DN – Qual é a sua analise sobre a desistência do governador Aécio Neves como pré-candidato a Presidência da Republica? Ela é definitiva?
Considero que o governador Aécio Neves pensou no Brasil ao não manter o impasse entre ele e o governador de São Paulo, José Serra.
O impasse foi criado não por Aécio, mas por José Serra, embora ele (Serra) não assuma isto. O fato é que ele esta em todas as pesquisas, com grande intenção de votos, aparecendo sempre como primeiro colocado. E, como não recuou, manifestando a intenção em apoiar Aécio e sair como candidato a reeleição ao governo de São Paulo.
O governador Aécio, então compreendeu que adiar esta decisão para o mês de março seria arriscado, porque Serra pode se manifestar oficialmente dizendo que é candidato. Aí Aécio em pouco tempo teria que juntar os “cacos” e começar a construir sua campanha ao senado, além de ter que cuidar da campanha do seu sucessor.
Esta indefinição acabaria atrapalhando também o partido. Aécio então de forma sábia, tomou esta decisão, mas não fechou as portas.
Uma coisa é certa, Aécio será presidente da Republica agora ou no futuro. O governador se preparou e hoje é reconhecido como um estadista. Outra vantagem é sua idade, ele tem 49 anos. Se sua candidatura não se viabilizar agora ele tem tempo de esperar.
Com esta frase, ele deixou claro para o partido: “Não disputo a Presidência da Republica internamente, se houver mais de um candidato, eu não estou na disputa”
Agora estamos vendo um novo cenário político, que está se movimentando. É a possibilidade de Aécio ser vice do Serra. Dois grandes líderes, dos dois maiores colégios eleitorais do Brasil, São Paulo e Minas Gerais.
DN – Então pode haver uma chapa caseira com Serra e Aécio, o governador não tinha descartado esta possibilidade?
Pode, embora o governador Aécio insista em dizer que não pretende ser candidato a vice.
Do ponto de vista legal e político isto é permitido não há nenhum inconveniente, até porque o Democrata e o PPS já demonstraram interesse em coligar com o PSDB para disputar a presidência da republica.
Os partidos disseram que tem interesse em disputar espaço na chapa do PSDB, mas se o escolhido a vice-presidente for Aécio, eles abrem mão e continuam apoiando o PSDB na disputada a Presidência da República.
Ele disse que não aceita ser vice. Mas já deu uma ou duas declarações, que chegou a usar a expressão “que o meu futuro a Deus pertence, vamos aguardar”. Portanto ele ainda não se lançou candidato a senador, deixando de certa forma a porta aberta a ser vice
DN – Deputado em função da desistência do governador, é possível que o senhor venha a desistir da sua candidatura à Câmara Federal?
O meu nome está à disposição do partido como um pré-candidato, e foi debatido com o próprio governador, prefeitos da base e a população que acompanha o nosso trabalho. Chegamos à conclusão que é o momento certo para representar não só Divinópolis e região, mas, as cem cidades que atuo. .
Não há razão para mudar de idéia, isto porque venho trabalhando passo a passo com vereadores, prefeitos, deputados estaduais. Minha candidatura a deputado federal está amadurecida.
Se o governador Aécio for candidato a presidente, ótimo. Já se ele for candidato a senador até facilita, porque vai estar mais presente em Minas e não terá que cuidar de toda uma campanha nacional, podendo nos ajudar muito mais.
Neste momento estou empenhado em concluir o mandato de deputado estadual com dignidade, seriedade, trazendo benefícios para a cidade. Mas estou à disposição para ocupar uma cadeira na Câmara Federal e tentar levar para Brasília o mesmo espírito de luta e experiência que adquirimos ao longo desta trajetória política.
DN – Como o senhor imagina o cenário político em julho de 2010?
Vejo o vice-governador, professor Antônio Anastasia, exercendo o mandato de governador de Minas, ao mesmo tempo, sendo candidato a reeleição pelo PSDB ao governo. Hoje Anastasia é um pré-candidato. Até lá ele terá condições de crescer sua popularidade, porque tem uma rejeição muito baixa. Ele tem a seu favor uma grande competência na gestão da coisa pública, isto ajuda muito.
