Além da baixa procura, 70% dos pacotes previamente vendidos já foram cancelados. A crise sobre os dois destinos começou após a sugestão, em junho, do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para que os brasileiros evitassem os países pelos altos números de contaminados pela gripe A.
Maria Ângela Carvalho, vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-BA) e diretora da agência Happy Tour, compara os 130 pacotes fechados entre maio e agosto de 2008 com os 24 pacotes fechados no mesmo período deste ano para representar o prejuízo que os negócios tiveram. “No ano passado, foram R$ 280 mil em negociação para este dois destinos, enquanto neste ano foi apenas R$ 56 mil”, informa a empresária. Para ela, o anúncio do ministério foi precipitado e não ponderou os prejuízos que traria para o setor.
Neste período do ano, os destinos de Bariloche, Buenos Aires, os Lagos Andinos e Santiago são os mais requisitados pelos baianos. A diferença cambial de desvalorização do peso argentino e chileno em comparação ao real é um dos atrativos. “A procura era altíssima pelo ponto forte da neve”, relata Maria Ângela. Esses destinos representam até 70% dos roteiros para o exterior negociados nesta época do ano.
Fábio Rios, médico, era um dos consumidores que estava com viagem agendada para esses quatro destinos, junto com a sua esposa, e desistiu. Ele ressalta que, apesar de saber que o vírus não é letal, ficou com receio de contrair a gripe e contaminar seus filhos na volta e ter de se ausentar do trabalho. Rios tomou esta decisão após o comunicado do governo federal.
“Você brincar com fogo é complicado. Se o ministério pediu para evitar vou seguir o aviso”, pondera Rios. Ele acrescenta que mudará seu destino para a Itália, mas admite que as férias sairão mais caras. Nos países da América do Sul, os consumidores têm a opção de tirar as passagens por milhas, o que já representa uma grande economia, e era a opção do médico. Como a mudança para um dos países europeus representa uma viagem até 40% mais cara, a maioria dos consumidores acabou desistindo da viagem internacional.
Já as viagens para a Disney não prejudicaram tanto o empresariado: com uma redução entre 15% e 10%, segundo Maria Ângela, da Abav.
Luís Zelada, diretor da Alcance Operadora Turismo, confirma que novas reservas não entraram na empresa. Como o setor confirma as hospedagens e passeios com
“É injusto, porque estamos pagando duas vezes: na Argentina e aos clientes”, reclama Zelada. O empresário admite que até o final do ano haverá no setor grandes promoções para esses destinos, impulsionadas por créditos dados aos clientes ou às agências em decorrência dos cancelamentos, mas ressalta que este não é o momento.
Já Marcos Almeida, diretor comercial da Bis Operadora, diz que a estratégia utilizada pela empresa foi transferir as viagens para destinos brasileiros, como Beto Carreiro,
O diretor da operadora acredita que o pior é que a problema com a gripe A pegou os empresários de surpresa, com os pacotes já fechados. Dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde mostram que a Argentina tem 94 mortos e mais de 100 mil infectados pela gripe A.






