ESPAÇO MINAS ( A seguir entrevistas dos governadores)
O governador Aécio Neves inaugurou nesta segunda-feira (14), o Espaço Minas Gerais em São Paulo, que a partir de agora passa a ser o centro de referência para empresas e executivos do país e do exterior, agentes e operadores de viagens, com ações voltadas ao desenvolvimento econômico e turístico de Minas Gerais.
O Espaço de Minas Gerais no principal polo de negócios da América Latina, funciona em um casarão da década de 30, na rua Minas Gerais, esquina com avenida Paulista, no bairro Higienópolis, na capital paulista. Cerca de 300 convidados, entre empresários, políticos, artistas e profissionais do setor de turismo participaram da inauguração do espaço, celebrado com apresentações artísticas típicas de Minas Gerais.
“Essa casa parte de um pragmatismo absoluto. Todos nós sabemos e nos orgulhamos de ter São Paulo como o grande centro econômico e inspirador deste país. Também talvez o mais expressivo centro cultural do nosso país. Nós estamos buscando com esse gesto, acho que essa casa traz um simbolismo, maior até mesmo que a sua estrutura possa sugerir, é uma integração definitiva, o rompimento das fronteiras que separam São Paulo de Minas Gerais”, declarou Aécio Neves, em seu pronunciamento durante a inauguração do espaço.
A implantação do Espaço Minas Gerais era prevista no Plano Plurianual de Ações Governamentais de Minas Gerais, para o período de 2007 a 2011. A ideia nasceu no BH Convention & Visitors Bureau em 2005 e para se tornar realidade, contou com investimento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), um dos agentes financeiros do Espaço, juntamente com o Governo de Minas, para estimular a captação de novos negócios para o Estado.
Por meio do Fundo Multilateral de Investimentos (Fumin), o BID investe US$ 2,75 milhões no aumento da competitividade de Belo Horizonte como destino para o turismo de negócios e eventos. O programa conta com uma contrapartida do Governo de Minas, no valor de US$ 2,9 milhões, e é articulado pelas Secretarias de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) e de Turismo (Setur). Tem ainda como parceiro o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), responsável pela respectiva coordenação e execução. Desse total, R$ 1,1 milhão está sendo destinado ao Espaço Minas Gerais.
Economia mineira
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Robson Braga de Andrade, ressaltou a importância para a economia mineira agora contar com um espaço estruturado em São Paulo.
“Esta casa é de muita importância para levar investimentos para Minas Gerais, em várias áreas, principalmente turismo de negócios, mas também de permitir que o empresário mineiro possa fazer contatos, expor alguns produtos, fazer reuniões de negócios. Comissões estrangeiras que muitas vezes vêm ao Brasil e apenas a São Paulo, não tem condições de ir a outros estados, então a gente pode reunir com essas missões aqui. Isso tudo, tenho certeza, que vai desenvolver muito o turismo de negócios, ajudar na divulgação do potencial de Minas Gerais, da cultura, da história, das artes”, declarou o presidente da Fiemg.
Para mostrar o dinamismo e a contemporaneidade de Minas Gerais, o Espaço Minas Gerais terá uma programação que combinará eventos de negócios com agenda cultural, iniciativas para capacitação de pessoas e apresentação de produtos e serviços turísticos, entre outros.
“Nós temos que compreender que São Paulo é o principal centro econômico do país e nós queremos que os grandes empreendedores tanto do Brasil quanto de fora do Brasil aqui tenham espaço para conhecer as potencialidades de investimento no nosso Estado. Minas é hoje o Estado que mais cresce no país e tem que continuar dessa forma. Nós temos um potencial no turismo extraordinário, seja na Estrada Real, as estâncias hidrominerais, o ecoturismo e o mundo precisa conhecer melhor isso. Nada melhor do que, no grande centro econômico do Brasil, nós fazermos rodadas de negócios, reunirmos operadores de turismo nacionais e internacionais para que mais recursos possam chegar a Minas Gerais”, declarou Aécio Neves.
