A população brasileira está mais velha. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nos últimos dez anos a população envelheceu quase 10%. Essas estatísticas servem também para alertar que, com o crescimento do número de idosos, é preciso prestar mais atenção à saúde, para que a chegada à terceira idade não represente apenas uns anos a mais, mas sim uma vida maior e melhor. Segundo a nutricionista Júnia Flávia Rodrigues, da Clinlife, manter bons hábitos alimentares é o principal caminho para quem busca bem-estar e disposição.
Júnia explica que, quanto mais avançada a idade, menor a necessidade de calorias no prato, uma vez que o ritmo de atividade também diminui. Em contrapartida, a porcentagem de gordura corporal aumenta com os anos. Por isso, os mais velhos devem ter atenção redobrada com a balança. No entanto, a nutricionista alerta que o fato do organismo dos idosos necessitarem de menos calorias não significa que eles devam se alimentar mal; “pelo contrário, mais do que nunca, precisam dos micronutrientes dos alimentos, como vitaminas, cálcio e ferro”, afirma.
As vitaminas A (encontrada no leite, ovo, iogurte, abacate, manga, melão, pêssego, abóbora, brócolis, cenoura e no fígado das aves) e C (encontrada na laranja, limão, alface, kiwi, alho, cebola, repolho e espinafre) são ricas em elementos antioxidantes, essenciais para combater os efeitos dos radicais livres, moléculas que podem acelerar o processo de envelhecimento.
Os laticínios (leites, queijos, iogurtes, de preferência os desnatados) contêm cálcio, elemento-chave no fortalecimento dos ossos. As isoflavonas da soja proporcionam uma defesa natural para os incômodos da menopausa.
O consumo de fibras também tem grande importância, pois contribui para um bom funcionamento intestinal. Entre os alimentos com alto teor de fibras estão feijão, lentilha, farelo de aveia, verduras, legumes e frutas. Os alimentos hortifrutis também ajudam na prevenção de doenças cardiovasculares e de câncer.
A nutricionista lembra, ainda, que alguns nutrientes como o cálcio, vitamina D (óleo de peixe, fígado, gema de ovos) e B12 (leites, carnes e verduras) podem, em algumas vezes, requerer um consumo à parte, mas a suplementação sempre deve ser orientada por um médico ou nutricionista.
Além dos alimentos ingeridos, os idosos não devem se descuidar da hidratação. Segundo a nutricionista, a partir dos 60 anos, o cérebro das pessoas aceita uma menor quantidade de líquido no corpo e, por isso, sentem menos sede. Mesmo quando não sentir sede, é fundamental beber líquidos. “O ideal para se evitar constipação intestinal e até mesmo desidratação é consumir entre 1,5 e 2 litros de líquidos por dia”, afirma.
Outra recomendação da nutricionista é em relação à quantidade de refeições diárias, de cinco a seis vezes, em pequenos volumes, com intervalos de, no máximo, quatro horas.
Por fim, Júnia destaca, ainda, algumas regras básicas para uma vida saudável em qualquer idade: controlar o consumo de sal, açúcares, gorduras, carnes, álcool, e cafeína; privilegiar os alimentos frescos e variados; e, principalmente, fazer de cada refeição um ritual prazeroso. “Alimentar de maneira equilibrada e correta é virtude que quando desenvolvida desde os primeiros anos de vida, faz toda a diferença na terceira idade”, completa.






