A “bronca” do Jornal Estado de Minas agora é com a alimentação dos deputados mineiros – Tem parlamentar que usou a verba indenizatória em restaurante de Búzios ( A praia mais cara do Rio)

Publicado por: suporte

Segundo o Jornal, quem mais gastou foi o deputado Irani Barbosa (PMDB), que apresentou notas referentes a alimentação que somam R$ 24,1 mil. Os gastos do parlamentar não ficaram restritos a Minas Gerais. Pelo menos R$ 618,58 foram pagos a um restaurante e a uma lanchonete de Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, durante o recesso parlamentar de janeiro.

A resolução da ALMG que regulamenta os gastos com a verba indenizatória não permite que assessores almocem por conta da Assembléia. No entanto, funcionários da Vila Giannina, restaurante localizado próximo à ALMG, dizem que servidores do gabinete do deputado Vanderlei Miranda (PMDB) – justamente o que apresentou mais notas de alimentação do local – sempre pedem o comprovante. O deputado nega que elas sejam apresentadas. O uso dessa ajuda de custo para pagar alimentação de parlamentares e assessores é o tema desta sexta matéria da série Notas Frias S/A, publicada pelo Estado de Minas desde domingo.

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Dezembro e janeiro foram os meses em que o deputado Irani Barbosa mais gastou com alimentação. A despesa mais curiosa está exposta em duas notas referentes a gastos da primeira quinzena de janeiro: R$ 380,58 pagos ao restaurante Satyricon, no dia 10, e R$ 238 à confeitaria Gulf Stream, no dia 12, ambos os estabelecimentos localizados em Búzios. “Eu estava em atividade parlamentar. Fui me encontrar com deputados do Rio. Onde estiver em atividade, eu pago, seja Nova York, Búzios ou Paris”, disse o parlamentar, que passou boa parte de dezembro freqüentando restaurantes da capital mineira, sempre apresentando notas pelas refeições à Assembléia.

A maratona gastronômica começou no dia 3 em restaurantes de Belo Horizonte. A entrega ao prazer de comer ocorreu, de verdade, no fim do mês. De acordo com as notas divulgadas pela Assembleia, apenas em 22 de janeiro o deputado e seus convidados passaram por seis restaurantes. A nota mais modesta é de R$ 85. As outras seguem outro padrão: R$ 160,90 na Vila Giannina; R$ 319 na Pizzeria Marilia, R$ 640 no Kei Cozinha Japonesa, R$ 838,50 no restaurante da Câmara dos Vereadores, e, por fim, R$ 1.207,50 no tradicional Bolão de Santa Teresa. O valor da conta seria suficiente para pagar nada menos que 100 Rochedões, o prato mais conhecido do restaurante.

“Ajudo os meus funcionários com alimentação. Minhas despesas de restaurante eu pago com cartão de crédito pessoal, sem problema”, afirmou o deputado, que disse gastar com almoços ou jantares com autoridades. “Eu recepciono o pessoal, onde marcar, eu recebo. Tenho uma verba de representação para isso”, comentou o parlamentar, que classifica os gastos como “justificáveis” e dentro da “previsão legal e normativa”. Segundo ele, as notas mais altas não se referem a apenas uma refeição, mas a todas realizadas durante o mês.

Convidados
Quem também não vê qualquer problema no alto gasto do gabinete com alimentação é o deputado Vanderlei Miranda (PMDB). Sem saber que era gravada, uma funcionária do restaurante Vila Giannina, no Santo Agostinho, disse que pessoas do gabinete de Miranda pegam notas fiscais para apresentá-las à ALMG. “Eu preencho com o nome do deputado e coloco o endereço da Assembleia. De vez em quando, eles juntam os cupons e, depois, vêm buscar a nota fiscal”, disse a funcionária. Miranda negou a irregularidade e afirmou que todas as despesas apresentadas são referentes às suas refeições e a de seus convidados. “Se um funcionário pede uma nota, não significa que ele vá apresentá-la na Assembleia. A instituição inteira almoça naquele lugar”, afirmou. Das 114 notas da Vila Giannina indenizadas pela ALMG, 62 eram de Mirada.

Mesmo com a proibição de pagamento das despesas de alimentação de servidores com verba indenizatória, outros restaurantes no entorno da Assembléia faturam alto graças a esse adicional mensal. Apenas o Abrolhos, na Rua Araguari, recebeu R$ 12,6 mil em sete meses. O deputado Getúlio Neiva (PMDB) pagou R$ 7,5 mil dessa fatura. O Gardinus, localizado na mesma rua, recebeu uma quantia parecida: R$ 12,7 mil. O campeão dos gastos no restaurante foi o deputado Antônio Júlio (PMDB), com R$ 4,7 mil. As notas do Rodeio dos Pampas, também localizado perto da ALMG, totalizam R$ 7,5 mil. Os maiores clientes foram Ronaldo Magalhães (PV), com R$ 3,5 mil em gastos, e Domingos Sávio (PSDB), com R$ 2,1 mil.

Thiago Herdy – Estado de Minas
Publicação: 23/04/2010 06:26 Atualização: 23/04/2010 08:41

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