“Vade retro, Tucanás” ou “Até o álbum de fotografias da oposição é melhor” – É o inicio da guerrilha dos candidatos e adeptos na internet

Publicado por: suporte


Os ataques vêm com tudo – O blog PAUTA EM TEMPO, contra Dilma Rousseff, escreve: “Até o álbum de fotografias da oposição e melhor” – Já o CARTA MAIOR “ contra José Serra, “Vade retro, Tucanas”
A agitação na grande rede mundial de computadores está efervesceste. Para conseguir seguidores no twitter vale tudo.
Mas lembrem-se a guerrilha cibernética vai acontecer em todos os fronts, facebook, linkeding, Orkut, MSN, Youtube, e-mail e e-mail marketing, entre outros. O site do candidato nem conta

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Até o álbum de fotografias da oposição é melhor

Alguém deveria dar um álbum de figurinhas da Copa para dona Dilma. Repare lá na primeira página do mega-sucesso de vendas deste outono: a multinacional que o edita permite a qualquer mortal despontar entre as estrelas do futebol mundial. Qualquer Zé Mané pode ter seu cromo impresso em material adesivo. Até eu! Até ela!

O álbum de figurinhas da Copa do Mundo é a solução para o problema de escassez biográfica da petista de almanaque. Com ele, dona Dilma poderá, enfim, entrar no panteão dos grandes, pelo menos no mundo do futebol em forma de papel autocolante: Kaká, Messi, Cristiano Ronaldo. E poderá deixar em paz gente como Norma Benguell, cuja trajetória o pessoal da candidata do PT tentou “tomar emprestado”. Fica mais baratinho comprar a figurinha personalizada: o cupom vem junto com o álbum, que custa R$ 3,90.

É constrangedora a dificuldade que a candidata a presidente da República ungida por Lula tem para mostrar a que se presta e quais credenciais tem para exibir aos eleitores brasileiros. Talvez já seja conhecido por todos o mais recente episódio desta saga muito além do jardim às avessas – ao contrário de Chance, o jardineiro, o que Dilma diz passa a ser cada vez mais interpretado como idiotice mesmo e não como sabedoria em estado puro vinda da boca de um néscio. Mas não custa rememorá-lo.

Dias atrás, o site de campanha de dona Dilma postou, como parte de uma espécie de cineminha da vida da candidata, uma foto da atriz Norma Benguell na conhecida Passeata dos 100 mil, ocorrida no Rio. Foi uma maneira sutil de tentar associar, por meio de forçada parecença, a ex-guerrilheira à imagem da artista, que, assim como parte considerável da elite cultural brasileira, esteve na manifestação para protestar democraticamente contra o regime militar em 1968. Dilma não estava lá, ocupada que estava estudando manuais maoístas de guerrilha – a esquerda “casca dura” da qual ela fazia parte era contra manifestações como a passeata, relembra Ruy Castro na Folha de S. Paulo de hoje.

A campanha de Dilma, mais uma vez, tentou produzir falsificação. Não é a primeira, e, dado o desespero que se abate com a descoberta dos defeitos de fabricação da ciborgue-candidata, certamente não será a última. Se Dilma não tem biografia condizente para disputar a presidência, que se invente uma. Se não tem currículo acadêmico, que se forje um mestrado e mesmo um doutorado. Sem habilidade para falar respeitosamente com repórteres? Entrevistas pré-gravadas neles! E por aí vai.

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A candidatura da oposição tem biografia de sobra pra mostrar. Dá até para emprestar umas fotografias para a campanha de dona Dilma. Lá se verá José Serra comandando a combativa UNE pró-reformas de base nos anos 60 (não esta gelatina anestesiada com milhões de ervanário público que hoje vaga por aí). Ao lado de líderes progressistas históricos, como Miguel Arraes e Leonel Brizola. Fazendo teatro com José Celso Martinez – até isso, caramba!

Do álbum, também saltarão fotos de José Serra nos seus 13 anos de exílio, ao lado de gente como Maria da Conceição Tavares, Carlos Lessa e Aníbal Pinto. Na volta ao país, nos comícios pela redemocratização do país. Ao lado de Tancredo Neves, já eleito, preparando seu programa de governo. Na equipe que discutia o Plano Real; na cadeira do ministro que criou os genéricos, que permitiram a milhões de brasileiros curar a saúde. Como prefeito da maior cidade do país e como governador do maior estado brasileiro. Acho que Serra não precisa do meu álbum de figurinhas da Copa…

‘Dilma Benguell’ não é um alienígena no script petista. É parte integrante do manual de composição da personagem. Dia sim, dia também, dona Dilma tem de fingir ser o que não é. Mas, até agora, nas poucas semanas em que pudemos vê-la longe das asas do presidente, os brasileiros nos deparamos com alguém que vaga “feito ectoplasma sem conseguir a incorporação adequada”, nas palavras de Dora Kramer a respeito da impagável participação da petista no ‘Brasil Urgente’ de José Luiz Datena.

