Demetrius é internado para tratamento de infecção grave

Publicado por: suporte

O prefeito Demetrius Pereira teve que ser internado nesta quinta-feira (18) pela manhã, depois de sentir fortes dores na região do abdome. O prefeito foi encaminhado ao Hospital Santa Mônica, onde passou por uma bateria de exames. No final da tarde, o Diretor de Comunicação da Prefeitura, Alvimar Mourão, divulgou uma curta nota, na qual informa: “Após passar por uma bateria de exames no Hospital Santa Mônica, foi diagnosticado que o Prefeito Municipal de Divinópolis, Demetrius Arantes Pereira, apresenta quadro de diverticulite, sendo orientado pela equipe médica repouso absoluto”.

Demetrius Pereira continuava internado nesta sexta-feira (19). O Diretor de Comunicação, Alvimar Mourão, informou ao Divinews.com que ele está tomando uma “pesada carga de antibióticos”, na tentativa de rever a inflamação intestinal e evitar uma cirurgia. Ainda na tarde desta sexta-feira, não havia previsão de alta para o prefeito.

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Ainda de acordo com Alvimar Mourão, “o Prefeito Demetrius Pereira expressa total solidariedade aos Divinopolitanos atingidos pelos desdobramentos das chuvas em nossa cidade e se mostra consternado com o sofrimento das famílias desabrigadas. O Prefeito Demetrius confia plenamente no trabalho das equipes formadas pela Prefeitura Municipal, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Vigilância Sanitária e outras visando gerenciar e solucionar os problemas causados pelas chuvas em nosso município”.

O que é diverticulite?

Diverticulose é a presença de pequenas bolsas que se projetam para fora da parede intestinal. No mundo ocidental 85% dos divertículos localizam-se no cólon sigmóide (parte final do intestino grosso, logo antes do reto). A diverticulite é a inflamação de um divertículo.

A diverticulose ocorre com freqüência semelhante em homens e mulheres, aumentando com a idade. Um terço das pessoas com mais de 50 anos e 2/3 daquelas com mais de 80 anos tem divertículos no cólon, porém a grande maioria é assintomática.

Como se desenvolve?

Apesar de não ser totalmente conhecida a origem, acredita-se que dois fatores estejam associados ao surgimento dos divertículos: o aumento da pressão no interior do intestino e um enfraquecimento de pontos da parede intestinal.

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O que se sente?

Apenas uma minoria dos indivíduos tem queixas relacionadas à diverticulose. A queixa mais comum é de desconforto doloroso na região inferior esquerda do abdome com variável tempo de duração e que alivia com a eliminação de gases ou fezes. Diarréia ou constipação (intestino trancado/prisão de ventre) também podem ocorrer.

Complicações

Diverticulite é a complicação mais comum, ocorrendo em algum momento da vida de 10-20% dos indivíduos com diverticulose. Quanto maior o tempo de evolução e quanto mais extensa a área com divertículos, maior é o risco dessa complicação. A diverticulite manifesta-se por dor forte na parte inferior esquerda do abdome, acompanhada de febre e, geralmente, constipação. Podem estar associados também náusea, vômito e diarréia com muco, pus ou sangue.

Os divertículos inflamados podem formar pus, criando um abscesso em seu interior e, por conseqüência, perfurar. Com a perfuração, o pus pode se espalhar ou não no abdome levando, respectivamente, à peritonite (inflamação de todo o abdome) ou ao abscesso localizado. (fig 2).

Complicações menos freqüentes são o sangramento, a formação de fístulas (comunicação anormal de um órgão com outro ou com o exterior) e a obstrução intestinal. O sangramento é mais comum em divertículos do lado direito do intestino grosso e pode ocorrer sem diverticulite. Após o primeiro sangramento a chance de outro é de 25%; após um segundo episódio, a chance de novas hemorragias chega a 50%. As fístulas decorrem da drenagem espontânea de um abscesso, o que pode ocorrer para a bexiga ou vagina, por exemplo. Obstrução do intestino grosso geralmente deve-se a sucessivas inflamações e cicatrizações de diverticulites, resultando em fibrose (cicatrização deficiente) e fixação do intestino.

Como o médico faz o diagnóstico?

