A siderúrgica Gerdau foi em 2008 a empresa brasileira com maior presença no exterior, com 57% de sua receita proveniente de operações fora do Brasil, 63% do total de seus ativos localizados em outros países e 50% do quadro geral de empregados em unidades estrangeiras. A companhia liderou o Ranking das Transnacionais Brasileiras 2009 (ano-base 2008), produzido pela Fundação Dom Cabral e patrocinado pela consultoria KPMG.
A segunda colocada no ranking, que foi divulgado hoje, é a fabricante de autopeças Sabó. O terceiro lugar é ocupado pela empresa de alimentos Marfrig, que no ano passado aumentou em 358% seus ativos no exterior em valor, resultado de uma agressiva estratégia de aquisições.
Para calcular o “índice de transnacionalidade”, a Fundação Dom Cabral avalia três indicadores empresariais: a relação entre receitas brutas de subsidiárias no exterior e receitas totais; a proporção entre os valores dos ativos no exterior e o valor total dos ativos das empresas e a relação entre o número de funcionários no exterior e o número total de funcionários.
Apesar da crise econômica, que se intensificou em setembro do ano passado, a pesquisa da Fundação Dom Cabral mostra que as 20 maiores transnacionais brasileiras não reduziram seus níveis de internacionalização. Ao contrário, os números chegam a mostrar certa evolução, ligada sobretudo às novas aquisições feitas pelas empresas no exterior.
Em 2008, as receitas das 20 maiores transnacionais brasileiras no exterior representaram 25,32% do faturamento total no intervalo. Em 2007, esse índice ficou em 24,16%. Já o valor dos ativos das empresas fora do País representou 27,66% do total no ano passado, ante 24,94% em 2007. Por fim, o número de funcionários no exterior foi equivalente a 27,52% do quadro geral de empregados. Na pesquisa anterior, esse porcentual foi de 22,33%.
A líder do ranking, Gerdau, foi responsável pela maior aquisição no exterior em 2008, com a compra da Gerdau Macsteel Inc., no valor de US$ 1,458 bilhão. A segunda maior compra foi feita pela Magnesita, que adquiriu a LWB Refractories, na Alemanha, seguida pelas aquisições dos ativos do grupo OSI na Europa e no Brasil pela Marfrig.
No entanto, o coordenador do núcleo de negócios internacionais da Fundação Dom Cabral, professor Jase Ramsey, ressalta que, do total de 41 empresas participantes da pesquisa, 14 reduziram seu nível de internacionalização no ano passado em resposta à crise, que provocou problemas de liquidez, acesso ao crédito e falta de previsibilidade dos negócios.