Será preciso muito mais do que inventar uma biografia falsa para Dilma conseguir vencer – até Lula já se queixou dos “raciocínios sem conclusão” da ciborgue. Em curto-circuito, a candidata terá que passar por um verdadeiro recall, que inclui até sessões de fonoaudiologia para que seus pronunciamentos sejam mais leves, ou, para sermos mais precisos, minimamente compreensíveis.

Pré-programada, agora dona Dilma também precisará falar “cê”, ao invés de dizer “você”, tchê – em mais uma tentativa de mostrar quão mineira ela é, uai. A encruzilhada brasileira parece ser entre, de um lado, um candidato de carne e osso, com toda uma vida pública a mostrar, e, do outro, a figurinha que o PT, no seu aloprado laboratório, inventou para ser candidata – e que o Correio entrega em qualquer lugar do Brasil; é só enviar o cupom preenchido.


Vade retro, Tucanás!

A fórmula tradicional do exorcismo se aplica a essa crendice grotesca de que “o que há de bom no governo Lula, o Serra vai continuar”.

Pois o que há de bom no governo Lula é o que tucano detesta: transferência de renda (imagine se fosse redistribuição!), política energética de longo prazo, diálogo ambiental, política social como definida como investimento e não como gasto público, ampliação do ensino superior, aumento real do salário mínimo (isso, então, dá urticária em tucano). E também política externa independente, é claro.

O ideal para o tucanato é algo como o governo Dutra de antigamente, que deixou o povão cinco anos sem um único reajuste sequer do salário mínimo. E que se alinhava com a “direita moderna” no plano internacional.
“Diz-me quem és, e te direi com quem vais andar”, diz uma adaptação adequada de outro tradicional ditado popular. Afinal, por exemplo, a oposição em peso votou contra a entrada da Venezuela no Mercosul, até mesmo contra a própria oposição venezuelana, cujo líder veio a Brasília implorar pela adesão. Já imaginaram um tucano da gema aplaudindo aproximação com Venezuela, Bolívia, Uruguai, Equador, etc.?

O sentimento tucanês é o de que existe um mundo “civilizado”, para o qual o Brasil deve voltar completamente o rosto e tudo o mais. Esse mundo “civilizado”, exemplar, é a parte “civilizada” da Europa, dos Estados Unidos e, quando muito, do Japão. Ideal político tucânico privilegia o que os diplomatas enunciam como o “circuito Elizabeth Arden”, formado por Londres, Paris, Roma e Washington. O resto? Imagine! África? Nem pensar. América Latina? Coisa de bugre! Ou então de caudilho hispano-hablante. Claro, para esse mundo tucanopensante, já há ou houve alguns indícios de civilização neste terceiro mundo, como nos bairros periféricos de Johannesburgo, habitados pelos herdeiros ou descendentes do apartheid, ou gente como Piñera, no Chile, Vargas Llosa no Peru, Uribe na Colômbia, Vicente Foz no México, e assim por diante.

O problema é conceitual e é bem antigo, mas agora se agravou. É claro que para esse mundo o problema central se deu no momento em que o presidente Geisel colocou Azeredo da Silveira nas Relações Exieriores, provocando a ascensão dos então chamados “barbudinhos” no Itamaraty. Havia de tudo entre os “barbudinhos”, até os que não usavam barba, mas eles eram, sobretudo, de uma geração diferente da que se alinhava automaticamente com a direita mundial nos tempos da Guerra Fria. Houve quem se alinhasse mais com a política de Sarney, ou de Fernando Henrique, e tinham todo o direito de faze-lo, assim como houve quem preferisse as inflexões que vieram à tona com o governo Lula, e também tinham todo o direito de faze-lo.

Acontece que o que era para ser uma inflexão tornou-se um estilo com vida própria, e fez o Brasil dar um salto no plano internacional. Como a imprensa mundial não liga muito para o que dizem os jornais reacionários do Brasil, para a maior parte da mídia internacional o Brasil é um sucesso social, econômico e político (e ela não poupa crítica a nossos problemas), sem falar no cultural.

Isso o espírito tucaneiro, contido em seu vulcão adormecido, não pode nem consegue engolir nem perdoar. Por isso, se o tucanês voltar a ser a linguagem do Planalto, a emenda vai ser pior do que o remendo. O governo Fernando Henrique vai parecer uma flor de independência, diante do que viria por aí, tal é a sanha de se “corrigir” os rumos do “populismo bonapartista” de Lula no exterior. E no interior do país também.
Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

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