O espaço
O Espaço Minas Gerais vai mostrar aos visitantes toda a riqueza e a potencialidade do Estado. No casarão construído na década de 1930, paredes douradas remetem à riqueza mineral do Estado. Suas salas foram batizadas com os nomes de algumas das maiores personalidades mineiras, como o inventor e aviador Santos Dumont e o poeta Carlos Drummond de Andrade.
As duas salas trazem acervos de retratos que mostram alguns dos principais momentos de cada um dos homenageados. São 47 painéis de Santos Dumont e 43 de Carlos Drummond de Andrade.
O Espaço Minas Gerais conta com uma instalação videográfica que exibirá toda a diversidade turística, cultural e econômica do Estado. Belo Horizonte é homenageada no Espaço e cede o nome a uma sala multiuso, na qual estão expostas 110 imagens inéditas da cidade.
Artesanatos, como as famosas bonecas do Vale de Jequitinhonha, também farão parte da ambientação da Casa. A praça Marechal Cordeiro de Farias, vizinha ao casarão, foi restaurada e adotada pela empresa mineira Mascarenhas Barbosa Roscoe e servirá de palco para eventos temáticos sobre a cultura e gastronomia mineira.
Calendário eventos do Espaço Minas
Setembro – Exposição de moda para divulgação Minas Trend Preview – Outono/Inverno 2010
Outubro – Degusta Minas – encontro de negócios de setores do café, cervejas artesanais e cachaça para divulgação do Minas Bier Fest
Novembro – exposições e apresentações de grandes artistas e artesãos para promover a Feira Nacional do Artesanato
Dezembro – Exposição sobre Belo Horizonte para agentes de turismo e promotores de eventos, mostrando o Circuito Cultural Praça da Liberdade, Inhotim e outros atrativos.
José Serra
O jornal Estado de São Paulo publicou matéria dizendo que pode não haver prévias.
Acho que o mais importante aqui é sublinhar o significado dessa instalação da Casa de Minas Gerais em São Paulo. É um campo de contato muito oportuno e necessário entre nosso estado e Minas.
Minas Gerais tem hoje a segunda economia do Brasil e é destino de muitos homens de negócios, muitas atividades culturais e de um fortíssimo movimento turístico. Para nós é um orgulho que haja aqui na esquina da Rua Minas Gerais com a Rua Rio de Janeiro, uma casa de Minas Gerais. Isso tem um significado muito grande, afetivo, econômico, cultural e político.
Mas em seu discurso o senhor falou de uma aliança…
Falei em termos históricos, pois estamos diante de um fato histórico como é a instalação deste vínculo, simbólico e ao mesmo tempo relevante, do ponto de vista da relação entre os estados.
Governador o senhor falou que a escolha será entre o bom e o ótimo. Como o senhor acha que vai ser no ano que vem? A escolha vai ser pelo bom ou pelo ótimo?
Só o povo é que pode dizer. Eu não vou decidir pelo povo quem será o ótimo e quem será o bom. Apenas mencionei uma frase de Juscelino que realmente nunca me saiu da cabeça. E na vida pública, às vezes você tem que achar que o bom é bom e não querer um ótimo que não vem.
Aécio Neves
Prévias ou há possibilidade de não existir prévias?
Em primeiro lugar quero dizer que, para mim, na política, muitas vezes os gestos falam mais do que as palavras. Estamos aqui hoje juntos mais uma vez em uma ação administrativa dentre tantas outras que desenvolvemos juntos, São Paulo e Minas Gerais. O governador Serra aqui enfatizou algo extremamente importante. Minas e São Paulo, São Paulo e Minas são absolutamente decisivos para implementação de qualquer projeto de desenvolvimento no país. As nossas experiências de governo, elas nos tem permitido compreender com enorme profundidade quais os desafios que temos pela frente. Por isso mesmo nos copiamos, no bom sentido. Bons exemplos da administração de São Paulo hoje acontecem em Minas Gerais, são seguidas em Minas Gerais, da mesma forma iniciativas nossas em Minas têm eco aqui em São Paulo.
