A paralisação vai atingir, principalmente, as unidades voltadas à exportação da indústria. Segundo Luiz Fernando Furlan, com a falta de liquidez no mercado externo e os problemas de embarque e armazenamento de produtos no Porto de Itajaí (SC), os estoques de exportação da empresa ficaram elevados e por isso foi tomada a decisão de fazer neste final de ano um plano de compensação de banco de horas para os funcionários. “Não é um assunto grave e não envolve demissões”, afirmou o executivo.
Segundo Furlan, a acomodação dos estoques mundiais de carne de frango contrasta com a situação do mercado interno que, segundo ele, prossegue aquecido para os produtos da Sadia, que tiveram recorde de vendas no País nos meses de outubro e novembro.
DERIVATIVOS – O problema de derivativos anunciado pela Sadia logo ao início dos efeitos da turbulência internacional no Brasil “está voltando à normalidade”, segundo Furlan. De acordo com ele, a dívida, que totalizava US$ 2,4 bilhões em 30 de setembro, hoje é de “apenas” US$ 600 milhões. “Isso representa pouco mais de dois meses de exportação. A cada mês exportamos US$ 250 milhões e liquidamos parte da dívida”, declarou, ao chegar ao Copacabana Palace, para participar do 2º Encontro Empresarial Brasil-Europa.
O executivo reiterou que a Sadia não está à venda e afirmou que não sabe por quanto tempo ainda prosseguirá no comando da empresa. “Vou ficar o tempo necessário, mas não quero morrer com o bastão na mão”, disse o executivo, que retornou ao conselho da Sadia há dois meses, para resolver os fortes problemas gerados no caixa da empresa por causa das operações com derivativos.


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