
Não é como se eles fossem mega estrelas das pistas ou algo do gênero. Pelo contrário. Seus nomes aparecem em ‘flyers’ sem muito destaque e o pagamento muitas vezes é feito em bebidas alcoólicas. Isso, claro, quando são remunerados. Muitas vezes, porém, esses jovens aceitam animar festas pelo simples fato de gostarem de música. Ao invés de colecionar selos ou moedas, eles decidiram fazer da discotecagem seu hobby. São DJs por diversão.
É o caso da universitária Bruna. Ela, que divide seu tempo entre Bruna Martinelli, a tradutora, e Bruna Candygloss, a DJ, começou a discotecar em 2003 por acaso quando, por frequentar muitas festas e se tornar amiga dos DJs, foi convidada a tocar em uma casa chamada Superblast. “Acho que essa foi a primeira vez ‘oficial’, com meu nome no flyer e tudo o mais”, lembra. A partir daquele dia, a jovem tomou gosto pela brincadeira e resolveu se aperfeiçoar. “Aprendi tudo sozinha”, afirma a garota que já teve presença garantida nos principais clubes noturnos da noite alternativa paulistana como o Vegas, Clash, Lady Hell e até no extinto Atari. “Até
Apesar de conhecida no meio, a DJ/tradutora/estudante revela nunca ter se interessado por fazer de seu hobby sua profissão. “Nunca pensei em ser residente, ficar ligada a uma casa só. Eu faço porque gosto, por diversão. Quem vira residente assume o compromisso de divulgar, de ir atrás de público… Se a festa não vai bem a culpa é sua, vem a cobrança. Não quero isso para mim”, desabafa.
O estudante Felippe Camargo, por sua vez, conta que às vezes esse pensamento vem à sua cabeça, mas que a ideia não passa de um sonho. “Para eu me dedicar à discotecagem eu teria que largar meu estágio e outras coisas que construí”, afirma. “Se um dia eu perceber que a carreira que escolhi para mim não irá dar certo, quem sabe eu reconsidere”, questiona. Enquanto isso, a música divide espaço com suas obrigações de rotina e o tempo livre. Ele e mais dois amigos mantêm um projeto que mistura música eletrônica e arte chamado Voyage e que acontece uma ao por mês. Para mantê-lo, no entanto, o rapaz, que possui parte do equipamento necessário em casa, diz praticar duas vezes por semana por um período de duas a três horas.
Isso, claro, facilita muito, mas não ter o equipamento em casa não deve ser encarado como um empecilho para quem deseja se transformar
Como começar?
Mas o que fazer para ingressar nesse meio? Apesar de o fator ‘vontade’ ser essencial, este não é o único requisito necessário na opinião desses jovens. Uma condição importantíssima é gostar muito de música. Sem repertório geral “fica complicado”, segundo Gabriel. “É bacana ouvir de tudo, mesmo que você não goste. Sem preconceitos”, ensina. Fora isso, deve-se ter o costume de sair muito para estar ciente de quais são as músicas que agitam e quais não agradam. Ter “cara de pau” também conta muito, de acordo com o publicitário.
Já Felippe e Bruna dizem que correr atrás e fazer contatos com as pessoas da noite podem ajudar no começo de sua carreira, ainda que só por hobby. “Tem que se enfiar no meio”, diz Bruna. Soma-se a isso um bom senso na hora de montar sua lista de músicas para que não se misturem estilos muitos diferentes. “Tem que seguir uma linha quando toca”, afirma Felippe.
Por último, mas não menos importante, a dica principal: não espere ficar milionário tocando eventualmente. “Às vezes eles dão algum cachê, mas muitas vezes eles pagam nossa consumação”, relata Bruna. “Geralmente, quando dividimos entre os três amigos, dá uns R$ 200 por festa para cada. Só quem tem nome forte é que recebe bem. Por isso, grande parte dos DJs tem outro trabalho. A não ser um Mau Mau da vida”, relata. Ou seja, caro jovem aspirante a disc jockey: esteja disposto a gostar mesmo de música – ou a beber muito.
Fonte: Site IG Jovem