Estamos, na verdade, rompendo as fronteiras formais da administração, no campo tributário e no campo político. Acho que esse simbolismo, de uma Casa de Minas pode nos inspirar ainda a outras caminhadas. Não tenho dúvidas em dizer que hoje é um ato formal, um ato oficial de governo, mas que conversamos sim política, conversamos sempre com o presidente Fernando Henrique, está aqui o prefeito Gilberto Kassab. É natural que além das nossas responsabilidades administrativas, tenhamos também responsabilidades políticas para com o Brasil. E vamos continuar conversando.
A única coisa que posso garantir a vocês, não sei por qual instrumento – ainda continuo achando as prévias um instrumento importante e de mobilização partidária –, mas o que eu posso garantir a vocês aqui, na esquina da Rua Minas Gerais com Avenida Paulista, é que São Paulo e Minas, o governador José Serra e eu estaremos juntos, independente de que posição porque temos uma afinidade muito grande, uma identidade muito grande em relação ao que achamos importante acontecer no Brasil. Uma gestão pública de maior qualidade, uma refundação, quem sabe, da federação para não permitirmos que o Brasil se transforme em um estado unitário, que é o que estamos vendo acontecer a cada dia hoje com essa volúpia arrecadadora do Governo Federal, essa concentração permanente e crescente dos tributos nas mãos do Governo Federal.
Temos agora uma ação política conjunta extremamente importante, não para os governadores de São Paulo e Minas Gerais, mas para o Brasil, para o setor exportador em especial, que é a garantia dos recursos que venham minimizar, pelo menos, as perdas dos estados exportadores. Infelizmente o Governo Federal, na sua proposta orçamentária, virou as costas não para os estados exportadores, mas para o setor exportador brasileiro, grande empregador, gerador de renda e de receita. Enfim, vamos estar trabalhando juntos pelo Brasil e certamente em 2010 vamos estar juntos. Em que posição, o tempo vai dizer.
Sobre uma chapa puro sangue, o senhor já disse que acha que é um desperdício por que acaba queimando a possibilidade de fechar aliança. Aqui está o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que defende isso. O senhor mantém essa opinião?
José Serra
Olha aqui, o PSDB não tem a pretensão de ter sangue puro, mais puro que os outros. Porque o sangue já tem uma conotação arrogante tipo: ‘o sangue é melhor do que o do DEM, ou o sangue dos outros’.
Temos todos sangue parecido.
Aécio Neves
Nosso sangue é mestiço. Olha, o tempo é que vai dizer. Mas a minha posição é claramente ela. Acho que temos um quadro partidário extremamente plural no Brasil. É natural que as alianças entre partidos se irradiem ou se reflitam também na composição de chapa.
Nós não estamos – por mais que vocês não acreditem –, não estamos ainda preocupados com isso. Vamos continuar viajando pelo país, temos agenda na próxima semana em alguns outros estados e eu continuarei discutindo aquilo que penso ser importante para o Brasil. E no momento certo, o PSDB vai chegar maduramente à sua decisão. Pode ser prévia, pode ser uma ampla consulta às bases do partido, pode ser qualquer outro instrumento. Vamos decidir qual é aquele que reflita melhor o sentimento do partido. E se a decisão do PSDB – qualquer que seja a instância decidida pelo partido – for em torno do governador de São Paulo, José Serra, serei o primeiro a levantar a sua mão e me colocar à sua disposição para com ele percorrer o Brasil.
José Serra
Aspas em tudo que o governador disse, com uma diferença: se for o Aécio, serei o primeiro a lhe levantar as mãos e estar nas ruas fazendo sua campanha.
Os senhores aceitariam ser vice um do outro?
Acho que essas questões não estão – vocês não acreditam -, mas essas questões não estão postas. É verdade. Nós nunca conversamos sobre isso.
Mas o PT está preocupado.
Tá bom. Isso é problema do PT, mas nós nunca conversamos sobre isso.
Governador José Serra, qual a posição do senhor em relação às prévias?
Pode ser um instrumento. Pode ser prévia. É exatamente isso que eu acho, é um instrumento como há outros também.
Agência Minas





