Breno Resende Lucchesi Mourão, 37 anos, filho do empresário assassinado, é apontado pelo delegado Leonardo Pio, que preside o inquérito, como sendo o mandante do crime. Ele está preso desde o dia 8 de outubro, no presídio Floramar, em Divinópolis, juntamente com outros cinco suspeitos: Luiz Felipe Gonçalves do Nascimento e Alexander de Freitas Mendes, ambos com 21 anos; Saulo Cândido Castilho, 19 anos; Wilian Adriano de Castro, 33 anos e Anderson Fernando Silva, 24 anos.
No entanto, esses dois últimos tiveram soltura pedida pelo próprio delegado, mesmo que no ofício encaminhado à Justiça, ele afirme que os dois tiveram participação no crime.
O mesmo pedido não foi feito aos outros três suspeitos, nem ao suposto mandante (Breno), por ser atribuído a ele, segundo o delegado, a frequente dedicação à empreitadas criminosas, de acordo com o inquérito, fato que a família e a defesa negam. O mérito da solicitação não foi julgado até a tarde desta terça-feira (26).
Na tarde de segunda-feira (25), foi apresentado o resultado de um laudo, realizado no dia 8 de outubro, dois dias após a prisão, que comprova que Wiliam sofreu agressões na cabeça. O pedido de habeas corpus, impetrado na última semana pelo advogado de defesa de Breno Mourão, ainda não foi julgado pelo TJMG, o que pode ocorrer, segundo Leonardo Bandeira, na próxima semana.
Advogado julga inconsistente o inquérito
O defensor disse achar que o inquérito policial é inconsistente. “É uma brutalidade o que está sendo feito. O delegado elegeu um culpado, e agora procura meios de justificar a culpabilidade de Breno. Já solicitamos diligências de testemunhas que poderiam ajudar na elucidação do crime, mas nada foi feito, o que é, no mínimo, estranho”, argumenta Bandeira, que garantiu já ter solicitado ao Ministério Público que interceda no caso. “Isso por só ter a lamentar como esse inquérito está sendo conduzido”, disse o advogado.
O caso se tornou uma verdadeira batalha entre a polícia e a defesa de Breno. Depoimentos de testemunhas de defesa do empresário não foram anexados ao inquérito.
Delegado mudou suspeita sobre identidade do assassino
Os defensores de Breno Mourão questionam também o delegado Leonardo Pio quando ele aponta a autoria do assassinato de Dinho Mourão. Em entrevista coletiva concedida no dia da prisão, o delegado afirmou categoricamente, quando perguntado se tinha convicção da participação de cada um dos suspeitos no crime, que o executor do empresário era Saulo Cândido Castilho, mais conhecido como “Saulinho”. No entanto, na última quinta-feira, o policial mudou a versão, e apontou Luiz Felipe Gonçalves do Nascimento, o “Felipinho”, como sendo o autor.
No inquérito, que até a semana passada possuía 140 páginas, também é colocado, segundo depoimento de um dos acusados, que o empresário vinha mantendo relações sexuais com outros suspeitos, e por isso, teriam acesso fácil ao interior do hotel onde Dinho Mourão residia desde janeiro, depois que se separou da segunda mulher, com quem tem dois filhos. Contudo, nenhum exame pericial foi feito no corpo da vítima, e familiares e a defesa contestam veementemente a possibilidade de o empresário ter mantido relações homossexuais. O delegado havia descartado a possibilidade de participação de algum membro da família no crime.
A reportagem vem buscando contato com o delegado Leonardo Pio (foto) desde a última sexta-feira. No dia, quando procurado na delegacia, a informação foi de que ele já teria deixado as instalações. Na segunda, a justificativa foi de o policial estava cumprindo folga por causa do dia do servidor, a ser comemorado na quinta-feira.
Nesta terça, a delegada Aparecida Dutra informou que Pio solicitou folga de dois dias para fazer a relatoria do inquérito. A reportagem tentou também falar por telefone com o delegado, mas não foi atendida. A delegada regional não quis responder às perguntas da reportagem, por não estar presidindo o inquérito. “Não posso falar de fragmentos das investigações, sob pena de atrapalhar a conclusão do inquérito e a investigação paralela que vocês (da imprensa) estão fazendo”, disse Aparecida Dutra.
Geraldo Lucchesi Mourão foi encontrado no interior de um veículo de sua propriedade no último dia 12 de agosto, às margens da MG-050, estrada que cruza a cidade. Mourão foi atingido por três tiros à queima-roupa (um no abdômen e dois na cabeça).
Fonte: Hoje em Dia
Foto: Thalles Ikaro/Arquivo Divinews





