as denúncias são muito graves e precisam ser investigadas. Além disso, a vereadora entende que a sociedade divinopolitana espera uma resposta para os constantes cortes de energia que ocorrem independente das condições climáticas. “Ninguém cobra a Cemig. A empresa faz o que bem quer, o governo do município fecha os olhos e o povo, que paga a energia mais cara do país, não tem uma prestação de serviços decente”, diz a vereadora do PV.
Para a reunião solicitada pela vereadora Heloisa Cerri no próximo dia 24, além de diretores da regional da Cemig, também serão convidados os respresentantes dos hospitais, entidades de classe e entidades patronais. Além do consumidor residencial, o consumidor industrial vem sofrendo prejuízos com as frequentes interrupções no abastecimento. “Esta reunião é um encontro muito importante, que precisa da participação de todos para que a Cemig perceba que a sociedade divinopolitana está se mobilizando contra os abusos que estão sendo cometidos”, finaliza a vereadora Heloisa Cerri.





