Neste ano, a indústria nacional comemora sua subida no ranking mundial. O país figura entre os quatro maiores produtores e vendedores globais do setor, o que despertou uma corrida de investimentos, semelhante à explosão dos anos 90, quando diversas marcas se instalaram por aqui. Se no início da década, as “newcomers” aplicaram seus recursos na construção de suas plantas, a atual palavra de ordem é expandir a capacidade produtiva de forma sustentável, para não transformar o segmento em uma bolha. Este foi o mote por trás de cada lançamento.
O apetite por uma fatia maior deste bolo não se restringe às marcas recentemente instaladas e importadores. As quatro grandes, representadas por Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford, que respondem por mais de 70% do mercado brasileiro, garantem que ainda há espaço na barriga para mais um pedaço. Tanto que, juntas, devem injetar nos próximo cinco anos mais de R$ 15 bilhões no país, que serão gastos na ampliação das fábricas, desenvolvimentos de tecnologias e lançamentos de novos modelos.
“O Brasil deve fechar o ano com 3,4 milhões de veículos comercializados, entre automóveis de passeio e comerciais leves, e um volume de exportação de pelo menos 750 mil unidades, o que o coloca em posição de destaque no cenário global. No entanto, é preciso investir em formas de produção mais eficientes, já que os custos ainda são elevados devido aos insumos, como o aço”, disse o presidente da Ford, Marcos Oliveira. “Estamos trabalhando na estratégia de plataformas globais para garantir rentabilidade e preços finais compatíveis com o poder de compra do consumidor”, completa.
A nova geração do jipão Edge, por exemplo, chega mais equipada e com valor inicial de R$ 122 mil, comprovando esta filosofia.
Fiat revela médio-compacto Bravo
A Fiat, que recentemente havia anunciado investimentos de mais de R$ 6 bilhões para a expansão de sua capacidade de produção, hoje quase no limite, mostra o conceito Mio, que coloca o país entre os criadores de tendências e tecnologias. “Esse carro servirá de base para aplicação de novos recursos no futuro. Há diversas tecnologias embarcadas que já usamos em nossos produtos, como sistemas de interação com os ocupantes. Outras deverão chegar em breve ao mercado”, explica o assessor técnico da marca italiana, Carlos Henrique Ferreira.
Mas a grande estrela da marca no salão é o Bravo, que finalmente chega ao Brasil para substituir o cansado Stilo. Oferecido com duas opções da motorização, o flexível E-torQ 1.8 litro 16V de 132 cv e o T-Jet de 152, o modelo chega para brigar no segmento dos médios ao lado de Ford Focus e Hyundai i30. Como suas vendas só começam no final do ano, seus preços só serão divulgados em meados de novembro.
A Chevrolet, por sua vez, teve como destaques a apresentação do Camaro, que desembarca por aqui na versão topo de linha, SS, com motor V8 de 432 cv por R$ 185 mil. E o presidente da GM na América Latina, Jaime Ardila, lançou um desafio. “Quem encontrar um carro com mais de 400 cv abaixo desse preço, pode me procurar para um desconto”, brincou executivo, ressaltando a relação custo/potência do esportivo.
Para VW assumir a liderança mundial, “Brasil é fundamental”
No Salão do Automóvel em São Paulo, no estande da General Motors, marcou a volta de um velho conhecido, ao portfólio da Chevrolet, o Omega, que há mais de um ano teve sua importação suspensa. O sedã executivo, faz sua reestreia com a série Fittipaldi, em que a principal novidade é o salto de potência do motor V6, que passa a fornecer quase 300 cv. Seu preço sugerido, de R$ 128 mil, também promete devolver o gigante australiano ao seu posto de origem como o modelo executivo mais vendido do país.
A Volkswagen anunciou, com orgulho, que alcançou o segundo lugar no ranking mundial das marcas no primeiro semestre deste ano e que seus planos são de assumir a liderança do setor em breve. Para isso, é fundamental que haja um investimento no mercado brasileiro. “Até 2014, vamos aplicar R$ 6,2 bilhões no desenvolvimento de tecnologias e na expansão de nossas linhas de montagem” disse o presidente da VW, Thomas Schmall, que prevê crescimento entre 4% e 6% da indústria nacional em 2011. “Vamos crescer menos que alguns mercados asiáticos, mas o que importa é uma evolução sustentável e constante”, observa o executivo alemão.
O principal lançamento da marca é o novo Jetta, que chega ao Brasil com motorização 2.0 TSI de 200 cv, a mesma que já equipa o Tiguan, além de Audi A4 e Q5. O sedã, que compete no segmento dos médios de luxo, ao lado de Ford Fusion e Hyundai Azera, ganhou mais 7 centímetros de entre-eixos, assim como novos equipamentos. Outras novidades são a versão com cabine simples do picape Amarok e um protótipo com base no seu picape leve, batizado de Rocket.
