Molejo político

Publicado por: suporte

Desde que era vereador e candidato, o prefeito eleito por Divinópolis, Vladimir Azevedo (PSDB), dizia-se a favor de uma reforma que contemplasse mais pessoas com formação técnica do que apenas indicações políticas, no preenchimento de vagas na Prefeitura. Mas a verdade é que ninguém vive no país das maravilhas e para se fazer política e ser um bom político é necessário certo molejo, jogo de cintura.

Algumas pessoas afirmavam que se repetiria a história de uma Prefeitura como cabide de empregos, outros, os “cientistas políticos” da cidade chegaram a se indagar se aquele “menino de calças curtas”, como alguns ainda o viam, conseguiria conciliar todo o seu rigor técnico de economista com o necessário traquejo político, pois como diziam de “boas intenções o inferno está cheio”.

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Na verdade o que rondava era o medo de que, sendo técnico demais, o governo se engessasse. É claro que também ninguém queria que o executivo saísse distribuindo cargos por ai, principalmente aqueles que não são de livre nomeação e exoneração (chefia, assessoria) como permite a lei, em porcentagem já estabelecida. A administração Municipal precisava de pulsos fortes, mas não havia como vencer uma tradição de anos de distribuição de cargos por indicação de vereadores.

A estratégia inicial foi a de colocar como secretário de Planejamento e Gestão (SEPLAG), Antônio Luiz Arquetti Faraco Júnior. Homem cordial em seus tratos e extremamente técnico, ele saberia manejar dentro do contexto político as vagas a serem preenchidas. Tática que, por enquanto parece estar dando certo.

O secretário fala sobre as condições de contratação: ” A Reforma Administrativa realizada pela gestão de Vladimir não define quais os cargos devem ser de nível técnico e sim quais os cargos se deve ter para uma administração eficiente”. Ele admite que o perfil técnico aliado à indicação política, é prioridade para uma contratação, mas faz uma ressalva, “algumas áreas tem perfil eminente técnicos, como a própria secretaria de Planejamento, enquanto outras têm caráter eminentemente político, como a Assessoria de Governo”.

Quando confrontado com o aparente rigor técnico que Vladimir demonstrava ter e a atual indicação dos vereadores para o preenchimento de vagas na Prefeitura, Faraco afirma que não tem relação direta com a parte política, mas que pode assegurar que os escolhidos politicamente têm o perfil traçado pelo prefeito e são submetidos ao secretário da área específica para avaliar a qualificação técnica.

O assessor especial de governo, Fernando Ordones, tem a mesma posição de Faraco e afirma que não há nenhuma incoerência na contratação a partir das indicações,“os vereadores têm a oportunidade de indicar vários nomes para as áreas, as quais já determinamos o perfil ideal, mas nós é que fazemos a seleção e apuramos se as pessoas indicadas tem a competência para o preenchimento da vaga” explica Ordones.

Desvio de função

Nas primeiras análises sobre a quantidade de desvio de função dentro da prefeitura, o secretário de Planejamento e Gestão, afirma que devam existir cerca de pessoas dentro desta ilegalidade e a posição da atual administração é de tentar corrigir esse erro. “É um processo delicado, que pode durar até seis meses para ser realizado, pois quando se tira uma pessoa que está trabalhando em determinada área, deve-se colocar outra no lugar, e, se não tem alguém dentro do quadro de funcionários, os concursados devem ser chamados” esclarece Faraco.

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Ele explica que existem muitos funcionários redirecionados para novas funções de forma ilegal e o ministério público pressiona. “O Ministério público é o nosso parceiro e se ele é que está cobrando, tem que ser cumprindo. Isso corta uma possível influência política” diz Faraco.

O secretário afirma que as principais áreas nas quais existe o maior número de desvio de função são a Educação e a Saúde e que essas serão prioridades para as readequações. “Tem gente que fez concurso para professora e estava trabalhando na secretaria de Promoção-Humana. Isso é ilegal e será normalizado” garante.

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