Ao exame físico, o paciente com diverticulose tem uma sensibilidade aumentada ou dor à palpação na parte inferior esquerda do abdome. O Enema Opaco (Raio X do intestino grosso com colocação de contraste por via retal) é o exame que mais informações fornece quanto à localização, quantidade e extensão da doença. A retossigmoidoscopia ou colonoscopia (visualização direta do interior do intestino através de endoscópios introduzidos através do ânus) identificam os óstios (bocas) dos divertículos e servem também para diferenciar a diverticulose de outras doenças do intestino que possam causar sangramento, dor ou obstrução (câncer, pólipos, inflamação da mucosa, etc). Quando há diverticulite, pode não estar indicada a imediata realização de enema opaco ou colonoscopia. Nessa circunstância, além do exame direto do paciente pelo médico mostrar alterações evidentes, os exames de sangue podem ter sinais de infecção. Raio X abdominal sem contraste, ecografia e tomografia, podem ser úteis na fase aguda para identificar perfurações e abscessos.

Qual é o tratamento?

A maioria dos casos de diverticulose tem suas queixas melhoradas com tratamento clínico. Dietas ricas em fibras e/ ou remédios que umedecem e aumentam o volume das fezes, diminuindo o esforço para evacuar, podem aliviar sintomas, prevenir novos divertículos e, principalmente, diminuir complicações como a diverticulite. Remédios anti-espasmódicos que diminuem as contrações excessivas do intestino, podem ser usados. O estresse emocional também tem sido relacionado com aumento dos espasmos do intestino e, assim, com aumento do risco de divertículos e suas complicações.

O tratamento da diverticulite depende da gravidade do caso, variando desde repouso, dieta sem resíduos e analgésicos, até uso de antibióticos, internação hospitalar com reposição de líquidos pela veia e cirurgia. A cirurgia de urgência pode ser necessária quando há piora do estado geral, obstrução intestinal, perfuração da parede do intestino e infecção generalizada. Cirurgias eletivas (planejadas com antecedência) podem ser indicadas em jovens com a doença, já que seu risco de um novo episódio ao longo da vida é grande, em pacientes com crises freqüentes de diverticulite, naqueles com sangramento importante ou repetido, na presença de fístulas ou se há suspeita de outra doença associada (câncer, por exemplo). A cirurgia consiste basicamente na retirada da parte do intestino onde se encontram os divertículos, geralmente todo o cólon sigmóide. Algumas vezes não é possível realizar a junção das partes que restaram do intestino, sendo necessária uma colostomia com uma bolsa externa para coletar as fezes, em geral, temporária.

A morte de Tancredo Neves

A infecção do intestino grosso, a diverticulite, tornou-se popular no Brasil após a morte do Presidente da República eleito, Tancredo Neves. Ele havia se submetido a uma agenda de campanha bastante extenuante, articulando apoios do Congresso Nacional e dos governadores estaduais e viajando ao exterior na qualidade de presidente eleito da República. Mas também vinha sofrendo fortes dores no estômago, durante os dias que antecederam a posse. Aconselhado por médicos a procurar tratamento, teria dito: “Façam de mim o que quiserem – depois da posse”. Tancredo temia que os militares mais reacionários se recusassem a passar o poder ao vice-presidente. Porém, a sua saúde não resistiu e, na véspera da posse (14 de março de 1985), adoeceu com fortes dores abdominais sequenciais durante uma cerimônia religiosa no Santuário Dom Bosco. Foi às pressas internado no Hospital de Base de Brasília, onde o comunicado oficial informou que ele havido sido acometido de uma diverticulite.

José Sarney assumiu a Presidência em 15 de março, aguardando o reestabelecimento de Tancredo. Mas, devido às complicações cirúrgicas ocorridas, o estado de saúde se agravou, e teve de ser transferido em 26 de março para o Hospital das Clínicas de São Paulo. Durante todo o período em que ficou internado, Tancredo sofreu sete cirurgias. No entanto, em 21 de abril (na mesma data da morte de Tiradentes), os aparelhos de circulação e respiração artificial que o mantinham em estado vegetativo foram desligados e Tancredo faleceu vítima de infecção generalizada, aos 75 anos. Na verdade, a morte de Tancredo não foi motivada diretamente pela diverticulite e sim pelas infecções oportunistas que o atingiram após o internamento. 

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