Audiência discute sobre segurança pública em Divinópolis

Publicado por: suporte

Aconteceu nessa quarta-feira (11), uma audiência sobre segurança pública, na Câmara Municipal de Divinópolis. Para discutir o assunto, além da população compareceram várias autoridades políticas, como o deputado estadual Rinaldo Valério, e da polícia civil e militar como o Ten. Cel. Eduardo Campos do 23º BPM –MG, o Major Luiz Antônio Alves de Matos, a delegada regional da polícia civil Dra Aparecida Dutra Quadros, delegados e também componentes da Região Integrada de Segurança Pública- RISP.

As autoridades religiosas também se mostraram preocupadas com o assunto e foram elas, através do Pe Reni, os primeiros a iniciar uma exposição sobre a realidade de Divinópolis na área da segurança. O sacerdote falou da campanha da fraternidade que tem como tema Fraternidade e Segurança Pública e o lema “A Paz é Fruto da Justiça” (Is 32, 17). A educação, principalmente a familiar, foi apontada pelo PE como base para que a campanha tenha efeito.

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O comandante do 23º Batalhão da Polícia Militar, Eduardo Campos, também concordou que a criminalidade deve ser combatida desde a sua raiz, em casa. Mas não deixou de mostrar, em números, o trabalho que a polícia vem realizando, tanto com prevenção, com o Programa Educacional de Resistência às Drogas- Proerd, quanto com prisões.

Campos afirmou que o grande problema de Divinópolis e do Brasil é a impunidade: “mandamos o criminoso para o presídio e em quatro meses ele é solto porque não foi julgado”. Ele também considera que as leis brasileiras são relaxadas “essa constituição veio de uma ditadura, período muito duro, em que os legisladores estavam com a corda no pescoço, agora vivemos com excesso de liberdade, talvez seja hora de repensar”, pondera o comandante.

Além disso, o comandante critica a falta de uma política de recuperação de drogados no município, já que o tráfico e o furto são os maiores responsáveis pelas prisões na cidade “as iniciativas que vemos são da própria população ou da igreja” diz.

A falta de infra-estrutura não é uma exclusividade da penitenciária, que não comporta o número de presos, o comandante reclama da falta de iluminação na cidade e pavimentação nas ruas “tem locais em que a viatura não passa, como faremos o patrulhamento?”, questiona.

Apesar de todos os problemas apontados, o militar afirma que Divinópolis não está entre as cidades mais violentas do estado, se considerado o tamanho e comparada a outros municípios de mesmo ou menor porte. No ranking das cidades mais violentas de Minas ela aparece em 28º lugar (veja dados da polícia civil e militar abaixo).

Doutora Aparecida Dutra Quadros, delegada regional da polícia civil concorda e afirma “Divinópolis é uma boa cidade para se viver”. Tal declaração contraria o pensamento de Nédson Daldegan, corretor de imóvel e morador do bairro Esplanada, que está assustado com a violência. Ele conta que, no sábado (07/03), esteve no AABB para levar seus filhos ao show do Chimarruts e presenciou um segurança ser agredido por marginais com chutes na cabeça até quase desmaiar.

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“Vim nessa audiência pública para saber o que os órgãos públicos estão fazendo, tudo que estão falando aqui hoje mostrando serviço está sendo ineficaz”, declara o corretor que acredita que o sistema penal é um sistema falido. “Sei que o sistema de segurança no Brasil todo é muito complexo, mas não posso me conformar que a minha cidade seja violenta porque o resto do Brasil é” esbraveja.

Daldegan disse que o corpo da reunião foi muito bom composto por delegados, policiais, pessoas que estão envolvidas na situação, mas afirma “eu não descordo dos policiais, sei que estão fazendo seu trabalho mas descordo do sistema”. O corretor sugere que o problema seja combatido no ninho: “o grupo de inteligência da policia militar e civil sabe onde é a boca de fumo, onde estão os bandidos e devem abafar o local”

O morador do bairro Esplanada reclama que a sociedade divinopolitana também deixa a desejar, porque, segundo ele, a audiência teve a presença de muitas pessoas, mas poderia haver muito mais. Nédson deixa seu recado: “quando a pessoa for abrir a boca para reclamar deve procurar saber primeiro o que ela pode fazer, se tivesse três mil pessoas aqui nós chamaríamos atenção das autoridades e dos meios de comunicação”.

Números passados pela Polícia Militar

• No Brasil existem mais de 400 mil presos e se todos os mandados fossem cumpridos haveria o dobro.

• Na penitenciária Floramar, em Divinópolis, existem 470 presos, a maioria por tráfico de drogas ou roubos.

• Nessa segunda-feira (09/03) foram presas 6 pessoas por tráfico de drogas em Divinópolis.

• Ano passado, foram apreendidas 4 toneladas de drogas, na cidade.

• Em 2008, foram cumpridos, em Divinópolis, 244 mandados de prisão e 125 de busca e apreensão.

• Em 2007, a cidade mais violenta de Minas foi Contagem, a 2ª mais violenta Belo Horizonte e Divinópolis se encontrava 18º lugar.

• Em 2008, o primeiro e segundo lugar permaneceram com Contagem e Belo Horizonte, no entanto Divinópolis caiu para a 28º colocação no ranking das cidades mais violenas e a 10ª em maior população.

• Nova Serrana ocupa o 12º lugar das mais violentas no estado.

Dados da polícia civil

• Em 2008 foram realizados 361 atos de prisão em flagrante em Divinópolis

• No mesmo ano, foram abertos 3176 inquéritos e só há 3 varas de execução penal

• Em 2009, até fevereiro já havia101 atos de prisão em flagrante e 226 inquéritos.

• Foram cumpridos, somente nos dois primeiros meses desse ano, 377 mandados de prisão, ainda faltam 380 a cumprir.

• Em 2008, aconteceram 22 homicídios, a maior parte por violência doméstica, 15 foram solucionados
.
• Em 2009, aconteceram 3 homicídios, nos dois primeiros meses, dois por violência doméstica. Os três casos estão sendo apurados e 01 já está em fase final.

 
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