Parece que foi de propósito, mas quando a Mocidade Alegre escolheu o coração como tema de seu samba-enredo, a presidente da escola do bairro do Limão, Solange Cruz Bichara, não imaginava que ela própria quase enfartaria ao saber que sua agremiação era anunciada campeã do Grupo de Acesso com apenas 0,5 pontos de diferença para a tradicionalíssima Vai-Vai.
Um público de 5 mil pessoas participam da comemoração pelo título, mas como a quadra da escola tem capacidade para 3 mil pessoas, muita gente ficou do lado de fora. Para acalmar os ânimos, a bateria tocou no cruzamento das avenidas Casa Verde e Celestino Borroul, nas proximidades do local, zona norte de São Paulo.
“Um dos motivos principais de nossa vitória foi a bateria. Sempre foi um grande chamariz. Por causa da bateria, os torcedores aumentam cada vez mais. Muita gente vem ver a bateria e acaba por ficar na escola e nos apoiar”, explicou Solange.
Mas nem só de música vive o ser humano, e para tranquilizar os foliões da campeã do carnaval paulistano, muita cerveja – cerca de 25 mil latinhas – foram distribuídas pela Mocidade. Mas a festa não foi até muito tarde. Pouco antes da meia-noite a quadra foi fechada porque a área em que está instalada é residencial. Mas Solange avisa: “No sábado vamos festejar mais.”
Vitória nos detalhes
No início de fevereiro, Thobias da Vai-Vai – presidente da agremiação da Bela Vista – já avisava: “A escola que errar menos vai vencer.” Dito e feito. E foi com a tradicional agremiação do Bixiga que a frase mais se encaixou, ‘nos detalhes’, a Mocidade sagrou-se campeã a apenas 0,5 na frente da Vai-Vai.
Um desses ‘detalhes’ era realmente pequeno, mas apenas de tamanho. Marília Cristina de Souza Silva, 12 anos, soube duas semanas antes do desfile que passaria de rainha de bateria mirim para o posto principal, no lugar de sua mentora, Nani Moreira.
Nani optou por não desfilar como destaque em 2009, já que não teria tempo hábil para se recuperar fisicamente após ser mãe há poucos meses do desfile, e coube a “Naninha” – como é conhecida Marília pela comunidade – encarar a tarefa. E ela não decepcionou.
“Minha madrinha Nani disse que confiava muito no meu trabalho e isso me deu força para seguir em frente e fazer um bonito desfile”, explicou a menina que mais parece uma veterana.
Fonte: www.ig.com.br






