Os argentinos receberam com surpresa o fato de que haverá segundo turno no Brasil para definir quem será o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A notícia de que a petista Dilma Rousseff terá que enfrentar o candidato do PSDB, José Serra, no próximo dia 31 de outubro estampou as manchetes dos principais jornais do país vizinho nesta segunda-feira (4).
Jornaleira da banca que fica na esquina das avenidas Corrientes e Scalabrini Ortiz, em Buenos Aires, Daiana Bustamante, de 20 anos, conta que a procura por notícias do Brasil é grande.
– Percebo muito interesse no Brasil. Além de ser um país vizinho, é uma potência não só no futebol como na economia. O povo argentino quer saber o que se passa lá.
O pianista Fernando Marzan, de 43 anos, foi um dos que apareceram na banca para comprar seu exemplar do importante diário Clarín, que trouxe a manchete “Ganhou a candidata de Lula, mas há segundo turno”.
Marzan contou que ficou surpreso com o resultado das urnas, já que acreditava que Dilma venceria neste domingo (3). Admirador do presidente brasileiro, ele revelou que seus pais viram recentemente o filme Lula, o Filho do Brasil, em cartaz nas salas argentinas há pouco mais de uma semana.
Meus pais ficaram impressionados coma história de vida do Lula. Ele tem meu apoio. Se 80% da população brasileira está com ele, é porque ele faz as coisas certas. Aqui é difícil um político passar de 30% de aprovação.
A postura de Lula no cenário internacional é outro motivo que faz alegrar o pianista, de postura claramente esquerdista. Para ele, Lula mostra que “os países latino-americanos devem se unir mais” e não apenas “se submeter aos Estados Unidos, os inimigos de fato”, na visão do músico. Quando questionado sobre quem deseja que vença as eleições, Marzan não deixa dúvidas.
– Claro que é a candidata de Lula [Dilma Rousseff]. Se ganha o de direita [em referência a José Serra], eu me mato [risos].
Jornais apostam em vitória petista e destacam Marina
Os jornais argentinos demonstraram também acreditar bem mais em uma vitória de Dilma do que de Serra. O diário Página 12 estampou a manchete “O segundo turno tem cara de mulher”. O La Nación estampou: “Dilma triunfou claramente, mas haverá segundo turno”.
O bom desempenho da candidata do Partido Verde, Marina Silva, também teve destaque nos jornais locais. O Clarín disse em sua primeira página que “a surpresa das eleições foi Marina Silva, que obteve 20% dos votos”. O La Nación seguiu a mesma linha, dizendo que “a ecologista Marina Silva, a grande surpresa, teve 19,3%, e que os votos de quem a escolheu agora são cruciais”.
Em artigo publicado no Clarín, a jornalista Paula Lugones chama Marina de “a Obama do Brasil” e destacou as voltas do mundo político, que fazem com que o governo Lula – do qual ela foi ministra e ao qual resolveu abandonar por divergências políticas – agora precise crucialmente do apoio dela.
– Marina saiu do Ministério do Meio Ambiente porque Dilma ganhou influência e lhe tirava poder. Agora, Dilma precisa de Marina.
Em outra análise publicada no jornal Clarín, a jornalista Eleonora Gosman disse que “o resultado do primeiro turno não faz mais do que estender a agonia da oposição”.
A revista Newsweek Argentina desta semana estampa o rosto de Dilma sorridente em sua capa – formado pela união de várias fotografias pequenas de Lula –, que diz em sua chamada: “Dilma Rousseff, feita por Lula: herdeira do presidente de maior êxito na história do Brasil tem em suas mãos o futuro de seu país (e da América Latina)”.
Na votação deste domingo, a petista obteve 46,9% dos votos válidos, contra 32,61% de Serra. Resta agora aos argentinos acompanhar os acontecimentos no Brasil até 31 de outubro e ver se estão certos em suas previsões.
Fonte :R7






