Numa visita já marcada por críticas, o pontífice rezou no Muro das Lamentações e visitou a mesquita do Domo da Rocha, locais sagrados de Jerusalém. Na descrição de um colunista israelense, ele se mostrou “contido, quase frio”.
Citando o fato de Bento 16 ter pertencido quando adolescente à Juventude Hitlerista e de ter servido ao Exército alemão, o presidente do Knesset, Reuven Rivlin, repreendeu o papa por seu pronunciamento de segunda-feira no Yad Vashem, memorial que homenageia os 6 milhões de judeus mortos pelos nazistas.
“Ele veio até nós e nos disse como se fosse um historiador, alguém olhando de fora, sobre coisas que não deveriam ter acontecido. E o que se poderia fazer? Ele era parte (dessas coisas)”, disse Rivlin à Rádio Israel.
Na cerimônia no memorial, o papa falou da “horrível tragédia da ‘shoah’ (Holocausto, em hebraico)”, mas frustrou alguns líderes religiosos judaicos que esperavam um pedido de desculpas — como alemão e como cristão — pelo genocídio.
Numa aparente defesa do papa, o rabino-chefe de Israel, Yona Metzger, disse ter certeza de que Bento 16 subscreveria a oração deixada no Muro das Lamentações há nove anos por seu antecessor, João Paulo 2o, em que ele pedia perdão pelo sofrimento provocado aos judeus durante séculos.
Na oração deixada num nicho entre as pedras, o atual papa citou em termos gerais “o sofrimento e a dor de todos os povos pelo mundo” e pediu a paz no Oriente Médio.
Rivlin disse que “com o devido respeito à Santa Sé, não podemos ignorar o ônus que ele carrega, como um jovem alemão que aderiu à Juventude Hitlerista e como uma pessoa que aderiu ao Exército de Hitler, que foi um instrumento de extermínio.”





