O Atlético levou a melhor no último clássico do ano e também da década. Mortal nos contragolpes, o Galo venceu o Cruzeiro por 4 a 3, neste domingo, no Parque do Sabiá, em Uberlândia. O destaque foi Obina, com três gols, todos no primeiro tempo, com Gilberto diminuindo. Na etapa final, Réver ampliou o placar e Thiago Ribeiro descontou duas vezes. O Alvinegro ignorou o fato de atuar só com cruzeirenses no estádio, suportou bem a pressão do time celeste, mostrou eficiência e velocidade nas saídas de bola, para somar três pontos fundamentais no Campeonato Brasileiro.
Como prêmio, o Galo subiu na classificação e, depois de 21 rodadas, deixou a zona de rebaixamento do Brasileiro. Com 34 pontos, o Atlético empurrou o Vitória para a região da degola. O Alvinegro está empatado com o Rubro-Negro baiano, mas leva vantagem por ter duas vitórias a mais – 10 a 8. O Cruzeiro parou nos 54 pontos, mas perdeu a liderança para o Fluminense, na frente dos celestes pelo saldo de gols.
Na próxima rodada do Brasileiro, o Galo terá como adversário o Botafogo, sábado que vem, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas. Antes, na quarta-feira, o Alvinegro terá o primeiro duelo contra o Palmeiras, no mesmo local, pela Copa Sul-Americana. O Cruzeiro terá mais uma semana inteira de treinos, para se recuperar no Nacional. O time só volta a campo contra o Grêmio Prudente, sábado, em Presidente Prudente-SP.
O jogo
A chuva constante em Uberlândia, neste domingo, atrapalhou a torcida, mas não impediu que o clássico fosse movimentado. Com uma formação mais ofensiva, o Atlético surpreendeu o Cruzeiro com investidas em velocidade, sempre nas costas dos laterais e do zagueiro. O time celeste se lançava ao ataque, mas deixava espaços nos contragolpes. E o Galo aproveitou bem. Logo aos 6min, Leandro escapou pela esquerda e cruzou. Obina desviou de cabeça, a bola ainda tocou no travessão de Fábio, antes de entrar: 1 a 0.
O Cruzeiro tentou se recuperar do susto, sempre com Montillo, jogador mais lúcido. O time celeste até conseguia coordenar as jogadas ofensivas, mas falhava nas conclusões. O Atlético reforçou o combate no meio e cedeu campo ao adversário, procurando chegar nos contra-ataques. Com Tardelli e Obina, o Alvinegro sempre tinha um homem fixo na área do rival, o que incomodava os zagueiros azuis. Além disso, o Galo chegava com muita velocidade, com vários jogadores à frente. E foi assim que nasceu o segundo gol.
Aos 23min, Rafael Cruz recebeu pela direita e cruzou. A bola passou por Edcarlos e Renan Oliveira, mas Obina não perdoou e emendou para as redes de Fábio: 2 a 0. Imediatamente, o técnico Cuca preparou a primeira alteração, com Gilberto no aquecimento. Mas o Cruzeiro poderia ter diminuído aos 27, quando o árbitro marcou pênalti de Werley sobre Edcarlos. Na cobrança, Montillo correu cheio de estilo, porém, tocou na bola de forma bisonha, tentando a famosa ‘cavadinha’. Acabou errando o alvo, chutando sobre o gol.
No contra-ataque, o Atlético novamente surpreendeu. Serginho chegou à área e chutou rasteiro, para conclusão de Obina, embolado com o zagueiro: 3 a 0, aos 30min. A partir daí, o Cruzeiro começou a pressão, que duraria até o fim do primeiro tempo. Gilberto substituiu Diego Renan e, logo no primeiro lance, diminuiu o placar. Thiago Ribeiro fugiu de Werley e cruzou para conclusão certeira do armador/lateral, no ângulo de Renan Ribeiro: 3 a 1. Com a torcida animada, a equipe celeste foi para cima, mas a defesa alvinegra resistiu.
Fortes emoções
O segundo tempo começou com o Cruzeiro tomando a iniciativa, enquanto o Atlético se fechava para sair em velocidade. O time celeste poderia ter diminuído logo aos 9min, quando Farías recebeu ótimo passe de Gilberto e chutou para excelente defesa de Renan Ribeiro. O técnico Dorival Júnior, preocupado em não perder o meio-campo mexeu pela primeira vez, trocando Renan Oliveira pelo volante Alê. Mas o Galo, muito recuado, passava por fortes emoções na defesa, já que o time celeste, jogava do meio para a frente.
Aos 18, mais uma chance perdida pelo Cruzeiro, com Marquinhos Paraná, em bobeira da zaga alvinegra. O Atlético mal conseguia passar do meio-campo, enquanto os celestes avançavam todos os volantes, mesmo correndo riscos. Só que foi o Alvinegro quem fez o quarto, aproveitando bem a ‘bola parada’. Serginho cobrou escanteio da esquerda e Réver, mesmo no sacrifício, depois de levar um pisão no pé, subiu mais que os marcadores e desviou de cabeça, para fazer o quarto e aliviar o time: 4 a 1.
O Cruzeiro sentiu o golpe e, mesmo com a entrada de Roger, já não conseguia chegar à frente com eficiência. O time azul pressionava, contudo, não estava em noite inspirada. Só mesmo uma série de vacilos do adversário para facilitar as coisas para os celestes. E a defesa do Galo contribuiu. Thiago Ribeiro marcou duas vezes, aos 32 e 34min, levando esperança para a torcida no fim do clássico. Dorival mexeu e tentou segurar o ímpeto do rival, trocando Diego Tardelli por Daniel Carvalho, mas não deu certo. Os últimos instantes foram de drama total e emoções fortes para os dois lados.
FICHA TÉCNICA
CRUZEIRO 3 X 4 ATLÉTICO
Cruzeiro
Fábio; Jonathan (Pablo), Edcarlos, Cláudio Caçapa e Diego Renan (Gilberto); Fabrício, Henrique, Marquinhos Paraná (Roger) e Montillo; Thiago Ribeiro e Farías
Técnico: Cuca
Atlético
Renan Ribeiro; Rafael Cruz, Réver, Werley e Leandro; Zé Luís, Serginho, Renan Oliveira (Alê) e Diego Souza (Joedson); Diego Tardelli (Daniel Carvalho) e Obina
Técnico: Dorival Júnior
Estádio: Parque do Sabiá, em Uberlândia-MG
Data: domingo, dia 24
Árbitro: Sandro Meira Ricci (DF)
Assistentes: Márcio Eustáquio Santiago (MG) e Guilherme Dias Camilo (MG)
Cartões amarelos: Diego Renan (CRU), Werley, Réver, Obina, Zé Luís, Daniel Carvalho (ATL)
Gols: Primeiro tempo – Obina, aos 6, 27 e 30, e Gilberto, 37min; Segundo tempo – Réver, 21, Thiago Ribeiro, 32 e 34min
Motivo: 31ª rodada do Campeonato Brasileiro 2010
Pagantes: 18.132
Renda: R$ 462.347,50
Fonte:Superespostes