Trata-se de uma versão cupê do Saveiro equipada com o mesmo motor turbo de 140 cv, usado pelo Polo GT europeu. Já, no cenário corporativo, Schmall aproveitou o salão para apresentar a nova vice-presidente de vendas e marketing, Jutta Dierkes, que chega para assumir a cadeira de Flávio Padovan.
Briga esquenta no pelotão intermediário
Se as quatro primeiras posições no ranking nacional de vendas estão devidamente consolidadas, a briga esquenta no pelotão intermediário. A Hyundai, que no lançamento do Sonata, anunciou que pretende a chegar a um volume comercial de 300 mil unidades, em 2013, número superior ao alcançado pela Ford, em 2009. “Queremos a liderança no segmento de automóveis”, afirmou a diretora de Marketing, Laura Formentin, demonstrando apetite megalomaníaco do grupo Caoa.
Já a Nissan, que sempre teve desempenho modesto no mercado nacional, aposta no compacto March para ampliar seu desempenho. Enquanto isso, sua irmã francesa, Renault, apresentou o Fluence, na expectativa de se firmar no segmento de sedãs médios, feito que o Mégane nunca conseguiu. E como o carro chefe da marca tem sido o Sandero, o fabricante fez a estreia da versão GT-Line, na tentativa de cativar um perfil de consumidores que buscam esportividade.
A Mitsubishi, por sua vez, anunciou que vai investir R$ 1 bilhão na expansão da capacidade produtiva da planta de Catalão, em Goiás, onde pretende fabricar o utilitário esportivo (SUV) Pajero Dakar, já no primeiro semestre de 2011, assim com o jipe compacto ASX, a partir de 2012. Antes disso, ele chega ao país, importado, por R$ 80 mil. Outro modelo que também sairá da unidade goiana é o sedã Lancer, que vem para brigar no segmento de médios.
Sem pretensões imediatas de instalação no país, mas com disposição de ganhar mercado, a Kia mostra as versões hatch e cupê, Koup, do Cerato, além do Soul equipado com motorização bicombustível.
Só faltou biscoito da sorte
Quem tinha dúvidas sobre a sobrevivência das marchas chinesas no Brasil pode ver, no Salão do Automóvel, que nem São Jorge desgrudará as garras do dragão do mercado nacional. Nesta edição, são nove fabricantes, com veículos para diversos segmentos. Uma das propostas mais arrojadas é da Chery, que já anunciou que vai construir uma fábrica brasileira com capacidade anual de produção superior a 150 mil unidades. O subcompacto QQ é o modelo mais cotado para inaugurá-la. Antes disso, o carrinho chega importado, com preço de R$ 22.900 e completo.
Quem aposta alto nas vendas dos chineses é o “mago” da matemática Sérgio Habib, que no passado convenceu o consumidor brasileiro a comprar Citroën pelo preço de Mercedes-Benz e, agora, quer vender o chinês JAC ao preço de um Citröen. Entre os modelos que chegam ao Brasil, está a linha J3, nas versões hatch e sedã, que deverão custar R$ 37.900 e R$ 39.900, respectivamente.
“Todos esses carros serão completos e não há opcionais. Um Fia Palio, com a mesma configuração de equipamentos, como freios ABS e duplo airbag, custa bem mais que R$ 40 mil”, afirma Habib. Para comprovar que o carro é porreta mesmo, Habib apontou que o J3 rodou mais de 1 milhão de quilômetros em território brasileiro e garante que seu motor 1.4 litro 16V de 108 cv, de apenas 80 quilos, tem durabilidade de 280 mil quilômetros – será?
A Liffan, por sua vez, montou seu estande do lado da Mini, justamente para apontar a semelhanças entre o 320 e o Mini Cooper. A inspiração no clássico inglês é evidente, com direito a lanternas com o mesmo formato e para-choque traseiro com a mesmíssima grade perto do escape, mas as peculiaridades param por aí. Enquanto o Cooper utiliza motores de 120 e 175 cv, o chinesinho tem propulsor 1.3 litro 16V de 88 cv. Se o modelo britânico não sai por menos de R$ 89 mil, o chinesinho custa apenas R$ 29.900. Também por dentro, ele passa longe do Mini, é claro.
A marca ainda traz para o Brasil o sedã 620, que até tem visual agradável, bem diferente do 320, ao preço de R$ 39.980. Mas quem vê cara não vê qualidade. Enquanto visitávamos o estande da marca, um funcionário que dava retoque no polimento, passou sua flanela sobre a maçaneta, que soltou parte da moldura cromada. Isso não significa que o carro seja todo ruim, mas dá para deixar preocupado. Mesmo assim, a marca pretende comercializar 2.500 unidades de toda sua linha, em 2011.
Fonte: Hoje em Dia
Foto: Hoje em dia- Marcelo Ramos