DN – Alguma possibilidade de aliança com o PT?
Não digo que é impossível, mas é pouco provável. Porque o PT já tem dificuldades internas que eles terão que superar. Eles tem dois pré-candidatos ao governo de Minas e recentemente na disputada da presidência estadual houve um acirramento de ânimos, com algumas declarações mais hostis entre os próprios membros do PT, que hoje tem dificuldades de se entenderem. Muito menos construir um entendimento com o PSDB.
O PSDB, hoje é oposição ao PT. Temos uma pratica e uma maneira de gerir as coisas públicas diferente do PT. Nossa pratica é espelhada no governo estadual, em Aécio Neves e no governo municipal, por Vladimir Azevedo.
Temos posições opostas e não vejo ser saudável democraticamente pensar em fazer uma aliança entre posições que hoje se colocam de forma bem opostas.
Outros partidos que ainda estão indefinidos poderão se coligar com o PSDB, o Democratas, o PPS, até o próprio PSB, o PV, partidos que estão muito próximos do PSDB estadual e que deverão estar conosco numa coligação apoiando o nosso pré-candidato professor Anastasia.
No cenário Nacional, a disputa deve ser polarizada entre a ministra Dilma, candidata do presidente Lula e uma candidatura liderada pelo PSDB, ao que tudo indica, neste momento, deverá ser a do governado de São Paulo, José Serra que vai representar uma nova maneira de governar o pais.
DN – Como é a conversa do PSDB com Ciro Gomes e o PMDB?
O deputado Ciro Gomes pode manter sua candidatura, é um nome de respeito. Mas é possível que sobre a pressão do presidente Lula, já que o PSB serva ao governo federal, assim como o PMDB, de certa forma está servindo ao governo federal. Esses dois partidos podem sofrer a pressão do Palácio para estarem aliados.
Nós já vimos este filme antes e isto acaba não se reproduzindo na íntegra, no dia a dia do cidadão e até dos líderes de tais partidos. Vereadores, prefeitos do próprio PMDB e até do PT caminhando em outra direção .
Olha o exemplo do governado Aécio Neves. Ele se candidatou a reeleição contra uma chapa que era uma aliança do PT com o PMDB e essa chapa não conseguiu sequer o apoio das bases dos dois partidos. Teve muitos prefeitos do PT e do PMDB declarando apoio ao Aécio Neves.
No último fim de semana participei de um evento em Santo Antonio do Amparo e vi prefeitos do PMDB declarar de antemão que pretendem apoiar o professor Antônio Anastasia, este apoio acontece em diversas outras cidades.
Não existe veiculação e nem fidelidade partidária, por isso, eu condeno a Câmara Federal por não ter tido a coragem e a disposição de vota a reforma política.
Não é a palavra do presidente nacional de um partido que vai comandar o voto do cidadão no interior. Eles vão decidir muito mais pelas características do candidato que pela decisão do partido.
DN – Deputado qual sua mensagem de fim de ano ?
É uma oportunidade de estarmos renovando nos nossos corações o ensinamento maior que Cristo nos deixou, que é o amor ao próximo.
Na vida pública estamos sempre sujeitos aos embates e às vezes com posições mais acirradas de oposição a esta ou aquela idéia, mas isto não pode contaminar o coração das pessoas e virar uma briga. A disputa deve ficar no campo das idéias.
O Natal é para celebrar com os amigos, mas é acima de tudo um momento de renascer no coração de cada um o exemplo e o ensinamento de Cristo.
Não pode ser só um momento de festas, prazeres, porque senão ele perde todo o significado, é o momento de nos reconciliarmos com Cristo com o amor ao próximo e construirmos a partir deste fundamento um futuro melhor. É isto que quero desejar a toda população e em especial aos internautas leitores do Divinews.
Feliz Natal e um Ano Novo de paz e amor
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